Doce país este


Patrícia Reis,

 

 

Regresso a Portugal a tempo de votar, na própria manhã das autárquicas, após nove dias sem saber nada da vida política portuguesa. Mal me ponho a par do que foi acontecendo, verifico que permanece tudo na mesma. Sócrates prepara governo a ensaiar a primeira chantagem formal à oposição, a propósito do Orçamento de Estado para 2010. Nenhuma força da oposição se arrisca a propor uma moção de rejeição do programa do novo Executivo no Parlamento. Os inquilinos de Belém e de São Bento, enterrada a ‘cooperação estratégica’, continuam de costas voltadas. Marcelo Rebelo de Sousa agita-se. Manuela Ferreira Leite, agarrada ao umbral da sede da São Caetano à Lapa, revela-se cada vez mais exímia na arte de desdizer hoje o que prometeu ontem: depois de garantir que o PSD não daria "uma ajuda envergonhada" ao Governo minoritário do PS, assegura agora que fará uma "oposição responsável", dando assim o primeiro sinal de que os sociais-democratas viabilizarão o orçamento apresentado pelos socialistas. E em jornais de referência leio notícias que falam de acontecimentos ocorridos "à muito tempo" – assim mesmo, sem agá, talvez por determinação do desacordo ortográfico, que abomina as consoantes mudas.

Doce país este, a que regressamos sempre com saudade.

23 comentários em “Doce país este”

      1. Ainda bem que voltaste, Pedro, a tua falta sentiu-se aqui no blogue. Mas fico contente por saber que foi por mim que soubeste o Nobel da Literatura. Este ano andava mesmo curiosa e, olha, fico feliz por não ter sido o Roth, assim escuso de dizer que não consegui acabar o único livro dele que tentei ler :)))))

        1. Por mim, preferia o Amos Oz. Ou o Carlos Fuentes. Ou o Rubem Fonseca. O Naipaul e o Coetzee, meus escritores de eleição, já ganharam. A galardoada deste ano não conheço. Quanto ao Roth, sugiro-te que lhe dês uma nova oportunidade com A Mancha Humana. Vale mesmo a pena.

          1. Nunca li nada do Amos Oz mas a minha preferência seria sempre para o Rubem Fonseca e para o nosso eterno candidato António Lobo Antunes. Também gosto muito do Naipaul. Vou esforçar-me e ler a Mancha Humana já que o Animal Moribundo me deixou a mim moribunda…

        1. Já estava, Leonor. Lá tinha o sol, o mar, as palmeiras, a piscina. Mas faltava-me a Felgueiras, o Menezes, o Avelino, o Valentim. Podia viver sem eles, mas não era a mesma coisa.

    1. Cá estou de novo, compadre. Um pouco mais bronzeado que antes: o sol das Caraíbas recomenda-se. Em breve vamos reunir-nos no terceiro jantar ‘delituoso’. Conto dar notícias na próxima semana.

  1. Gosto de fazer curas semelhantes, Pedro, embora distantes das águas das Caraíbas.. São muito saudáveis para os meus neurónios. O embate do regresso não é dos mais agradáveis, tenho de entrar devagarinho, como quem vai banhar-se nas águas frias do Atlântico.
    Um bom regresso a Portugal e às lides blogueiras .
    Abraço

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