É urgente uma campanha de esclarecimento aos pais


beatriz j a,

Só acredita nas palavras do nosso ministro da educação quem anda mesmo a leste do que se passa na educação e só a conhece dos títulos dos jornais.

Tenho notado que, apesar dos triunfalismos do ministro quando diz que agora todos pensam criticamente, os alunos, em geral, têm cada vez menos capacidade de concentração continuada. Se têm de ler um texto de uma página para fazer um trabalho qualquer, desanimam antes mesmo de começar porque não conseguem concentrar-se tanto tempo. 

Estão habituados a ler na internet frases curtas e a saltar de assunto em assunto, não completando nunca um raciocínio complexo, uma argumentação com fundamentação, um discurso de dissertação sobre um tema, uma descrição pormenorizada. A maior parte das avaliações escolares são de preenchimento de espaços e identificação de palavras ou construção de definições curtas, decoradas. Não têm nenhuma experiência de terem que discorrer sobre um tema de modo coerente, objectivo, fundamentado e completo, tendo de relacionar conceitos, encadeá-los numa arquitectura, já nem digo elegante, mas pelo menos robusta.

Como consequência, quando chegam às aulas e ao trabalho escolar, não sabem pensar porque nem sequer são capazes de seguir um raciocínio complexo e isto advém de não terem hábitos de concentração continuada.

Reparo que a esmagadora maioria não consegue sequer concentrar-se para ver um filme, o que até há uma meia-dúzia de anos lhes era muito fácil. Pois agora não é, talvez por estarem habituados a consumir exclusivamente vídeos do YouTube que não requerem mais do que dez ou quinze minutos de atenção continuada. Ao fim de vinte minutos de filme já estão cansados de tomar atenção.

Há pouco tempo comentava isto com uma turma e explicava-lhes -mais uma vez- os benefícios de aumentarem o seu poder de concentração e os prejuízos de não o fazerem – para ver se conseguia convencê-los a ler um livro. A certa altura disse, ‘qualquer dia também deixam de ser capazes de ver um jogo de futebol inteiro e só vêem os resumos’. Diz uma aluna, ‘Não é qualquer dia. Eu não consigo ver um jogo inteiro. É muito tempo. Às vezes vejo a primeira parte e depois espero que o resumo caia no YouTube e vou ver os golos e as jogadas mais importantes’. Confesso que fiquei estupefacta porque tinha dito aquilo meio a brincar. 

Era preciso haver uma campanha de esclarecimento aos pais (e ao ministro da educação que tem um pensamento infantil, do tipo mágico) que, calculo, não fazem ideia de como deixarem os miúdos nos telemóveis e internet logo desde muito novos lhes estragam as capacidades de concentração, de aprendizagem da complexidade da língua e portanto, de raciocinar e pensar.

Depois saem relatórios do IAVE a dizer que os alunos não sabem pensar. Isso de saber pensar, ponderar e criticar é um processo longo que leva tempo a aprender e interiorizar e que se alcança através de outros processos que o ministro tirou da aprendizagem escolar para que todos possam passar mesmo sem saber nada, para ele ficar bem no cozido à portuguesa das estatísticas nacionais.

texto publicado no blog azul

63 comentários em “É urgente uma campanha de esclarecimento aos pais”

  1. Era preciso haver uma campanha de esclarecimento aos pais que, calculo, não fazem ideia de como deixarem os miúdos nos telemóveis e internet logo desde muito novos lhes estragam as capacidades de concentração, de aprendizagem da complexidade da língua e portanto, de raciocinar e pensar.

    (A Beatriz tem, atualmente, filhos para educar?)

    A Beatriz tem muita razão: a internet e os telemóveis estão a dar cabo das capacidades intelectuais dos jovens (e, talvez, também de muitos adultos). Porém, como evitar isso? Somente campanhas de sensibilização aos pais, não são suficientes. Os pais não têm poder absoluto sobre os seus filhos. Além dos pais há os avós, os primos, os tios, etc, os quais não têm todos eles, necessariamente, a mesma opinião sobre como educar os seus filhos, netos, primos, sobrinhos, etc. Aliás, mesmo o pai e a mãe têm, frequentemente, opiniões diferentes sobre esse tema. O pai pode querer desincentivar o filho de fazer uma coisa mas a mãe, pelo contrário, querer incentivá-lo. E os pais podem querer incentivar mas os avós, pelo contrário, quererem desincentivar. E há sociedade em geral, que exige das crianças e jovens certas coisas. A sociedade atual exige de todos nós que tenhamos um smartphone.

