
[José Malhoa Columbano Bordalo Pinheiro, Grupo do Leão, in Vidas Lusófonas]
Hoje talvez menos, que a cultura de conversa já teve melhores dias, mas penso que podemos ainda considerar-nos um daqueles países pródigos em ditos, rifões, adágios e provérbios. E para nosso incómodo ou gargalhada, certo é que temos máximas que concentram mais conhecimento sobre as virtudes e defeitos nacionais do que muitos tratados. O que vos proponho é que troquemos umas ideias sobre o assunto: quais os aforismos que mais denunciam as nossas, digamos, fraquezas?
Partilho desde já aquele que mais me arrepanha o espírito:
– Ou há moralidade ou comem todos.
E declaro aberto o – como é que se diz em burocratês? – procedimento concursal.

“Quem parte, reparte e não fica com a melhor parte, ou é tolo ou não tem arte”.
Acho que caracteriza um país de artistas…
“Quando o mar bate na rocha quem se lixa é o mexilhão”
Ora, é para já, aqui vão uns actualíssimos para o momento político português, eheh…
« Quem cabritos vende e cabras não tem, d’ algures lhe vem»
«Ladrão que não é apanhado passa por homem honrado»
«Juntou-se a fome com a vontade de comer»
« Tapar o sol com a peneira»
«A mentira tem perna curta»
…
«Muita parra e pouca uva»
«Quem muito fala, pouco acerta»
…
« Quem com ferro mata, com ferro morre»
🙂
Assim seja.
“Em tempo de Figos, não há amigos” .. e não fui eu que pus com letra maiuscula ;)))
A galinha da vizinha é melhor que a minha
(este é o meu primeiro contributo, hei-de voltar)
Um por todos, todos peru.
Divagar se vai ao longe.
“Ao menino e ao borracho põe Deus a mão por baixo”
Assim de repente …Cada cavadela uma minhoca… ;))
Com a verdade me enganas…
Não vá o diabo tecê-las…
O seguro morreu de velho…
se queres conhecer o vilão mete-lhe a vara na mão
Fia-te na Virgem e não corras…
A ocasião faz o ladrão
Quem espera sempre alcança..
Muita parra pouca uva.
Este é péssimo mas bem português, sobretudo quando era barato;))
“Para quem é bacalhau basta”
procedimentos concursais são mesmo a minha especialidade Ana. até fiz uma tese de mestrado sobre o contencioso relacionado com os ditos 🙂
aqui deixo uma deliciosa que várias vezes ouvi da minha bisavó, sempre que, fugindo à oposição da minha avó, se enchia de doces: “perdoo o mal que me faz, pelo bem que me sabe”.
Só uma pequena correcção. O quadro é do Columbano e não do José Malhoa.
JR
– Antes faça mal que cresça (que sobre) – diz um amigo meu , um apreciador de boa comida…
Penso que este que apresento a seguir define muito bem certas pessoas que por aí andam…
“Não peças a quem pediu, nem sirvas a quem serviu.”
E este também define bem o que vai neste país (nas duas versões, aliás):
1 – “Nem tudo o que luz é oiro”
2 – “Nem tudo o que é oiro, luz” (esta adaptação do original é da autoria de Fernando Pessoa, para quem não sabia)
“Uma mão lava a outra e juntas lavam a cara”
Quando a esmola é grande, o pobre desconfia
Quem cabritos vende e cabras não tem, de algures lhe vem
Que bem prega Frei Tomás, façamos o que ele diz e não o que ele faz
Obrigada pela indicação do erro, José Ricardo Costa, já está corrigido!
O que torto nasce, tarde ou nunca vai ao endireita…
Meus caros, acho que abrimos a caixa, quero dizer, o cesto de vime, de Pandora. Isto vai ser renhido.
Quem feio ama bonito lhe parece
Depois de mim virá quem de mim bom fará.
quem tem unhas toca guitarra
quem más manhas há, tarde ou nunca as perderá
quem tem calos não se mete em apertos
quem tem capa sempre escapa
zomba o vesgo do zarolho
quem tem padrinho não morre pagão
ralham as comadres, descobrem-se as verdades
Diz o roto ao nu…
Junta-se a fome à vontante de comer;))
Uma desgraça nunca vem só.
Deus dará.
Diz que deu, diz que dá…
Todos (tudo ao molho) ao molhe e fé em Deus.
Quem não tem cão caça com gato.
ou, como dizia o meu avõ:
Não há papel higiénico, usa-se lixa nº 1.
E por aqui me fico.
Não há mal que sempre dure, nem bem que se não acabe.
Diz o roto ao nu, porque não te vestes tu?
estes são mesmo muito maus mas, tipicamente, “nossos”;))
“Há males que vêm por bem”
“Com a desgraça do outro posso eu bem”
Olho por olho, dente prudente
Quem sai aos seus não regenera
:)))))))))))
[ Não quero estragar o espírito e o corpo do post, mas cheguei tão tarde que… tive de recorrer ao material próprio]
;))
Afinal voltei para deixar aqui um daqueles ditados que, em meu entender, reflecte muito o que temos de pior no que toca a condescendência, fatalismo, falta de rigor, relativização excessiva…
“Atrás de mim virá quem de mim bom fará”
:))
Lembre-se do que pensará de si quem estiver à sua frente. Hehe…
Oh menino Jota Cê do Dê Ó, e se eu preferir olhar para quem se seguiu a mim?
eheheh
Saudades p’ rá 3ª
:)))
Obrigado. Saudades p’ra si e p’ra quem vier atrás de si.
Ou seja, logo para a 2ª. Certo?
E só espero que na 3ª não esteja um dia triste como por aqui…
:)))
Grata a todos, declarando encerradas as candidaturas com remate de uma última contribuição (imorredoiramente citada por Valentim Loureiro em entrevista ao ‘Expresso’, aqui há uns anos): “quem não tem jeito para o negócio, não se estabelece”.