Derrotados (19)


Patrícia Reis,

MAIORIA ABSOLUTA

 

José Sócrates confundiu mandato para governar com permissão para o autoritarismo.

 

Asfixiou o debate interno no partido.

Divorciou-se da ala esquerda protagonizada por Manuel Alegre.

Permitiu que figuras como Augusto Santos Silva e Vital Moreira rompessem pontes de diálogo com os partidos à esquerda, procurando por todos os meios desqualificar os adversários políticos.

Rasgou promessas eleitorais, como a do referendo europeu e a da garantia de que não subiria os impostos.

Transformou cada sessão parlamentar, mês após mês, num ajuste de contas com os seus antecessores no Governo.

Elaborou, em Setembro de 2008, o orçamento para este ano sem fazer a mínima ideia da profundidade da crise económica.

Cometeu o erro supremo de hostilizar o Presidente da República em questões como o estatuto dos Açores.

Confundiu o acto de governar com acções de propaganda em sessões contínuas.

Permaneceu indiferente aos sinais de profundo desagrado que lhe chegavam dos mais diversos sectores da sociedade portuguesa.

Esqueceu-se, enfim, que a política é a arte do possível.

 

Tudo devido à maioria absoluta de que dispôs no Parlamento. Não a repetirá.

 

Imagem: interior do Palácio de Versalhes

12 comentários em “Derrotados (19)”

  1. Caro Pedro!
    Absolutamente de acordo!
    No passado domingo, Sócrates terá começado a descer ao país real.
    Dá-me a ideia que, ou o desconhecia ou fazia de conta que conhecia apenas o que lhe interessava.
    É caso para dizer, a realidade é f….da!

    Cumprimentos.

  2. Caro Pedro,
    Não posso estar mais de acordo com tudo o que diz e só acho que o seu comentário só pode pecar por defeito. Efectivamente, Sócrates fartou-se de ser arrogante, autoritário e prepotente.

    Muito a propósito, também, a imagem do palácio do Rei-sol, o qual, como este nosso “reizinho”, proclamava «L’ Etat c’est Moi», com a diferença de que, então, ainda não havia eleições…Estou certo, também, de que não irá ganhar as legislativas, nem sequer com maioria relativa.

    Porém, não tenhamos ilusões: com o PSD no governo e, especialmente, com MFL como PM, também nada de bom se prenuncia e vamos ter mais do mesmo, (se não pior). Será, por isso, bom que os Portugueses comecem a pensar e a reforçar as alternativas que já mostraram conhecer nas europeias.

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