    A Beatriz poderia, conjuntamente com os seus colegas professores de História e de Economia, dedicar-se a um estudar um tema interessante: a História da Economia da produção e distribuição de Drogas. As Drogas sempre foram um esteio da economia. Por Drogas entenda-se tudo aquilo que vicia: o jogo, o açúcar, o tabaco, o álcool, o jogo online, os chats online, etc. Se a Beatriz não quiser ela mesma estudar esse tema, pode fazer como fazem os professores modernos: mandar os alunos fazerem um trabalho sobre o tema, para depois ela (professora) poder aprender com os seus alunos (ou com os pais deles).

    1. Belo discurso de desresponsabilização…
      Penso que a maioria dos pais não tem noção do real estrago que faz deixar os filhos desde muito novos agarrados a telemóveis e internet. Portanto, o meu apelo vai no sentido de avisar os pais e mostrar os estragos porque se não souberem, não podem agir. Depois, a responsabilidade de fazer diferente -ou não- é deles.

      Isto não tem que ver com vícios como o tabaco ou doces porque esses fazem mal à saúde mas não interferem com a capacidade de concentração continuada.

      1. a responsabilidade de fazer diferente é deles

        É verdade, mas é preciso ter também em conta a possibilidade que eles têm, ou não têm, de fazer diferente. A maioria dos pais não tem atualmente a possibilidade ou a capacidade de impedir os seus filhos de, se eles assim o desejarem, passarem o tempo todo agarrados ao smartphone. Podem talvez ter essa possibilidade ou capacidade quando os filhos ainda são crianças dependentes mas, assim que os filhos têm 13 ou 14 anos, deixam de ter tal possibilidade. Os filhos a partir dessa altura fazem, em boa parte, o que querem. E ademais, como eu disse, há que ter em conta não somente o pai e a mãe mas também os quatro avós, os N tios e etc e tal, que todos eles podem atuar em contraciclo.

        Tem tudo a ver com vícios. A economia faz de propósito para produzir vícios, os quais são lucrativos. Os produtores de jogos para telemóvel fazem o melhor que podem para que quem os joga fique agarrado a eles. O Facebook e o Tiktok fazem o melhor que podem para que a pessoa passe o mais horas possível a brincar com eles. Os vícios, isto é as drogas, é tudo aquilo que é adictivo e estraga a saúde, física ou mental: tanto pode ser a cocaína como o vinho com o tiktok como o açúcar. E todos os vícios são altamente lucrativos para os seus produtores.

        1. O seu discurso é muito típico, infelizmente, dos pais actuais. Entregam-nos aos professores para que façam o trabalho dos pais e dizem que não podem fazer nada. Só que podem, sim e há os que o fazem. A educação escolar não é uma educação parental. E muitos pais fazem muito anti-jogo: não educam em casa para essas coisas mas vão à escola queixar-se que os professores andam a incomodar os filhos por causa dos telemóveis.
          Se queremos os filhos temos que querer educá-los, não?

          1. O seu discurso é muito típico, infelizmente, dos pais actuais. Entregam-nos aos professores para que façam o trabalho dos pais e dizem que não podem fazer nada.

            Eu nos meus comentários não falei em professores nem em pedir que eles eduquem as crianças e jovens. Não disse absolutamente nada nesse sentido.

            Eu o que disse é que é muito difícil os pais atuais educarem os filhos, porque estes se encontram inseridos numa sociedade muito diversa e portanto se encontram sujeitos a muitas influências diversas. O pai, a mãe, os avós paternos, os avós maternos, os colegas, etc e tal, todos eles são influências diversas sobre a criança ou jovem. O pai pode pensar uma coisa mas a mãe pensar outra, os avós podem pensar diferente de ambos, e os colegas podem ainda pensar outra coisa. O pai pode detestar o fumo do tabaco mas o filho aprende a fumar com os colegas, a mãe pode não ter telemóvel mas o filho compra um com o dinheiro que o avô lhe dá, etc. E os filhos não são sempre crianças: aos 14 anos já são fisicamente mais fortes que os pais e estes já praticamente não têm poder sobre eles.

            1. Há muitos pais, mas muitos mesmo que educam os filhos nessa questão. Por exemplo, já tive turmas onde tivémos que impor regras rígidas porque os pais não queriam saber. Ligavam para os filhos na hora das aulas, os miúdos estavam habituados a copiar usando o telemóvel. Agora a moda é tirarem fotografia do teste, enviarem para o explicador, que o resolve e vai enviando as soluções para o WhatsApp do aluno. Isto é às dezenas os que são apanhados nisto. É uma vergonha. E esses pais dizem que não podem fazer nada. Desresponsabilização total. Mas não são a maioria. São uma porção que tem vindo a crescer. Tenho uma turma do 10º ano que desde o princípio do ano usa o telemóvel nas aulas quando indico ou se estão a fazer um trabalho e precisam de ir à net. Pedem autorização e só usam para isso. Nunca tive nenhum problema com eles de abuso. Porquê? Porque os pais os educaram a seguir as instruções do professor.
              Eu tenho um filho que é adulto. Também me custou educar em certas idades, dá muito trabalho, requer muito tempo, paciência e teimosia, mas teve que ser. É o nosso dever.

