DELITO há dez anos


Pedro Correia,

21523202_SMAuI.jpeg

 

Helena Sacadura Cabral: «Hoje houve eleições em dois países europeus. Um, a Grécia, mergulhado numa crise como não há memória, deu ao partido socialista uma derrota da qual vai ser difícil sair. O outro, a França, a caminhar para uma crise cujos contornos são ainda pouco claros, deu ao socialista François Hollande o seu voto para que ele ponha em prática as sessenta medidas com que se comprometeu.»

 

José António Abreu: «As declarações de Passos Coelho sobre o desemprego foram infelizes, sim senhor. A crise é real e há milhares de pessoas sem perspectiva. Mas teriam sido mal recebidas ainda que as circunstâncias fossem outras, menos graves. Os portugueses são hiper-sensíveis a opiniões claras e desagradáveis. Como, há uns tempos, nos ofenderam as palavras de uma actriz brasileira. Como, durante anos, reagimos mal aos alertas de gente sem jeito nem paciência para disfarçar opiniões: Medina Carreira e Manuela Ferreira Leite, por exemplo. Estamos habituados a escutar em silêncio e a preferir uma promessa que suspeitamos vazia a um aviso sincero.»

 

José Maria Gui Pimentel: «A política de comunicação do governo é, de facto, fraquíssima. Já as célebres afirmações da “pieguice” seriam mais compreensíveis se devidamente contextualizadas.»

 

Luís Menezes Leitão: «Passos Coelho está tão disciplinado à ortodoxia germânica que até declara publicamente que Portugal é contra os eurobonds, os quais, apesar de inaceitáveis para a Alemanha, nos seriam altamente favoráveis. E para que não tenhamos sequer ilusões sobre a actual realidade em que estamos, Passos Coelho mandou até abolir o feriado que comemora a independência de Portugal.»

 

Luís M. Jorge: «A questão não é a de sabermos o que os desempregados podem fazer por si, mas antes o que deve o primeiro-ministro fazer por eles. Para quem ouve Passos Coelho é sempre fácil esquecer que o país lhe confiou um trabalho, não a mesa de um café.»

 

Patrícia Reis: «Passos Coelho decidiu ir, com um séquito desnecessário, ao último dia de feira do livro de Lisboa. Além dos manifestantes que o assobiaram e apelidaram de ladrão, dos polícias com cara de mau, não lhe vi um livro na mão. António Lobo Antunes demorou-se a sair da sua mesa para cumprimentar o senhor. Afinal, estava a trabalhar, a receber os seus leitores. Foi uma sorte, com tantas televisões e outros órgãos de comunicação social por perto, não ter dito nada de bombástico.»

 

Eu: «Lentamente, a política regressa à Europa. A política que põe teses em confronto e rejeita todo o pensamento unidimensional. A política que fomenta e sedimenta alternativas, recusando rotas “inevitáveis” traçadas de antemão. Devemos congratular-nos. Este é o cerne da democracia.»

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *