DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Helena Ferro de Gouveia: «A actual crise na Guiné-Bissau tem sido melhor explicada – isto é, tem-se ido além da publicação dos comunicados do Comando Militar ou das declarações da União Africana e da CEDEAO – na imprensa alemã do que na portuguesa. Claro que para compreender a desagregação do estado guineense e as causas estruturais profundas da instabilidade é preciso recuar até Luís Cabral, cruzar tribalismo e etnicidade com tiques autoritários herdados do colonialismo português, e para isso são precisos muitos parágrafos (e toda uma bagagem histórica e sociológica, mas isso é outro tema).»

 

José António Abreu: «Vivam as boas intenções. E por aí fora, da educação aos “estímulos” à economia. Nota final: que uma das leis em causa seja a Constituição só torna praticamente impossível efectuar correcções de trajecto.»

 

José Navarro de Andrade: «Não se iludam, o diabo está nas pequenas coisas, é por isso que elas são importantes. Em resumo e em português suave: o Malomil é divertido. Por cima disso é culto e leve, uma solução geralmente inquinada, mas neste caso saborosa.»

 

Patrícia Reis: «Tudo se resume à imagem da criança. Não é uma qualquer. Consegue descrevê-la, apenas para si, em silêncio. Será um bebé a dormir com as asas dos sonhos, com a calma do desconhecido, no conforto dos braços dela. E esta imagem, a criança de olhos fechados, ao colo, não tem sexo, é apenas um consolo, um prolongamento de vida. Sabe que não pode explicar nada disso, esses pensamentos que assaltam, que a invadem sem deixar espaço para qualquer outra coisa são, ao mesmo tempo, um inimigo. A mente enche-se com a ideia e a ideia impede-a de viver o resto. O resto a vidinha, as decisões, as maleitas.»

 

Rui Rocha: «Numa eleição, a insuficiência de argumentos pode ser suprida pelo carisma dos candidatos. Mas nesta eleição defrontam-se Sarkozy e Hollande. Não têm ponta de carisma por onde um eleitor lhes possa pegar. Sarkozy tem defeitos. Hollande não tem qualidades. Sarkozy não agrada. Hollande não convence. Sarkozy não cumpriu as promessas que fez. Hollande faz promessas que não pode cumprir. Perante isto, Hollande vai vencer. As eleições ganham-se ao centro. Para sobreviver na 1.ª volta, Sarkozy andou em ziguezague, mas encostado à direita. Em nome dos fins, perdeu o meio. Não o vai recuperar.»

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