E o Porto aqui tão perto?


Carlos Barbosa de Oliveira,

Quando, no início de Agosto, tracei aqui no DO os cenários possíveis  resultantes das eleições do próximo dia 27, afastei a hipótese de reedição do Bloco Central e defendi que se o PSD vencesse as eleições, o governo não duraria mais de dois anos.

Nos últimos dias, multiplicaram-se as entrevistas  a “ilustres” do PS e do PSD admitindo a possibilidade de um novo Bloco Central. Não há fumo sem fogo, pelo que esta tentativa de reanimação de um “nado morto” deve estar a ser cozinhada nos bastidores, com a cumplicidade e empenho de alguém interessado nessa solução para o país.

Duvido é que ela  venha a concretizar-se com a dupla Sócrates/ MFL.

Se o PSD vencer as eleições e a única solução governativa for uma aliança com o PS, não acredito que Sócrates renuncie ao cargo de líder dos rosas, para viabilizar um governo presidido por MFL. Tão pouco me parece que MFL, vencendo as eleições, abdique do seu lugar, para entregar a chefia do Governo, por exemplo, a Rui Rio. Logo, se o PSD vencer as eleições, parece-me pouco provável um governo do Bloco Central.

No caso de o PS ser o vencedor, já me parece mais viável. Sócrates manter-se-ia à frente do governo e MFL – para alívio de muitos- iria tratar do netinho, deixando a outra figura do PSD a missão de dirigir a equipa governativa. Neste caso, a figura de Rui Rio poderia voltar a ser falada. Ora, nesse caso, os portuenses correm o risco de eleger no dia 11 de Outubro – por esmagadora maioria- um presidente de câmara que nunca chegará a exercer o seu mandato. Elisa Ferreira irá explorar esta hipótese durante a campanha eleitoral?

Uma coisa é certa: com ou sem  governo de Bloco Central, o Centrão  continuará a governar o país, como faz  há quase 30 anos. Logo, o essencial não muda. Muito por culpa de um Bloco de Esquerda autista, que insiste em manter-se afastado do poder, talvez receoso de vir a esboroar-se, no caso de aceitar responsabilidades governativas. Mas isso fica para outra análise…

12 comentários em “E o Porto aqui tão perto?”

  1. Carlos:

    São várias as possibilidades de governo no pós 27 de Setembro e uma que não colocaste que é a pssibilidade do PS ou do PSD vencerem com maioria absoluta (o sr Pinto de Sousa falava muito nela agora nem toca no assunto porque será?).
    Não haja dúvidas que o chamado Bloco Central continuará a governar o país, e realmente gostava que me explicassem quais são as alternativas crediveis a isso.
    Sinceramente achar que um partido de extrema esquerda como o BE pode ser alternativa ou muleta de um futuro governo é no minimo hilariante em pleno século XXI, realmente só em Portugal se colocam estas hipóteses, mas enfim.
    Falas de Rui Rio e porque não falar em A. Costa?
    Pelo sim pelo não manda o bom senso esperarmos pela decisão dos Portugueses essa será soberana, até lá é tudo especulação e exercicios de memória.

    1. Nao acredito na possibilidade de uma maioria absoluta, Carlos. Como também tenho algumas dúvidas em relaçao a um governo do Bloco Central.
      Os exercícios de memória são muito úteis. Pelo menos para ver que no programa do PSD se promete acabar com medidas tomadas por nteriores governos do PSD!

  2. Sério, sério é um governo com o Paulinho das feiras. Aquele, que no papel de ministro, agradeceu à srª de Fátima o desvio do crude da nossa costa abençoada.

  3. “Muito por culpa de um Bloco de Esquerda autista, que insiste em manter-se afastado do poder, talvez receoso de vir a esboroar-se, no caso de aceitar responsabilidades governativas”

    Hum… complexo Josha Fisher ?

  4. Francamente, Elisa Ferreira tem sido uma tal nulidade que até pode vir a explorar a hipótese de Rui Rio não exercer o cargo por poder ser raptado por marcianos.

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