DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Ana Vidal: «Da minha língua vê-se as consoantes mudas, os hífenes e os acentos. Porque da minha língua se vê o mar.»

 

Bandeira: «A Cioran, o homem que elevou o pessimismo à categoria de arte, perguntaram certa vez por que razão, se a vida lhe era assim tão insuportável, não acabava com ela de uma vez por todas; ele respondeu, com o habitual pessimismo, que “do outro lado” era capaz de ser ainda pior.»

 

Ivone Mendes da Silva: «É Eleonora recém-chegada e tudo nela prenuncia o outro retrato em que a segurança da senhora de Florença atingiu a sua plenitude. O vestido é de um encarnado belíssimo, bordado a bouclé de ouro, e no encaixe dos ombros dispõem-se geometricamente pérolas que Eleonora também usava nos brincos, na rede que prendia o cabelo. Bronzino gostava de pintar as mãos à altura do peito: as mãos esguias com anéis pesados, até parecem ali estar casualmente, quando nada é casual nestes retratos.»

 

João Carvalho: «É raro um transporte levar gente mais à frente do que o motorista…»

 

José António Abreu: «O Sr. Marques encontra-se agora sentado na zona dos restaurantes, cansado de tanto raciocínio – mas não de observar as pessoas. Numa mesa próxima, uma pessoa do sexo feminino com cerca de vinte e cinco anos de idade troca mensagens no telemóvel. Veste uma blusa fina e decotada e um soutien que deve ser de um número abaixo do adequado porque lhe deixa um mamilo quase inteiramente à vista. O Sr. Marques olha e pondera se deve tentar não olhar. Procura também imaginar a reacção dela se, simpaticamente, a avisar do descuido. Está absorto a elaborar uma lista mental de prós e contras quando uma segunda mulher chega junto da primeira, se inclina para a beijar e, enquanto se senta, diz: “Tens a mama à mostra.” A outra encolhe os ombros. “Ora, sempre alegra a vida a alguns coitados.”»

 

Patrícia Reis: «Eduardo Prado Coelho faz anos hoje. Já cá não está e faz falta. A homenagem faz-se hoje, a partir das 14h30, na Casa Fernando Pessoa, numa maratona de leitura de vários textos da sua autoria. Para matar saudades.»

 

Teresa Ribeiro: «A frota pesqueira portuguesa só captura cerca de 1/4 do peixe que consumimos, o resto tem de ser importado para não se exceder a quota que a UE nos impingiu, lembra um relatório hoje divulgado nos jornais. Os donos da UE, sempre tão lestos a apontar os nossos vícios de governação, esquecem, como é óbvio, as responsabilidades que também tiveram no desconcerto da nossa economia, obrigando-nos a desmantelar boa parte da nossa frota e a abrir mão do nosso pescado, um dos melhores do mundo e uma das nossas grandes riquezas.»

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