
Adolfo Mesquita Nunes: «A minha memória é caprichosa, não se deixa enganar ou seduzir pelas minhas instruções. Guarda o que lhe apetece, algumas vezes em segredo, muitas vezes contra a minha vontade. É ela, não eu, que escolhe o que me faz regressar ao ouvir o primeiro acorde ou ao ver primeira imagem. Esta é uma série que lhe é dedicada. Não à minha memória, que não merece, mas ao sítio para onde regresso quando lhe obedeço.»
Ana Lima: «Podemos questionar a forma como os estudos são feitos. Podemos concordar mais ou menos com as suas conclusões. Podemos argumentar que o determinismo, neste caso, como noutros, é uma teoria pouco fiável. Mas há factos para os quais a terminologia nem sequer conta muito.»
Teresa Ribeiro: «Tal como o meu primeiro gato, também é filho de sem-abrigo. Mas ao contrário do outro, que foi alimentado a seringa, este teve a sorte de ser amamentado por uma gata até ao momento em que o adoptei, quase com três meses. Pode falar-se de personalidade quando se fala de bichos? Tecnicamente não, mas vou falar. O primeiro era muito tímido, inseguro, dócil, assustadiço. Este é uma pestinha cheia de si. Será que o Freud também explica isto?»
Eu: «A principal causa da falência do Público [diário espanhol] foi a excessiva colagem do jornal ao Governo socialista, impiedosamente castigado nas urnas pelos eleitores espanhóis a 20 de Novembro. Desde o início, a concorrência chamava-lhe “o diário de Zapatero” – e com razão. Este é um pecado mortal num jornal generalista: a excessiva colagem a uma facção política torna-os irrelevantes. As suas colunas servem apenas para pregar aos convertidos. A outra razão para o fracasso deste título – de tal forma conotado com o socialismo espanhol que acompanhou José Luis Rodríguez Zapatero na sua queda – foi a ausência de grandes investigações. É outro pecado mortal, que em parte se liga com o primeiro: um jornal demasiado comprometido com o poder político tende a acomodar-se de tal forma que prefere ver as notícias incómodas publicadas na concorrência.»
