DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Helena Sacadura Cabral: «Devo confessar que gosto de futebol. Particularmente nos estádios. Grito, esbracejo, comento como qualquer português(a) que goste de bola. Numa palavra, fico nervosa e também sou opinativa. Porém, só debito entre amigos, o que, claro, é uma vantagem.»

 

Ivone Mendes da Silva: «Ouço falar sobre o crime de Évora e estranho a estranheza que dizem sentir. A civilização altera as circunstâncias do Homem, não a sua natureza que, de Ésquilo a Shakespeare, uma vez pisado o tapete vermelho da hýbris, não tem outro destino senão o abismo. Doem-nos as vítimas como nos doeu o choro de Ifigénia, imolada aos ventos benéficos do porto de Áulide, mas demoramos a aprender que da ordem ao caos vai um passo mínimo. Por isso, estranhamos e continuamos incautos. Estranhamos, até, a dureza dos avisos.»

 

José António Abreu: «Esperava um local maior. Espera-se sempre um local maior ou, pelo menos, diferente. Da mesma forma que Praga é demasiado bela, demasiado ampla e, acima de tudo, demasiado luminosa para ser a cidade de Joseph K., do Golem e das cabeças de líderes protestantes espetadas em estacas durante anos na Ponte Carlos, a cripta da Igreja Ortodoxa de S. Cirilo e S. Metódio é muito mais acanhada do que a leitura dos relatos me deixara antever. No entanto, apesar das flores e das velas e de algumas fotografias, não é menos impressionante por isso.»

 

Luís Menezes Leitão: «Pode dizer-se que os espanhóis têm a mania das grandezas. Enquanto os portugueses, nas palavras de Miguel Sousa Tavares, têm apenas uma troika composta por um careca, um alemão e um etíope, os espanhóis acham que vão ter os Men in Black em pessoa. Provavelmente devem achar que a situação de desastre em que a sua economia caiu só pode ser devida a uma invasão extraterrestre. E, sendo assim, apenas os Homens de Negro os poderão salvar.»

 

Eu: «O mundo comoveu-se com a história do menino de 11 anos que se fingiu de morto, esfregando-se com sangue do seu próprio irmão assassinado, para poder escapar com vida e contar aqueles momentos aterrorizantes que o assombrarão para sempre. “Eu estava apavorado. Todo o meu corpo tremia”, relatou o pequeno Ali, que viu a sua família mais próxima ser massacrada.»

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