
José António Abreu: «No aniversário quase toda a gente separa aqueles que telefonaram daqueles que não o fizeram – ainda que tente convencer-se do contrário. Fica-se triste se pouca gente telefonar. Revela uma falha alheia mas, acima de tudo, uma falha própria: fomos incapazes de nos tornarmos suficientemente importantes na vida das outras pessoas para que elas se tenham lembrado e/ou dado ao trabalho de ligar. No fundo, parecemos criar as datas para garantir momentos de alegria mas procurar com avidez formas de as transformar em mergulhos na tristeza; não conseguir viver sem estabelecer regras que nos manietem e ser especialistas em transformar prazeres em obrigações.»
José Navarro de Andrade: «Deu-me para ler o famigerado parecer do inefável Conselho Nacional para a Ética e para as Ciências da Vida (CNECV) que tanta celeuma provocou. É um documento exemplar do estado pouco menos que miserável de alguma intelligentzia portuguesa, de índole conservadora.»
Luís Menezes Leitão: «Há uma coisa que define Vítor Gaspar: a sua incapacidade absoluta para reduzir a despesa do Estado e equilibrar as contas públicas. Todos os portugueses esperavam deste Ministro a apresentação, logo no início do seu mandato, de um programa ambicioso de reforma do Estado e redução dos organismos inúteis. Vítor Gaspar limitou-se a anunciar um imposto extraordinário, a cobrar logo em 2011, e a meter no Estado mais um fundo de pensões.»
Rui Rocha: «A alteração da TSU apresentada por Passos Coelho no dia do concerto do Paulo de Carvalho tinha como consequência um aumento da contribuição suportada pelos trabalhadores e a sua transferência, quase integral, para os empregadores. Para o Estado sobrariam, com essa operação, cerca de 500 milhões de euros. Embora não existam dados concretos, o brutal aumento de impostos hoje apresentado por Vìtor Gaspar deve representar uma arrecadação muito superior a essa importância, pelo que só em parte pode aceitar-se que as medidas de hoje substituem as que Passos anunciou. Ora, isto significa que em 7 de Setembro o governo preparava não só uma descida do rendimento de trabalho correspondente aos 7% do agravamento da TSU, como também um aumento significativo de impostos.»
Teresa Ribeiro: «Oiço com frequência o argumento de que não adianta taxar os ricos porque no seu conjunto constituem uma percentagem pouco significativa da população, logo o que se ganharia com a colecta seria irrisório. Pergunto-me por que essa mesma lógica matemática não se pode aplicar às pessoas com deficiência.»
Eu: «A História escreve-se muitas vezes segundo o relato dos seus protagonistas – e neste caso não restam dúvidas. Sobre quem chamou e quem induziu a chamar, em voz bem alta.»
