Dia Internacional da Guerra


Pedro Correia,

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Assinalando a seu modo o Dia Internacional da Paz, Vladimir Putin apareceu ontem na televisão russa (em intervenção gravada na véspera) com o ar marcial de sempre. Falando no bunker do Kremlin, a milhares de quilómetros da frente de guerra terrorista que desencadeou. Assim é fácil ser “herói”.

Encurralado, anunciou a mobilização imediata de 300 mil reservistas prontos a arremeter contra a nação vizinha como carne para canhão.

Imitando Hitler, convocou plebiscitos com desfecho pré-anunciado em quatro regiões ucranianas numa tentativa desesperada de absorvê-las em poucos dias à margem do direito internacional.

Agindo como se a Rússia não fosse um dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, declara-se até disposto a iniciar uma guerra nuclear – em chocante violação da Carta das Nações Unidas – com a obsessão de eliminar a Ucrânia como Estado soberano. 

Asfixiados pela ditadura, os russos votam com os pés – fugindo em número cada vez maior para a Finlândia: ao fim da tarde de ontem já havia filas com mais de 35 quilómetros de carros rumo às fronteiras do país vizinho. Outros esgotaram os voos da Air Serbia com bilhete só de ida para Belgrado, escapando à mobilização. Enquanto as manifestações de rua contra a guerra estão a ser duramente reprimidas pela polícia de choque, registando-se largas centenas de detenções.

Com Putin, todos os dias do calendário são Dias Internacionais da Guerra.

 

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As quatro regiões da Ucrânia onde Putin quer organizar plebiscitos ilegais

15 comentários em “Dia Internacional da Guerra”

  1. Putin não se declarou disposto a iniciar uma guerra nuclear. Aquilo que ele disse foi
    (tradução para inglês retirada da Al Jazira em https://www.aljazeera.com/news/2022/9/21/russias-putin-orders-partial-mobilisation-what-did-he-say):

    “I would like to remind those who make such statements about Russia that our country also possesses various means of destruction, and in some cases, they are more modern than those of NATO countries. When the territorial integrity of our country is threatened, we, of course, will use all the means at our disposal to protect Russia and our people. This is not a bluff. And those who try to blackmail us with nuclear weapons should know that the weathervane can turn and point towards them.”

    Quando se escreve sobre estas coisas deve-se ter o cuidado de fazer citações a partir de fontes fiáveis, isto é, de países que estão neutrs neste conflito, em vez de fazer citações a partir de fontes em países não neutros.

    1. O ‘Guardian’ é fonte credível. Não preciso da Al-Jazeera. Nem de andar a traduzir do inglês o que já foi traduzido do árabe depois de ser traduzido do russo.
      Você confunde países com órgãos de informação. O que não admira, vindo dessa cabeça sempre tão baralhada.
      Uma vez mais, registo a sua posição como advogado de defesa do Putin. Em defesa do indefensável, portanto.

      1. O ‘Guardian’ é fonte credível.

        Talvez seja em geral, mas neste caso concreto, não foi. O Guardian disse que Putin afirmou algo que ele, de facto, não disse.

        Fonte credível era, isso sim a Russia Today, que eu li diariamente até há seis meses, até que a Ursula a mandou censurar. Privando os cidadãos europeus de uma fonte noticiosa que nunca dizia falsidades. Censura sob o manto da defesa das liberdades.

      2. Não sei se é baralhado, parece-me mais ser insidioso. O balio ainda não percebeu que há um lado bom e um lado mau no mundo — e que ele está do lado mau. Ele, os comunistas, os islamitas e outros que agora não vale a pena mencionar.

            1. O Putin comunista, abençoado pelo patriarca ortodoxo em nome da “civilização cristã”?
              Lenine daria mil voltas na tumba e as ossadas de Marx ainda chocalhavam no caixão.

            2. Entendo. Também por aqui, dizer mal, ou melhor, dizer o que os comunistas são, isso é que nunca.
              O respeitinho pela ‘autoridade moral’ é muito bonito!

  2. Lamento citar o óbvio mas não o vi abordado nos comentários. Os referendos, tendo por efeito incorporar esses territórios na Rússia, tornará qualquer ataque com apoio ocidental, ainda que apenas em informações por satélite, num “casus belli” contra a Rússia, justificando assim o recurso a armamento nuclear como consta no protocolo russo para o seu uso e tem sido repetido por outros além de Putín.
    Claro que isso seria um suicídio mas Hitler não foi o primeiro a suicidar-se face a uma derrota. E ele sabe bem que não sobreviverá a uma derrota na Ucrânia.

    1. Não faz qualquer sentido chamar “referendo” a isto. Em regiões que em grande parte estão sob controlo da Ucrânia, reconhecida sem discussão como Estado soberano pela comunidade internacional.
      É um plebiscito mal enjorcado que repete, para pior, a Anschluss [anexação] da Áustria pela Alemanha nazi, em 1938, à margem de todas as normas do Estado de direito e do império da lei.

      Hitler suicidou-se fazendo uso da liberdade individual.
      “Suicidar” um povo inteiro, através de armas nucleares, é algo muito diferente. E sujeito a rígidos protocolos de segurança, por mais demencial e tenebroso que seja o regime.
      Não irá suceder na Rússia: mais facilmente, muito mais facilmente, Putin cairá de “uma janela” ou de “uma varanda”, como agora é moda por lá.

      Mais perigoso é o regime norte-coreano, e muito menos sujeito a crivos e escrutínios. Mesmo assim, o tresloucado totalitarismo comunista munido de bomba nuclear pensa mil vezes antes de premir o botão. Sabendo, como sabe, que iria sucumbir quase em simultâneo.

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