DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Fernando Sousa: «“A coragem que se atreve sem reconhecimento, sem a atenção dos media, é uma coragem que nos dá humildade e inspira e reforça a nossa fé na humanidade”, escreveu uma vez Aung San Suu Kyi [Cartas da Birmânia]. Quarenta de 45 lugares postos a concurso podem não parecer muito, atendendo aos mais de mil que a junta militar birmanesa controla nas duas câmaras do Parlamento. Mas para quem soube esperar é uma tremenda vitória da paciência sobre a cólera. Esta mulher extraordinária é uma imensa e inspiradora lição de vida.»

 

Helena Sacadura Cabral: «Algo esquisito se está a passar. O meu Mac, de repente, passou a sublinhar a vermelho o que escrevo. Ou seja, adoptou sem meu consentimento, e sem que eu tenha tomado alguma iniciativa nesse sentido, o novo Acordo. Não estou a brincar e gostaria de saber como tal foi possível ou se isto já aconteceu a outros. Eu sou contra o (Des)Acordo e considero este tipo de actuação inadmissível.»

 

José António Abreu: «De forma geral, concorde-se ou não com as suas ideias e prioridades, os opositores ao Acordo preocupam-se com a língua portuguesa. Obrigá-los a usá-la numa forma que os agride é convidá-los a desinteressarem-se de tudo o resto

 

Teresa Ribeiro: «Ler O Pintor de Batalhas é um exercício de humildade, mas também uma importante reflexão sobre a cobertura mediática da guerra e o desempenho que nela têm os repórteres. Muito cru, o autor fala-nos do que sabe usando as palavras como um zoom, abrindo e fechando planos sobre as batalhas que testemunhou e todas as outras, porque afinal todas as guerras são a mesma guerra. No fim, como bónus, tira-nos o retrato. Um retrato impiedoso como o são todos os retratos de guerra.»

 

Eu: «Millôr, o homem que a sorrir nos fazia pensar. O homem que nos ensinou que “viver é desenhar sem borracha”. O homem que parecia eternamente jovem deixou-nos há dias, aos 88 anos. Despeço-me dele quase como de uma pessoa de família: há 40 anos que o lia – sempre com gosto, sempre com prazer, sempre com proveito. Procuro um obituário digno desse nome na imprensa portuguesa e quase nada encontro – a excepção, nesta busca não exaustiva, é um bom texto de Isabel Coutinho no Público. Quase tudo o resto é prosa seca e árida e estéril, misto de agência e wikipédia, corta-e-cola, repetindo os mesmos factos, os mesmos dados. Sem emoção, sem brilho, sem colorido, sem sombra de graça.»

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