    1. Justamente: ensinando hábitos, desde pequenos, que favorecem essa capacidade. O que sempre se fez nas escolas, mas agora é considerada uma coisa ultrapassada pela tutela (esta e outras anteriores) porque não é ‘giro’.

      1. Em cheio.

        > Isso de saber pensar, ponderar e criticar é um processo longo que leva tempo a aprender e interiorizar

        E depois acreditam em Rousseau, Marx e Sartre.

        Bem podem limpar as mãos à parede.

        1. lol essa é boa… então é necessário que se rejeite ou aceite totalmente um pensador? Ou estamos a favor de Sartre ou contra e de Marx e Roussseau também? Os escritos filosóficos de Marx sobre a alienação do homem de si mesmo devido à organização e exploração do trabalho ser como era, faz todo o sentido. Ainda faz. Daí não se segue que tenha que apoiar-se o comunismo ou a doutrina igualitarista com o fim da propriedade privada. Não sou desta moda de ser radicalmente a favor ou contra de pensadores.

  2. Concordo inteiramente com o que disse sobre o ministro da educação. É uma figura, apenas uma figura que diz baboseiras. Não vale um chavo. E foi ali posto por isso mesmo. As suas entrevistas são um logro, cheias de lugares comuns. O rapaz não presta e não fez nada de útil pelo ensino. Impressiona-me como certa gente faz o que lhe mandam e se convence de que está a agir bem.
    Quanto á imaturidade dos jovens…há muita causa. Entre elas a carga horária das crianças. É desumano, mas algumas, desde os três anos (senão menos) estão fora de casa o dia todo; saem antes do nascer do sol e só regressam à tardinha. E regressam para pais cansados que dão banho, jantar e os metem na cama de seguida. No dia seguinte há que levantar cedo e recomeçar tudo de novo. E, enquanto eles dormem, dá-se um jeito na cozinha, arrumam-se roupas e lancheiras para o dia seguinte que é já aquele em que os pais se deitam a descansar umas horas.
    Desculpe, não falei do que realmente importa, os programas, as disciplinas e os autores que o senhor ministro e outros mais acima – ou só os outros que ele é verbo de encher, fogo fátuo – resolveram retirar porque senão as crianças – leia-se jovens – desatavam a reprovar e isso é que não pode ser, temos de ficar bem na fotografia das estatísticas. E saber pensar até não interessa, suscita a curiosidade, coloca dúvidas incómodas, cria insatisfeitos. Importa que o povo fique pela superfície das coisas.

    1. A carga horária vai diminuindo à medida que eles crescem porque ficam mais autónomos e independentes e enquanto são muito novos são quase-totalmente dependentes. Os meus alunos não têm uma grande carga horária e no 12º ano têm imenso tempo livre. Mas também me parece demais nos muito pequenos. Porém, o que vejo é que os pais querem e aqueles miúdos que acabam as aulas mais cedo, põem-nos em centros de explicação, mais para estarem vigiados por um adulto.

      1. É impossível voltar ao amor e liberdade que os avós propiciavam; os pais trabalham e procuram apenas que os filhos estejam acompanhados enquanto são mais pequenos. Mas temo o efeito de viverem saltando de um mundo de regras para outro; é uma vida de normas e horas marcadas e desde cedo se impedem experiências livres profundamente importantes na formação pessoal. Cada vez mais, julgo que a infância sustenta o adulto.
        Ignoro currículos actuais, mas a memória que tenho do 12º ano não é essa. Pelo contrário, embora com menos uma ou duas disciplinas, aquilo que era exigido ao longo do ano em cada uma e a pressão das médias de entrada na faculdade tornavam esse período super ocupado; isto não contando as explicações que a maioria frequenta para conseguir notas de topo ou apenas medianas. Houve de facto um tempo em que foi assim, o 12º cursava apenas três disciplinas. Quanto aos outros anos de escolaridade, não vejo em que radica a afirmação de que a carga horária seja menor à medida que sobe a escolarização. Menos disciplinas não se traduz em menos horas de escola. E sobre as horas curriculares ainda vêm as de apoios que são propostos por turma e por aluno. Basta vê-las para compreender que alguma coisa vai mal no reino da Dinamarca. Critico sem receita. Quando penso na questão parece-me até que a mudança envolveria bem mais que um ministério.

