
José Navarro de Andrade: «Os deuses romanos queriam bem à humanidade, intervindo amiúde no seu curso com benevolência e amparo. Em troca só pediam respeito, venerado com oferendas de sangue. Não eram como aquela identidade remota e inapelável dos cristãos, uma seita fremente e carrancuda, estranhamente influenciada pela superstição judaica. O deus deles só se exprimia através de catástrofes e castigos, assim patenteando o seu desprezo pelos homens.»
Luís Menezes Leitão: «Como é bom ser empresário em Portugal, especialmente na área das energias renováveis. Anunciamos um simples projecto para criar uma fábrica de painéis solares e logo o Estado nos auxilia, acarinhando o nosso projecto. Precisa de dinheiro? Não se preocupe. O Estado disponibiliza-lhe desde já 128 milhões de euros no âmbito do QREN. Faz-lhe falta um terreno para instalar a sua fábrica? Não se preocupe. A Câmara Municipal compra já o terreno por um milhão de euros e a seguir vende-lho a si por uns módicos 100.000 €. E ainda há gente que acusa Portugal de não estimular o empreendorismo. Que enorme falsidade!»
Rui Rocha: «Neste tema não há boas discussões. A única posição aceitável é a negação radical da pena de morte em qualquer circunstância, mesmo naqueles casos em que os crimes cometidos são tão hediondos que despertam em nós a vertigem de fazer Justiça com as nossas próprias mãos. A oposição à pena de morte não acrescenta nada à indignidade de quem comete certos crimes. Mas diz tudo sobre a dignidade da comunidade que se opõe à execução.»
Teresa Ribeiro: «Contemplar um quadro de Bosch é ver o que escondemos. Foi por isso que esse génio louco tanto me atraiu quando o descobri, mal saída da idade do armário. Ver uma reportagem sobre os horrores da guerra é sobrepor as imagens às do Inferno do pintor holandês e perceber que se ajustam. Ler um romance sobre um torcionário, como por exemplo, A Festa do Chibo, de Llosa, é trocar a grande angular pela teleobjectiva.»
