Divórcio da realidade


Patrícia Reis,

O Paulo Gorjão pôs aqui o dedo na ferida: nenhuma oposição credível se fará ao actual Governo sem eleger como prioridade absoluta o combate ao desemprego, preocupação suprema dos portugueses. Ao destacar o TGV como tema do debate parlamentar desta quarta-feira, o PSD só demonstrou que vive totalmente desfasado da realidade. Andasse Manuela Ferreira Leite mais bem aconselhada e alguém certamente lhe diria que nunca deve afastar a questão do desemprego do seu discurso político. Só assim desgasta Sócrates. É isso que comunistas e bloquistas vêm fazendo, aliás com notório proveito para ambos: as leis da concorrência voltam a demonstrar a sua eficácia, mesmo à esquerda da esquerda.

Há outros temas dignos de figurar na agenda da oposição? Claro que sim. O colapso das previsões macro-económicas e o péssimo desempenho de alguns ministros, por exemplo. Mas nenhum tão premente, tão concreto, tão imperativo como o desemprego. Espanta-me que políticos ditos profissionais estejam tão divorciados da realidade que não percebam isto.

11 comentários em “Divórcio da realidade”

  1. Teja calado, senhor, a oposição ao governo faz-se garantindo que não se aceitará nunca o dr. Jorge Miranda para Provedor de Justiça.

  2. Bem… não sei se a coisa será assim tão simples.

    As obras públicas, como tem sido repetido, não geram empregos permanentes. E depois os trabalhadores das obras são em grande percentagem imigrantes. E além disso alguém vai ter de as pagar. Ao contrário do que diz o ministro Jamé, elas não se pagam a si próprias, evidentemente, nem com engenharias financeiras.

    Por outro lado, o governo não elimina o desemprego, a não ser para os amigos.

    Pode é facilitar a vida às empresas.

    E pode é mexer-se, tornar o país atractivo, os impostos simples e compreensíveis, a justiça funcionando, etc.

    Isto para não falar na protecção social e na valorização dos desempregados, em que deve actuar com rapidez e evitando abusos e desperdícios (na formação profissional completamente desadequada e fraudulenta, por exemplo).

    Enfim a alhada em que estamos metidos não é pequena.

  3. Pedro:

    Mais uma análise correcta da sua parte.
    A “praga” do desemprego chegou em força, o que é triste é verificar que este governo, com medidas de ocasião, que não vão resolver os problemas de fundo apenas se preocupa com números e propaganda, ou seja para este regime “Socrático” a resposta a este flagelo faz-se com promessas da treta (estágios) e camuflagem da verdade.
    E se os “despedissimos”, sem direito a subsidio de desemprego, talvez aí entendessem que há Portugueses nessa situação e sem nenhum futuro porque são novos para a reforma mas “velhos” para trabalhar (ver anuncios emprego) onde são descriminados pela idade ou então pela nova maneira de eliminar candidatos, o envio de foto, pasme-se as pessoas não podem ser feias temos de ser belos(as) ao que nós chegámos com estes “iluminados da treta” ver a competência pela foto enviada, mas enfim é o “Sócratugal” que temos (todos muito chico-espertos).
    Se o PSD quer ganhar eleições, terá , para além daquilo que já apresentou, ouvir as pessoas, sentir os problemas reais e em conjunto apresentar saídas para este flagelo.

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