        1. Imensa coisa vai mal e nem conseguia aqui dizer tudo. Desde logo a organização do trabalho que obriga a um horário infernal, mas também a organização das cidades. Metade do país trabalha em Lisboa mas tem que viver fora e perder duas ou três horas por dia, mais saúde mental, no transito. Entre os professores, que somos 110 mil ou um pouco mais, muitos estão deslocados e longe dos seus próprios filhos durante toda a semana.

          Falta liberdade, sim e a pouca que os alunos têm nas escolas, tem havido esforços para a tirar e obrigar a que todo o tempo seja projectado e supervisionado por adultos. Em França, por exemplo, nem liberdade têm para escolher o seu curso. Na entrada para a faculdade, querem trocar parte dos exames por cartas do DT onde dão o seu parecer sobre a vocação dos alunos e o que devem ou não seguir (não sei se isso já foi para a frente). Por cá já se fala em acabar completamente com os exames. O diretor dos colégios particulares pediu para se acabar com os exames para os alunos terem todos sucesso. Há estudos recentes que mostram que os alunos têm melhor desempenho quando têm prazos marcados para o trabalho e quando têm de mostrar o que aprenderam em momentos determinados. Mas é claro que não fazer exames garante o sucesso a todos.

          Os alunos no secundário têm menos horas de aula que no básico e já não têm exame a todas as disciplinas como nós tínhamos. No 10º não há exames, no 11º há 2 exames e no 12º outros dois. No 12º ano têm só 5 disciplinas (até ao 9º ano chegam a ter 10) e dessas só têm exame a duas. Têm imenso tempo livre. Outra coisa é saberem usar o tempo de aula eficazmente para depois usarem o tempo livre.

          O estudo está desvalorizado. Os alunos querem boas notas sem ter que estudar, mas é preciso haver estudo do que foi trabalhado nas aulas – a matemática e as línguas precisam de muitos exercícios realizados. O português e todas as disciplinas subsidiárias precisam de leitura. Os miúdos não lêem. E as outras disciplinas requerem estudo. No início do 10º ano digo aos alunos como se tiram boas notas sem esforços monumentais. É preciso seguir umas regras nas aulas e ter um plano de estudos. Digo-lhes como se faz um plano de estudos para todas as disciplinas, de maneira que não se atrasem no estudo e não tenham que trabalhar horas infindas. Explico aos pais, na 1ª reunião em que consiste o plano e digo-lhes que têm que ir vendo se eles cumprem esse plano – ou outro que tenham e achem mais eficaz. Dou-lhes um questionário para eles usarem ao longo do ano e auto-avaliarem-se: verem rapidamente se estão a progredir no estudo ou não. Vou perguntando ao longo do ano. Quantos alunos seguiram um plano de estudo duarante o ano? Dois ou três. Os outros, o explicador estuda por eles. E o que fizeram nas horas vagas? Estiveram nas redes sociais ou a gravar vídeos no TikTok ou a jogar PSP ou a pôr fotografias no instagram ou a ver vídeos no YouTube de influencers que seguem ou a ver pornografia. A maioria dos alunos quando não está na aulas ou tem uma actividade extra-escola está agarrado ao telemóvel, à PSP ou ao computador.
          Digo-lhe problemas que vemos a crescer: fraudes com a cumplicidade do explicador; alunos viciados em jogos online ou nas redes sociais ao ponto de ficarem acordados toda a noite e faltarem às aulas, ou virem dormir para as aulas. Virem pedir-nos ajuda por já não conseguirem largar os jogos online, por exemplo, já acontece. Eles sabem que até ao 9º ano passam na mesma com 200 ou 500 faltas, se for preciso. O ministro quer estatísitcas de sucesso, não quer resolver problemas.
          Há muita coisa mal na educação e os problemas são muito complexos e não são as coisas que se lêem nos jornais – há problemas que vêm de fora e têm uma grande impacto nela e os hábitos digitais dos miúdos são um desses problemas. Os alunos que aprendem rapidamente tudo o que é digital, usam-se da internet só para diversão, com grande prejuízo da capacidade de atenção e de pensamento.

