DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Adolfo Mesquita Nunes: «Quem espera, desespera ou sempre alcança?»

 

Ana Vidal: «Para um souflé de ego instantâneo e apetitoso, aqui fica uma receita simples: almoce num restaurante conhecido com uma figura pública do sexo oposto, de preferência bem parecida. Junte um bom vinho, uma pitada de conversa pouco audível, sorrisos qb e uma cumplicidade evidente. Misture bem todos os ingredientes. De súbito, você terá a inveja de metade da humanidade presente e um renovado interesse por parte da outra metade. A receita é garantida, não há como sair mal. Mas atenção: como todos os souflés, é frágil e tem uma duração limitada. Quando você chegar a casa será a mesma pessoa de sempre.»

 

Ivone Mendes da Silva: «A mágoa é um um touro desembolado e quem está habituado a ser o forcado da cara já sabe que só olhando a dor nos olhos é que a encaminhamos para a desejável entropia. Ou reduzindo-a ao dizível, que é também uma forma de lhe tirar a força.»

 

João Carvalho: «Espera-se que o PCP, através do enquistado Avante! e das não menos enquistadas mentes e mãos que o concebem e editam venham reconfirmar as razões de Assad e o apoio que os comunistas portugueses desavergonhadamente lhe dispensam.»

 

Luís Menezes Leitão: «A campanha de Marcelo Rebelo de Sousa à Presidência de República vai de vento em popa. Como todos os votos contam, porque não ir tentar pescar até no eleitorado do Bloco de Esquerda? Perante isto, como pode Durão Barroso responder? Aparecer numa sessão do MRPP, a recordar os seus gloriosos tempos de luta popular? Isto está a ficar cada vez mais engraçado.»

 

Patrícia Reis: «Só há estas e são para mim. Lembro-me de repetir este anúncio, com o meu irmão, e de termos ficado indignados quando nos foi dito – pelos adultos, claro – que as mesmas tinham sido retiradas do mercado por fazerem mal. Uma coisa que o Pai Natal trazia fazia mal? Estava tudo louco. Na verdade, continua tudo louco.»

 

Rui Rocha: «Huxley entrou no seu velho Austen. Qualquer movimento tornara-se muito doloroso. Agora já sabia a causa de tanto desconforto. Onde te dói, perguntara-lhe o médico, bom amigo dos tempos de infância. Aquino dedo grande, respondera-lhe a medo. O diagnóstico veio sem piedade: Thomas, man, tens GoetheÉ graveLembras-te de quando jogávamos futebol tardes inteirasClaroPois bemisso era DanteAgora, acabou-seE temos de controlar o ácido úrico. Nada de mariscos, entendido? Voltas cá daqui a 6 meses para ver como estão as coisas. Está bem, hei-de Voltaire. Com todo o cuidado, pôs o automóvel em andamento. No rádio, Rui Smallkingdom ensaiava o falsete: Dumas, são como divãs, biombos indiscretos… Vieram-lhe à memória as longas tardes de Verão da juventude e comoveu-se.»

 

Teresa Ribeiro: «Tinha coragem física, intelectual e uma auto-confiança inabalável. Além disso era uma pessoa íntegra, de uma só palavra. Sabia-se por todos estes motivos respeitado e quando tomava consciência destas suas qualidades sentia-se enamorado de si mesmo. Era um homem. Primeiro entre iguais, mas também, não por acaso, muito apreciado pelo belo sexo. Ah, as mulheres. Com essas era um fraco. Num piscar de olhos minavam-lhe a integridade, a moral, a decência.»

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