Gordon Brown perdeu estrondosamente as eleições no Reino Unido. É um sério sinal vermelho dos britânicos ao poder trabalhista, imensamente desgastado. A crise económica, com resultados desastrosos nas ilhas britânicas, já traçou o destino do herdeiro de Tony Blair, que viu o seu partido relegado para a terceira posição, 12 pontos percentuais atrás dos conservadores de David Cameron e – suprema humilhação – abaixo do partido eurocéptico UKIP. O orgulhoso Labour que tantas vitórias coleccionou na última década e meia vale hoje só 15,3% no Reino Unido.
Fico a olhar as imagens de Brown, precocemente envelhecido, com uma desolação imensa estampada no rosto, mas ainda assim agarrado ao umbral da porta do número 10 de Downing Street. Sempre me impressionou a falta de lucidez dos políticos que, como certos cantores decadentes, teimam em arrastar-se no palco, incapazes de perceber que o seu tempo passou de vez.


“Sempre me impressionou a falta de lucidez dos políticos que, como certos cantores decadentes, teimam em arrastar-se no palco, incapazes de perceber que o seu tempo passou de vez” – gosto do paralelo que fazes. Tenho pensado muitas vezes exactamente nesses termos.
É, Teresa. O problema é que as gerações passam e esta característica dos ‘líderes’ vai-se mantendo, nas mais diversas latitudes, como se não aprendessem nada com as lições da história.
Temos por cá alguns bons exemplos. Um deles é gritante. E mais não digo 🙂
Hum. Acho que sei quem é.
“A crise económica, com resultados desastrosos nas ilhas britânicas”
Os resultados nas ilhas britânicas não são particularmente desastrosos. O PIB do Reino Unido caiu qualquer coisa como 1,5 a 2 % no primeiro trimenstre de 2009, comparado com 3,5 % em Portugal e valores bem mais altos noutros países, em particular no Japão. A crise económica nas ilhas britânicas é bem mais suave do que cá.
É interessante que Pedro Correia denuncie a crise económica como principal responsável pelos resultados de Brown no Reino Unido, mas que em Portugal prefira em vez de culpar a crise económica pelos resultados de Sócrates, atirar as culpas para cima da ministra da educação. Por que será que Pedro Correia não usa em Portugal – onde a crise está de facto a ser bem mais severa que no Reino Unido – a mesma explicação que usa alhures?
Meu caro, anda distraído. Fartei-me já de falar na crise económica aqui.
A título de exemplo: delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/479116.htm l
(4 de Maio de 2009)
“Há quem pretenda aproveitar a campanha para ‘discutir a Europa’. Inútil iludir a realidade política com rodeios semânticos: ‘discutir a Europa’ neste momento concreto é, fundamentalmente, debater as causas e consequências do desemprego. Quem não percebe isto não percebe nada.”
Quanto à ministra da Educação e às suas políticas desastrosas que aliás lhe apressarão o fim político (como veremos), basta lembrarmos uma frase imortal da senhora, proferida em Junho de 2006: ““Admito que perdi os professores, mas ganhei a opinião pública” Tinha razão na primeira metade da frase. Na segunda, comprovou-se agora, estava redondamente enganada.