  3. 1 – Sem querer melindrar, não será um erro de análise que estão a cometer, quando se insurgem e fazem uma crítica idêntica à deste Post?
    2 – Ou, dito de outro modo: esses professores e esses alunos já não pertencem a um passado, incapaz de preparar as novas gerações para os desafios concretos que terão de enfrentar?
    3 – Essa aparente “falta de concentração”, e esse pretenso «caminho para o prejuízo cognitivo», não serão uma análise ingénua e errada?
    4 – Nos «Colégios da Elite mais poderosa do mundo» já não é assim, com esse método de ensino, que se formam as pessoas.
    5 – Hoje, nesse pequeno grupo dos mais poderosos, os discentes são ensinados a construir o seu próprio robot pessoal para acederem ao Conhecimento, e para obterem todas as respostas a todas as perguntas que lhe sejam feitas sobre qualquer assunto. São as “máquinas” que fazem o trabalho que até há pouco era feito por cada discente/docente.
    6 – A razão é simples e óbvia: nenhum corpo humano, a nível fisiológico e bioquímico, consegue processar em tempo real a actualização dos conhecimentos técnicos e científicos de qualquer área da actividade humana.
    7 – Por exemplo, enquanto professor num desses Colégios, ensino-os a construir (para depois cada um a modificar, e a fazer a pós-produção, conforme a capacidade de cada qual) o «robot Žyleč».
    8 – A pergunta não é se «tenho razão ou não», se «estou certo ou errado». A pergunta é porque me contratam, me pagam um balúrdio para fazer isso dessa manieira, e me entregam os filhos para aprenderem através deste método.
    9 – Se tiver espaço, explicarei adiante como faço.

    1. Eu falo de alho e fala-me de bugalhos. Ensinar a construir um «robot» é como ensinar a construir uma bicicleta ou outra máquina qualquer, pois trata-se de seguir instruções de um protocolo – as pessoas escolhem o «robot» como exemplo porque isso faz parecer uma coisa muito avançada. A aprendizagem de construção de uma máquina é um tipo de aprendizagem, mas não ensina a capacidade de concentração que é um requisito para saber pensar. E não é preciso saber pensar para saber construir uma máquina. Já para a inventar, isso é outra história, que requer concentração.

      1. 1 – Esse robot é uma “máquina universal do Conhecimento” (uma máquina universal de perguntas-e-respostas).
        1.1 – O «robot Žyleč» está ligado às bases-de-dados das cem mais reputadas publicações científicas do mundo nos dez atuais domínios de produção de Conhecimento humano (axiologia, cosmologia, ciência, epistemologia, ética, estética, metafísica, ontologia, política, teologia).
        1.2 – O «robot Žyleč» actualiza em tempo real todos os contributos publicados pela ciência e cultura em todo o mundo. Calcula e interrelaciona todos esses dados, continuamente, e apresenta as respostas a todas as perguntas que se lhe façam.
        1.3 – Na programação do «robot Žyleč» construi um algoritmo feito do “método Organon” de Aristóteles ao qual juntei os “cinco modos dos autómatos aprenderem a aprender” (i. Preencher as lacunas no conhecimento existente; ii. Simular o funcionamento do cérebro; iii. Simular o processo de “evolução”; iv. Reduzir sistematicamente a incerteza (complexidade de Chaitin-Kolmogorov); v. Registar as semelhanças entre antigo e novo).
        1.4 – O «robot Žyleč» através dessas «6 variáveis aristotélicas» e dos «5 modos da Inteligência Artificial ensinar as máquinas a aprenderem» consegue explorar todas as combinatórias e permutações de Dados existentes (e futuros).
        1.5 – O «robot Žyleč» consegue responder a todas as perguntas que lhe façam sobre qualquer assunto. Consegue permanentemente atualizar-se, carregar-se à distância, e correr numa máquina universal (computador). Consegue por si próprio, autonomamente, adaptar-se ao contexto/ambiente com uma lógica darwinista ou com uma lógica epigenética, e dosear a proporção de fenomenologia e positivismo que o utilizador decida.
        2. O trabalho do professor com os alunos passa a ser um tabalho sobre o método (concepção e programação), a potência da infraestrutura computacional, a escolha da qualidade científica das fontes e dados (inputs), e o estudo antropológico, psicológico e sociológico da recepção dos resultados (outputs) por parte dos destinatários.
        3. Por exemplo, e apenas quanto ao “Organon” e às “Categorias”, perceber que Aristóteles nessa obra considerava que havia apenas 10 tipos de termos para definir um «Objecto isolado» (substância, quantidade, qualidade, relação, lugar, tempo, estado, hábito, acção, paixão). E que cada Objecto estava sujeito a 6 tipos de movimentos (formação, destruição, aumento, diminuição, transformação, e mudança de lugar). O «robot Žyleč» permite que possamos perguntar: — «E hoje, passados mais de 2 mil anos, há mais algum tipo de coisa e de movimento que possamos acrescentar?». E assim sucessivamente. Ou seja, o robot Žylĕc permite acrescentar «o que de novo» formos conseguindo.
        5 – Em comparação e competição com alunos que não possuam um «robot Žyleč»… estes são imbatíveis. Sabem tudo, actualizado ao momento, em qualquer sítio e a qualquer hora, e nos mais diferentes contextos laborais.
        6 – Logo, é na «pós-edição» do resultado que o robot nos dá, e na seleção e adequação desse resultado aos diferentes contextos e circunstâncias, que a relação entre alunos e professores se processa doravante.
        7 – É assim, no seio de um método de ensino totalmente diferente daquele que vigora na actual escola pública, que se ganha a tal concentração dos alunos. Eles sentem que estão a conquistar uma ferramenta para vencerem na Vida.

