“Mais fontes anónimas emitindo meras opiniões políticas. Por que razão são anónimas? Têm medo que os matem numa esquina?“
Adivinhe quem escreveu o trecho que acabei de citar. Adivinhou, de certeza absoluta. Hoje, porém, este texto que se baseia igualmente em fontes anónimas não gerou a mais leve reacção ou indignação. A única diferença é que desta vez as tais fontes anónimas fazem parte da tribo de Pacheco Pereira. Como o vento sopra na direcção “certa” está tudo bem.

Ora cá estamos nós de novo. Porque é que não critica o diário de Noticias e critica Pacheco Pereira por não criticar o DN?
Porque o seu objectivo é Pacheco Pereira e não o mau jornalismo.
Paulo Gorjão ataca Pacheco Pereira porque este emitiu opiniões negativas sobre Passos Coelho que Paulo Gorjão apoia na sua corrida à liderança do PSD.
Logo, no minimo, com este comentário Paulo Gorjão seria igual ao que critica em JPP.
Não vê que isto diminui muito a sua posição?
Praticamente não escreve sem ser para dizer mal de Ferreira Leite ou para atacar JPP porque ele não faz, isto, não faz aquilo…
E por favro, não me diga que não responde a cobardes anónimos.
E não é que acertou? De facto, não respondo a cobardolas anónimos. No entanto, por uma vez, abro uma excepção.
No dia em que assumi algum envolvimento político activo entendi que fazer crítica aos media e participar no jogo político era incompatível. Não considero correcto — credível? compatível? — ter um pé dentro e um pé fora, i.e. criticar os media selectivamente e ficar calado quando isso colide com a minha agenda política. Precisa/ aquilo que JPP.
O mau jornalismo continua a ser mau jornalismo eu é que, neste momento, não tenho condições de distanciamento para o criticar. Não tendo condições, fico calado.
E se isto no meu caso é verdadeiro, no caso de JPP é mil vezes pior. É isso que eu estou a criticar, i.e. o facto de JPP criticar selectiva e instrumentalmente determinados jornais e jornalistas.
É claro que o meu objectivo é JPP e as suas indignações selectivas. A sua instrumentalização das críticas e dos alvos.
JPP pode fazer as críticas que quiser a PPC. São todas legítimas de um ponto de vista político. Admissíveis. Eu próprio brinco com a fenomenologia do ser.
A única crítica que JPP fez a PPC que acho inadmissível — aquela em que ele passou a fronteira do admissível do ponto de vista do combate interno e do combate político — foi quando fez considerações sobre o carácter de PPC. Acho inadmissível que se façam considerações no espaço público sobre o carácter de colegas de partido.
Quanto ao resto, o que me faltava era ter de lhe pedir autorização prévia para escrever sobre os temas que eu quero. Se o incomoda tem bom remédio.