E haverá remédio para isto?


Teresa Ribeiro,

Os médicos afirmam não gostar de receitar genéricos por desconfiarem do rigor do controlo de qualidade a que estes medicamentos são sujeitos. Ou seja, apesar de as autoridades competentes sustentarem que os genéricos merecem toda a confiança, os médicos não se demovem, pondo assim em causa a competência e credibilidade dos actores envolvidos no seu fabrico.

O utente que, naturalmente, tem todo o interesse em poupar dinheiro, fica sem saber de quem desconfiar mais. Se dos médicos e eventuais cumplicidades com o lobby da indústria farmacêutica, se do Estado, que através dos pareceres do Infarmed poderá, para poupar alguns tostões nas comparticipações, querer impingir-lhe gato por lebre ou agora também das farmácias, que querem lucrar com a venda dos seus "produtos brancos".

Qual dos cenários é mais edificante? Difícil dizer. O que sei é que estas dúvidas às vezes me provocam rush cutâneo, o que além de comichão me desperta algumas dúvidas inquietantes. É que nunca sei o que devo tomar nestes casos. Arrisco num genérico, ou compro pastilhas de marca?

Safa, quando se trata de roupa estes dilemas também me afligem, mas não tanto!

12 comentários em “E haverá remédio para isto?”

  1. Não me parece que haja, Teresa, e o pior é que isto está a tornar-se uma conversa de surdos (leia-se, de experts) que nos está a passar um pouco ao lado, sendo também bem evidente que nenhum deles está muito interessado em explicar o que quer que seja acerca do seu interesse numa ou noutra opção. Cada vez que ouço um debate acerca deste, já estafadíssimo tema, fico ainda mais confuso do que já estava antes. E julgo que não estou sozinho. É que o assunto é só para entendidos…

  2. “O utente que, naturalmente, tem todo o interesse em poupar dinheiro, fica sem saber de quem desconfiar mais.”

    O pior é o caso em que o utente, independentemente da sua opinião pessoal, não tem outro remédio que não seja o de aceitar a desconfiança do médico e pagar o preço mais elevado.

    1. Pois, e é o que acontece na maioria dos casos. Ficando o utente sem saber se está a pagar por uma birra corporativa, pela sua efectiva segurança ou por interesses que o ultrapassam

  3. Devia haver uma instância independente que se pronunciasse, mas onde está ela? A OF? Mmmm…

    Uma informação sistematizada já eu obtive através de médicos amigos (estou tentada a confiar porque no caso há um efeito neutralizante entre os 2 atributos…)

    1) a farmácia não pode ser boa conselheira, tira uma margem de lucro enorme no caso dos genéricos
    2)- Há médicos pouco isentos, há médicos muito isentos…
    E pode haver casos em que o genérico X seja perfeitamente optável, e outros em que haja de facto diferença entre as duas formas.
    3) Quando a toma de medicamentos é regular, o ideal é seguir-se sempre a mesma opção de compra (sempre de marca, ou sempre genérico)
    4) na categoria dos genéricos devemos escolher as marcas mais fiáveis: as suíças (p.ex . novartis ) e as alemãs (p. ex. ratiopharm ).

    A questão está – parece -, em que o princípio activo é de facto idêntico, mas não a chamada biodisponibilidade ” (vulgo, a dose exacta e o tempo de actuação), que pode variar imenso em relação ao medicamento “branco”.

    As genéricas portuguesas não são grande opção (ex, bluepharma ).
    Logo, o grau de avanço da tecnologia deve ser a chave da questão.

    Bom! Vale o que vale, mas assim “comprei” eu dos meus conselheiros…

    1. Além destes preciosos conselhos, há que ter ainda um outro em conta: o do revestimento.
      O princípio activo pode ser exactamente o mesmo, a biodisponibilidade sim ou não, mas o revestimento está nas “mãos” de cada laboratório. E assim o organismo reage bem ou mal.

      Lembro-me de que há anos comprei um medicamento receitado em Espanha e depois o seu igual em terras lusas. Demorei vários meses a perceber o que me fazia tantas cólicas. Só quando voltei a Espanha e casualmente voltei a comprá-lo, verifiquei que as cólicas passaram ….
      Tudo era rigorosamente igual!
      E esta, hein?

  4. infelizmente a minha experiência com medicamentos diz-me que os genéricos não são, nem por sombras a mesma coisa, muito especialmente em medicamentos para o estômago.
    Pergunte-me a razão, que eu não sei. Além do efeito que não é nem por sombras o mesmo, a diferença entre o preço de um genérico e da marca registada que contenha, por exemplo a substancia ” Ranitidina “(medicamento que eu tomo há anos) é de poucos cêntimos, nem a 1 euro chega!! PAra poupar 1 euro e continuar com dores, vale a pena??

    Olhe que eu até fiquei feliz com a vinda dos genéricos, mas depressa me desiludi…

    Feiz Páscoa!

    1. O súbito aparecimento dos “genéricos”, tem porventura um efeito muito para além do esperado.
      Ou não existisse um lobby> todo poderoso!
      No caso específico da “Ranitidina”, certamente do conhecimento quase geral, conseguiu o fantástico: não será certamente o substituto do medicamento original, mas conseguiu o milagre de o “Zantac” ter descido para metade …

      Curioso era mesmo que, em Espanha, mesmo sem comparticipação, o “Zantac” custava um euro mais do que por cá, com comparticipação.

      Sou totalmente a favor dos genéricos. Mas que Deus me livre e guarde! Se um dia eu ficar interditada, peço a Deus que a minha família se mantenha lúcida!

      Já agora, e a propósito ou totalmente fora de propósito, vou reproduzir um anúncio que passa na rádio e de que gosto muito.
      Bem ao jeito do
      João Carvalho</>, em busca de anúncios originais.
      Tomem lá nota deste:
      – Eu vinha comprar braçadeiras Alfredo, daquelas para ir ao mar e não ter medo ….
      – Oh, amigo, não tenho. Só tenho braçadeiras Guiomar, daquelas para ir ao mar para quem já sabe nadar!
      Mas tem mesmo de saber nadar! É que rebentam muitas vezes, bem, quase sempre, a bem dizer … SEMPRE!

      Será assim com os genéricos?

  5. Genéricos ou de marca, o que o ‘consumidor’ quer é ficar ‘bem’ com menos dinheiro!
    Tal como os medicamentos de marca, também os genéricos são aprovados pelo Infarmed, se não temos confiança nas avaliações do Infarmed, então o que fazer ao Infarmed?
    Outra coisa que, no meio desta bagunçada, me dá na alma é a publicidade que tivemos nas televisões a mostrar que em Inglaterra a percentagem de genéricos consumida é de X, que na Suécia é de Y, etc.etc. e, todos estes países com uma percentagem de consumo de genéricos muito superior a Portugal!
    E foram gastos muitos milhares nesta publicidade!!!

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