        1. Então é uma máquina sofisticada que implicar ter outros conhecimentos e capacidade de atenção continuada, mas a questão é que os alunos capazes de a construir já chegaram aí com essa capacidade desenvolvida. Não é aí que a desenvolvem, é antes.

          1. A questão não é a “máquina” em si mesma.
            A questão é a nova relação entre professor/aluno/Conhecimento. E as consequências que isso tem no desempenho profissional.
            A “máquina” é exactamente como uma caneta ou outra ferramenta qualquer. É apenas um meio mais eficaz e poderoso para aceder ao Conhecimento, e para adquirir capacidades técnicas.
            Hoje (e cada vez mais no futuro), com a competição económica global, um País (e uma geração de jovens desse país) não pode ficar dependente do nível de burrice dos professores que esse país tem, havendo conhecimentos disponíveis produzidos por prémios Nobel e investigadores de mérito mundial.
            O robot apenas articula e põe ao dispor esse nível de conteúdos formativos. E os alunos têm que saber pôr a funcionar esse robot se quiserem competir e ter melhores salários do que os que os possuem.
            Não é uma questão filosófica, ou de discussão sobre teorias de educação. É pura luta pela sobrevivência e sucesso adaptativo na actual Sociedade.

            1. UAU! Eu sou burra, mas você é tão bom a pensar que não é capaz de argumentar sem chamar nomes. Sinal de grande inteligência… lol

            2. Credo!
              Não lhe chamei a si qualquer “nome” que não tenha chamado primeiro a mim.
              A «Beatriz j a» acha que somos melhores do que os prémios Nobel e os investigadores mais reputados do Mundo?
              Porém, para os alunos, estão disponíveis esses conteúdos desses melhores do que nós.
              E vamos negar-lhes isso, impondo-lhes a eles e ao nosso país «a nossa burrice»?
              O que muda na Educação é isso, passarmos a permitir-lhes aceder ao melhor que há no mundo.
              E muitos deles são muito mais inteligentes, e vão ter muito mais sucesso do que nós.
              A Educação do futuro não pode estar, como na do passado, centrada na mediação do professor X, do país Y.

            1. Quem conhece e faz «programação» sabe que cada algoritmo escolhido é como um texto de autor. É uma interpretação própria.
              Cada «programa» que cada aluno escolhe é o seu caminho próprio, de interpretação e inter-relação entre os dados/informações disponíveis.
              Logo, não é por ser um tipo de máquina idêntica na sua infra-estrutura física (hardware) que obriga a “igualizar” o modo de aprender e de conhecer. É o «programa» (software) escolhido pela inteligência individual de cada aluno. (exactamente como num computador vulgar).
              A diferença em relação ao passado está na incapacidade da relação professor/aluno já bastar para se aceder ao nível de qualificação que as empresas e a actual Sociedade exigem.
              O Conhecimento está nas enciclopédias e nas bases-de-dados. Esse volume informativo e a sua contínua actualização ultrapassa a capacidade de qualquer professor/aluno. Só o trabalho cooperativo com uma «máquina capaz de processar esse colossal volume de dados» permite qualificar as novas gerações.
              A “falta de concentração” e a “falta de paciência” para ler-ver todo um documento vem dessa nova procura cognitiva para além da memória e da leitura dos dados.

  4. Li uma vez num livro de Marcuse que uma vez uma mãe foi ter com Sigmund Freud e lhe perguntou de que forma deveria educar o seu filho, ao que Freud respondeu, “Minha senhora, não se preocupe: faça o que fizer, fará sempre mal.”

    1. Isso é uma ‘anedocte’ por conta de se fazer piadas com a importância negativa que ele dava à figura da mãe na relação com os filhos, porque Freud (de quem gosto muito como pensador da organização da estrutura psíquica humana), era um grande machista.

      1. A Beatriz interpreta a frase de Freud como querendo dizer “as mulheres fazem sempre mal”. Eu interpreto-a como querendo dizer “os pais fazem sempre mal”. Ou seja, a mim parece-me que, se esta “anecdote” for verdadeira (Marcuse relata-a, o que não significa que ela seja verdadeira e rigorosa), Freud quereria significar aquilo que o pai e a mãe fazem aos filhos, não aquilo que a mãe especificamente faz.

