No Telejornal, a notícia é sobre a neve em França. «Faz parte das regras» – explica a repórter da RTP. «Nas autoestradas não se pode parar, mas a regra foi hoje quebrada» por causa da neve, blá-blá-blá.
Não era preciso ir tão longe: por cá também não se pode parar, nem estacionar, nem circular a menos de 50 quilómetros por hora. E, no entanto, nas autoestradas de acesso a Lisboa e Porto há diariamente milhares de veículos parados…

correcção… 50 km/h é a velocidade mínima na autoestrada.
Obrigado, Sylvester. Já lá fui corrigir.
E nós até temos por cá uma variante engraçada, que não deve haver em França: os velhinhos que andam em sentido contrário nas autoestradas, a desafiar a sorte…
En garde, João! É a minha vez de lembrar-lhe que Portugal não é só Lisboa e Porto… haverá outras autoestradas cheias, acredito. Voilà! A vingança serve-se fria… e sobre rodas. 🙂
Não sei se concordo, Ana. Além dos acessos a Lisboa e Porto, nunca vi outras autoestradas entupidas diariamente. Hehehe…
Quanto aos velhinhos que circulam em sentido contrário, estou totalmente de acordo. Não só não obedecem ao mínimo de 50km/hora, como até circulam abaixo de 0km, isto é, em velocidade negativa!
Isso é porque não as usa… seu bairrista! 😉
Está boa, a da velocidade negativa dos velhinhos… que até seriam uma ternura, se não matassem tanta gente no passeio!
Se eu lhe dissesse o nome que tem a via rápida de cá acho que não ia acreditar. Só esse nome deu-me uma crónica escrita à queima-roupa para uma revista que me pediu em cima da hora algo sobre esta terra. Tente adivinhar.
Não faço ideia, João… diga lá. Nos Açores todas as vias deviam ser lentas, para apreciar devidamente a vista!
Transcrevo-lhe a parte final daquela crónica, Ana.
«(…) Há mais qualquer coisa. Os sentidos percebem o que se alcança, mas pressente-se algo mais que nos rodeia. A via rápida que contorna Ponta Delgada não tem qualquer designação fria e formal. Não se chama primeira ou segunda circular, nem via de cintura interna ou externa, tão-pouco eixo Norte-Sul ou Nascente-Poente. Nas placas avisadoras que a apontam, lê-se o nome que lhe dão: ‘envolvente’.
É poético, é carinhoso. É também um detalhe, é certo. Por isso, é ainda mais poético, mais carinhoso. Nunca podia ser simples via rápida: é ‘envolvente’. É assim, em São Miguel: há sempre mais qualquer coisa. É este afago constante que nos envolve…»
Um nome justíssimo, de facto: uma estrada que abraça… Tudo nos Açores é envolvente, raro, mágico. Agarra-nos para sempre, sem remédio.
Ora aí está!