
A campanha eleitoral terminou há mais de uma semana.
Feito o rescaldo das legislativas e das autárquicas e mencionadas as europeias em nota de rodapé, a especulação em volta do sucessor de MFL e a composição do novo governo preencherão os próximos dias. Alguns afiarão as facas e partirão à descoberta de casos que envolvam alguns dos nomeados. Depois especular-se-á sobre a posição dos diferentes partidos no debate sobre o orçamento, que decorrerá em Janeiro. MFL terá mais algumas tiradas dignas de registo no livro das nossas memórias No fim de Janeiro, o mais tardar, começarão a discutir-se os candidatos às presidenciais. Até final do ano os “opinion makers”, os politólogos e os colunistas com falta de assunto têm emprego garantido.
Após o rescaldo das eleições presidenciais, o tema da dissolução da AR voltará a concentrar as atenções até que se realize novo acto eleitoral (entre Setembro de 2011 e Outubro de 2013).
Entretanto, o mundo lá fora continua a girar, hão-de ocorrer alguns episódios de grande importância para o futuro da Humanidade. Os resultados do Ano Europeu da Luta Contra a Pobreza (2010) e o provável fracasso da Conferência de Copenhague sobre as alterações climáticas merecerão algumas referências breves, porque a comunicação social portuguesa continuará, como sempre, a pensar que isso não interessa às pessoas.
Os portugueses continuarão a olhar para o umbigo. Centrados em casos Freeport e outros que eventualmente surjam ou sejam fabricados. Continuarão a reclamar de tudo e de nada, enquanto o mundo pula e avança, indiferente às suas lamúrias.
Daqui a quatro anos – se o governo sobreviver até lá – Portugal estará na mesma. Haverá quem continue a defender que a culpa é toda dos políticos. Os políticos continuarão a não apresentar programas e os cidadãos, robotizados, voltarão a votar de acordo com a sua consciência. Ou seja, votarão na carinha mais laroca, ou no partido clubístico cuja cor seja mais do seu agrado, sem exigir aos candidatos que apresentem soluções para resolver os problemas do país. E assim continuará a correr a vida, doce e lerda, neste rectângulo à beira-mar plantado.

Vais acabar acusado de ‘negativista’, ó perigoso esquerdista delituoso!…
Deve ser o Outono que está a exercer a sua nfluência no meu astral, João
Já que é altura de negativismos. Deixo aqui os meus últimos 2 cêntimos em jeito de peditório de bitaites: aiores-horrores-da-3a-republica-2.html
Os 7 maiores horrores da 3a República (2) , em http://pensasmal.blogspot.com/2009/10/os-7-m
Obrigado pela dica. Já fui ler.
Assim é, assim será enquanto não acordarmos do estado de apatetamento que nos causa esta pirotecnia informativa que nos dão, com faits divers escaldantes que substituem as notícias de verdadeira importância. Culpa nossa, também, que somos preguiçosos e até gostamos de ser enganados.
Absolutamente de acordo, Ana