        Freud está morto e nem a Beatriz nem eu nunca saberemos exatamente o que quis ele de facto dizer.

        Eu interpreto a frase da seguinte forma. Uma criança ou jovem é um ser humano único e irrepetível. Dois seres humanos são sempre diferentes. Portanto, a mesmíssima educação dada a dois filhos diferentes poderá sempre dar resultados totalmente diferentes – e eventualmente, num dos casos, um muito mau resultado. Portanto, faça um pai OU uma mãe o que fizer, é sempre possível que o filho dê para o torto, e então o pai E a mãe serão acusados de o terem educado mal.

        1. Bem, não sei o contexto da frase. Freud põe uma tónica negativa na influência que as mães têm nos filhos. E por isso há muitas histórias e piadas com o assunto. Sabemos mais ou menos o que ele disse. É muito estudado… eu estudei Freud e leio-o há mais de 30 anos. Haverá quem saiba muito mais do que eu, mas sei alguma coisa e digo-lhe que essa sua interpretação de querer dizer que os pais fazem sempre algo mal, assim em geral, não é freudiana. Freud é muito específico a explicar o papel da mãe e do pai e os problemas que cada um deles gera no desenvolvimento psicossexual das crianças.

  5. “Era preciso haver uma campanha de esclarecimento aos pais…)
    Pois, bem prega Frei Tomás, faz o que ele diz não faças o que ele faz.
    E para quando uma campanha de esclarecimento para os professores?
    Será possível que em pleno século XXI as aulas ainda se continuem a dar como há cinquenta anos. Três períodos, dois testes por período e TPC’s para casa?
    Será assim tão difícil de entender que o mundo mudou?
    Será assim tão difícil de entender que as novas tecnologias vieram proporcionar uma nova forma de aprendizagem?
    Porque não incluir estas novas ferramentas e proporcionar um ensino mais motivador?
    Nunca percebi porque é que os professores foram sempre contra as novas tecnologias. Já quando eu era miúdo era a mesma coisa, era proibido levar máquina de calcular para as aulas.
    Vivemos numa época em que temos a informação que queremos à distância de um dedo, é só uma questão de adaptação. Como é que se pretende que um miúdo esteja concentrado durante uma hora a ouvir um professor que ainda está no século passado?
    Sou formador de adultos, e mesmo esses têm um período de atenção muito curto, se não consigo passar a minha mensagem, a responsabilidade é só minha, não é de mais ninguém.
    Os pais podem ter alguma responsabilidade, mas se você reparar, numa escola há sempre professores que nunca têm alunos problemáticos e as suas aulas são sempre um sucesso.

    1. Eu sei que o ministro da educação diz essas coisas, mas eu não conheço professores que dêem aulas assim. Nem conheço professores que não conheçam as novas tecnologias. Penso que ninguém como os professores se actualizou. Quando começámos a dar aulas, nem havia computadores, escrevíamos os testes à mãe e usámos stencil. Depois usaram-se retro-projectores. Hoje em dia, se não tivesse um computador na sala de aula mais um projector teria dificuldade em voltar a trabalhar sem essas ferramentas. Usam-se quadros interactivos… E os alunos usam os telemóveis nas aulas quando é preciso ir à internet ou ao email, mas sempre com cuidado, porque o que eles fazem com os telemóveis nem lhe passa pela cabeça. Depois, faz-se muito trabalho na escola que não são testes. Passa muita coisa numa escola: discussões argumentativas, palestras, projectos, construções, saraus musicais, de poesia, de teatro, e muitas outras coisas. Essas coisas todas são feitas no trabalho dos professores com os alunos. Portanto não sei do que fala. Haverá alguns professores que ainda dão as aulas assim… mas já é raro. Agora, é verdade que o ministro e outras pessoas que não sabem nada do que se passa nas escolas mas têm interesse em proletarizar a profissão para poupar custos dizem essas coisas. Por isso comecei o texto dizendo, Só acredita nas palavras do nosso ministro da educação quem anda mesmo a leste do que se passa na educação e só a conhece dos títulos dos jornais. Se quiser acreditar acredite.

      1. Eu não duvido que use essas ferramentas, mas será que as usa para o objectivo que é suposto? Ou é só para fazer os testes certinhos no Word?

        “… o que eles fazem com os telemóveis nem lhe passa pela cabeça. “

        É esse medo irracional de ser ultrapassada pelo conhecimento dos mais novos que faz com que as aulas se tornem cada vez mais penosas sendo a solução mais fácil, atribuir as culpas aos pais.
        Todos temos uma parte de responsabilidade na educação dos miúdos. Dizer que a culpa é dos pais ou do ministro só revela a nossa incapacidade como formadores.

