
Ana Lima: «Por muitas razões, das quais não vou agora falar, sou uma defensora da utilização dos transportes públicos. Apesar de gostar muito de andar a pé em Lisboa, utilizo, entre outros, o metro, com alguma frequência. É inegável o esforço que tem sido feito para melhorar a qualidade da sua utilização. A rede tem sido aumentada, as estações renovadas e, à excepção de algumas alturas do dia, as viagens não são desconfortáveis.»
Ana Vidal: «Numa mecânica passagem pelos canais de televisão à uma e meia da manhã, rejeito liminarmente todos os filmes e séries que me saem ao caminho e continuo, procurando nem eu sei bem o quê. Procurando nada, no fundo, apenas tentando fintar a noite com a paciência e a resignação dos insones crónicos. Detenho-me, hipnotizada, numa reportagem sobre a fome no reino dos eleitos: a América pujante e esplendorosa do presidente Obama. Nas estatísticas caem as máscaras e surgem números tão assustadores como surpreendentes.»
Patrícia Reis: «Tenho pena que a ideia de serviço público tenha desaparecido – sim, já sei, o romantismo em mim… – e que se digam estes clichés que não nos servem para nada. As ideologias já não são o que foram, o PC e o Bloco são partidos historicamente mortos (tal como o interior do país onde nunca se apostou) e o que nos resta são estes senhores de partidos que são… iguais? parecidos? semi vivos? semi mortos? Haja paciência? Não, para quem tem filhos, a paciência não chega, é preciso pagar contas e saber como serão os dias. É preciso esperança e carisma.»
Eu: «Os neo-realistas como Mário Dionísio escreviam sobre um mundo a preto e branco que era o da sua geração. Talvez por isso, Nevoeiro na Cidade pode também hoje ser lido quase como um thriller: há nele ambiências de filme noir – a tal ponto que admira como é que este conto nunca foi transposto para um guião cinematográfico.»
