Desaforismos, 1


Ana Cláudia Vicente,

[José Malhoa Columbano Bordalo Pinheiro, Grupo do Leão, in Vidas Lusófonas]

 

Hoje talvez menos, que a cultura de conversa já teve melhores dias, mas penso que podemos ainda considerar-nos um daqueles países pródigos em ditos, rifões, adágios e provérbios. E para nosso incómodo ou gargalhada, certo é que temos máximas que concentram mais conhecimento sobre as virtudes e defeitos nacionais do que muitos tratados. O que vos proponho é que troquemos umas ideias sobre o assunto: quais os aforismos que mais denunciam as nossas, digamos, fraquezas?

 

Partilho desde já aquele que mais me arrepanha o espírito:

 

– Ou há moralidade ou comem todos.

 

 

E declaro aberto o – como é que se diz em burocratês? – procedimento concursal.

48 comentários em “Desaforismos, 1”

    1. Ora, é para já, aqui vão uns actualíssimos para o momento político português, eheh…
      « Quem cabritos vende e cabras não tem, d’ algures lhe vem»
      «Ladrão que não é apanhado passa por homem honrado»
      «Juntou-se a fome com a vontade de comer»
      « Tapar o sol com a peneira»
      «A mentira tem perna curta»

      «Muita parra e pouca uva»
      «Quem muito fala, pouco acerta»

      « Quem com ferro mata, com ferro morre»
      🙂
      Assim seja.

  1. procedimentos concursais são mesmo a minha especialidade Ana. até fiz uma tese de mestrado sobre o contencioso relacionado com os ditos 🙂

    aqui deixo uma deliciosa que várias vezes ouvi da minha bisavó, sempre que, fugindo à oposição da minha avó, se enchia de doces: “perdoo o mal que me faz, pelo bem que me sabe”.

  2. Penso que este que apresento a seguir define muito bem certas pessoas que por aí andam…

    “Não peças a quem pediu, nem sirvas a quem serviu.”

  3. E este também define bem o que vai neste país (nas duas versões, aliás):

    1 – “Nem tudo o que luz é oiro”

    2 – “Nem tudo o que é oiro, luz” (esta adaptação do original é da autoria de Fernando Pessoa, para quem não sabia)

  4. Quando a esmola é grande, o pobre desconfia

    Quem cabritos vende e cabras não tem, de algures lhe vem

    Que bem prega Frei Tomás, façamos o que ele diz e não o que ele faz

  5. quem tem unhas toca guitarra

    quem más manhas há, tarde ou nunca as perderá

    quem tem calos não se mete em apertos

    quem tem capa sempre escapa

    zomba o vesgo do zarolho

    quem tem padrinho não morre pagão

    ralham as comadres, descobrem-se as verdades

  6. estes são mesmo muito maus mas, tipicamente, “nossos”;))

    “Há males que vêm por bem”

    “Com a desgraça do outro posso eu bem”

  7. Olho por olho, dente prudente

    Quem sai aos seus não regenera

    :)))))))))))

    [ Não quero estragar o espírito e o corpo do post, mas cheguei tão tarde que… tive de recorrer ao material próprio]

  8. Afinal voltei para deixar aqui um daqueles ditados que, em meu entender, reflecte muito o que temos de pior no que toca a condescendência, fatalismo, falta de rigor, relativização excessiva…

    “Atrás de mim virá quem de mim bom fará”

    :))

  9. Grata a todos, declarando encerradas as candidaturas com remate de uma última contribuição (imorredoiramente citada por Valentim Loureiro em entrevista ao ‘Expresso’, aqui há uns anos): “quem não tem jeito para o negócio, não se estabelece”.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *