DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Ana Vidal: «Ir a Espanha por estes dias é quase como não sair da terrinha. Nos cafés, nas televisões, nos jornais, nas casas particulares, as conversas são exactamente as mesmas de cá: a crise, o drama do desemprego (lá é bastante mais elevado ainda), as consequências das medidas de austeridade extrema no estrangulamento da economia, a degradação do ensino e da saúde por causa dessa mesma austeridade, o despesismo e as ilusões dos governos socialistas que levaram ao descalabro, a insensibilidade social dos governos de direita, o aumento da insegurança nas ruas, a emigração a crescer, a esperança nas exportações, a caminhada a passos largos para um pedido de resgate à Europa (por uma vez chegámos primeiro, yupi), a perda de democracia, etc. etc. etc.»

 

André Couto: «Em que ponto estaria Portugal sem os progressos conquistados pela indignação e pelo desejo de mudança, cujas concretizações a História de Portugal narra?»

 

Helena Sacadura Cabral: «Quanto mais leio, quanto mais investigo, quanto mais avanço, mais gosto de ser lusitana, de ser mulher, de ter a sorte de viver aqui.»

 

José António Abreu: «Devia ser fácil esconder as opiniões quando tão pouca gente está interessada nelas.»

 

Rui Rocha: «O Kirchnerismo defronta-se com a perspectiva de implosão do modelo económico que promoveu. A Argentina tem assegurado uma posição sólida na primeira metade da tabela dos estados com risco mais elevado de bancarrota. Kirchner sabe que o caminho escolhido é insustentável. Confronta-se assim com uma escolha: ou altera a política, ou fecha os olhos e acelera. Kirchner é política. E um político só obedece a duas leis: a da lógica de curto prazo e a da escalada de compromisso (tendência para insistir em soluções que sabemos inviáveis só porque as defendemos em determinado momento). Kirchner atirou-se de cabeça.»

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