No domingo, o dia de campanha terminou com um arraial minhoto com mais de 2500 pessoas, em Esposende, com música, balões, dançarinas e bailarico. (Lusa). A reportagem do comício-arraial-minhoto (na SIC Noticías) foi de antologia. Algumas pérolas que fixei:
– Eh, pá, quando chegar o Cavaco vocês já estão cheias de vinho! (o garboso repórter, demonstrando todo o seu profissionalismo e uma linguagem irrepreensível, para uma velha que se batia por uma caneca de barro cheia de vinho tinto)
– Eu não vim cá para ouvir o Cavaco, vim cá para comer e dançar. (a mesma velha, respondendo à pergunta do garboso repórter sobre o que estava a fazer ali)
– É impressionante esta mole humana, esta multidão que demonstra mais uma vez que a minha força vem do povo! (Cavaco Silva antes de se retirar do recinto, perante uma mole humana já bastante amolecida pelo vinho e pelos petiscos)
– Comi bem e bebi melhor. Tou tranquilo, tá tudo bem. (um velho sorridente, fazendo o balanço do comício para o eufórico repórter)
Se isto não é o povo, onde é que está o povo?


O povo do Norte, sempre sem papas na língua, é muito mais genuíno e espontâneo. Quando o Bernardo Ferrão perguntou a uma senhora se aquela caneca de verde tinto era “pró Cavaco”, ela sai-se logo com esta: “O Cavaco não quer disto. Quer melhor, quer coisa fina…”
Disto já (quase) não há.
Isso é verdade. Mas hoje em dia, de norte a sul, ou há comes e bebes nos comícios ou não há mole humana para ninguém. E é bem feito, o povo está farto dos políticos e tem muita razão.
Vi isto logo ao pequeno-almoço. Fantástico 🙂
Também vi ao pequeno-almoço, e quase me engasguei a rir.
E eu tão falto que sigo, pelo país dos sorrisos, de petiscos portugueses de “binhinho berdinho” e de ouvir uma musiquinha pimba, seria mesmo de apanhar uma piela de caixão à cova e depois, em voz alta: biba o sr. Silva, biba que me tirou a barriga de misérias!
Zé Martins
Pois é, Zé Martins. Tudo se resolve com dois copinhos de vinho branco, como nos filmes do Vasco Santana.
A avaliar pela foto (fantástica) o casal está mais gordinho.
A fotografia mostra os equilibrismos que o povo tem de fazer – mesmo quando bebe uns copos – com os salários que ganha…
Estas frases foram ditas por gente simples, a arraia-miúda.
Mas não é gozo.
Bem podiam ter sido ditas pelo português invejoso, comum, hospitaleiro, dado ao favor, e ao porrerismo, e que cuida da sua prole, como a melhor do mundo, mas nao sabe dar educação. O português empresário, com o olho na Volvo e no BM, perfumarento, engravatado e pose senhorial, e com problemas…na amásia e nas Finanças.
Dizem-nas! Mas com um tom mais contraído, e com umas palavras…mais cuidadas.
A primeira é a espera pela oportunidade. Uns estilo “calma, pessoal”. A segunda é “desde que chova, desde que caia guito, os outros que se …”; a terceira a exteriorização da ilusão, da mentira romanceada; A quarta é “estou bem, logo quero lá saber do paleio, do motivo essencial”.
O povo não é diferente…só os anos passaram!
excelente “colagem”.
Não tenho nenhum mérito, Luís. Por incrível que pareça, tudo se passou assim mesmo.