
Gui Abreu de Lima: «a chuva ainda o chamou de onde andava. estranhou a recusa à tempestade e o rol de frases descabidas: “pode lá perder-se o vento!”. o vento que desde ontem empurrava e tudo estonteava na batida, mentia. fintava a noite, quando viu o azul e a rua em alvorada. beijando o céu por entre as casas, amainou no beco a ventania.»
Laura Ramos: «Cresci, literalmente, a ver crescer a esquerda monopolista. Eles tomavam conta dos nossos plenários, impunham a sua vontade com recurso a métodos anti-democráticos e, depois de tomado o poder, eram tão conservadores, ou mais, do que aqueles que tinham apeado. Sofri na pele essa ditadura de opinião. E sofri no terreno sempre que dei voz, com outros, à não resignação, quando era preciso coragem (incluindo a coragem física) para bater o pé e destapar as carecas aos novos totalitaristas da verdade.»
Eu: «– Esta fogueira é um símbolo porque nós queríamos era queimar a Merkel viva. Portanto a fogueira faz sentido. Nós queríamos era queimá-la viva!»