        1. Isto é ridículo, ter que estar aqui a defender-me não sei de quê. Como é que acha que houve aulas à distância durante a pandemia? Como se fizeram testes, trabalho e apresentações à distância? Mesmo este ano, como acha que damos as aulas e apoiamos os alunos que estão em isolamento com covid? Como é que pensa que os alunos aprendem a usar o PP, o Prezi, os questionários online, as aulas virtuais, etc. Quem é que os ensina? Quem os ensina a saber fazer uma pesquisa na internet?

          Ao contrário do que pensam e se diz por aí os alunos não sabem usar a internet e têm de ser ensinados. Nem o word sabem usar. Só escrever nas teclas. Da internet conhecem a wiki e o youtube (fora o Tik Tok, o Insta, etc). Se dizemos para fazer uma pesquisa vão direitos às imagens. Não sabem pesquisar texto. Quando dizem que os miúdos hoje em dia ultrapassam os professores, deviam ir ir a uma aula para ver o que eles sabem, para além de fazer vídeos e tirar fotografias e memes. Quando digo que não faz ideia do que fazem com os telemóveis estou a falar de gravarem colegas, de estarem online com o explicador que lhes faz o teste, ou estarem online com o colega da sala ao lado que está a fazer teste e eles a verem as respostas no livro e a enviar. Fraudes. Vivemos num país de corrupção e isso começa nas escolas, nas fraudes. E cada vez mais os adultos são cúmplices. Há histórias que se eu contasse aqui ninguém acreditava.

          As pessoas falam com uma enorme ignorância do que se passa nas escolas e nas aulas.

          1. “As pessoas falam com uma enorme ignorância do que se passa nas escolas e nas aulas. “

            Ainda bem que você tem uma enorme certeza do que se fala fora das escolas e fora das aulas.
            Como é que você pretende criticar os outros se é incapaz de aceitar uma crítica?
            Você leu bem aquilo que eu escrevi?
            Ser professor não é só despejar matéria, é muito mais do que isso.
            A grande maioria dos professores está mais preocupada em cumprir o programa do que ensinar efectivamente o aluno. Isso só pode gerar frustração, mais nada.
            Infelizmente enquanto os professores continuarem a ver os outros parceiros educativos como bodes expiatórios, nada mudará na educação dos nossos jovens.

            1. Qual crítica? Dizer que os professores é que precisam de aprender porque eu só uso as tecnologias para escrever os testes em word? Isso é uma crítica? Ou que estou aterrorizada porque os alunos sabem mais que eu usar o telemóvel? Isso é uma crítica? Ou que os professores todos dão aulas mal porque dão aulas em 3 períodos e fazem testes? Isso é uma crítica? Isso é repetir a conversa deste ministro e da Lurdes Rodrigues que pelos visto tem em si um apoiante.

              E, ‘Ainda bem que você tem uma enorme certeza do que se fala fora das escolas e fora das aulas’.? então mas acha que não ando pelo menos desde a Lurdes Rodrigues a ter que defender-me das mentiras e ignorâncias que todos os dias aparecem nos jornais sobre as escolas e os professores? Houve anos em que era em todos os jornais todos os dias. As mentiras mais infames? Uma crítica? Acha que é a primeira pessoa que me chama nomes por ser professora e me acusa de ser ignorante ou atrasada ou outra coisa qualquer do género? Diga antes, 15 anos de ofensas, porque as pessoas não fazem críticas porque para criticar é preciso saber do que se fala. Dizer mal dos professores é um desporto nacional dos jornais e dos ministros desde essa Rodrigues e todo o povo emprenha pelos ouvidos.
              Então, desculpe-me se estou farta de ter que defender-me dos preconceitos dos outros como se fosse culpada de um crime, esse de ser professora.

  6. Em 2008, já o eduquês estava em marcha, numa conferência com Júlio Pedrosa, à época presidente do Conselho Nacional da Educação, coloquei a questão sobre qual era o estímulo dado aos alunos, qual a mensagem que passava, quando se assumia que ninguém teria de repetir um ano até adquirir os conhecimentos definidos. Ele falou durante um bom bocado e só confirmou que as novas políticas públicas de educação rumavam em direcção ao maravilhoso mundo do pensamento mágico. A trajectória não teve grandes mudanças e o mais difícil será mesmo mudar a mentalidade do facilitismo que entretanto de enraizou.

    1. Não se enraizou nas escolas (ainda) e a maioria não as segue a não ser naquilo em que não podem fugir. O problema dos dirigentes das instituições da educação é que não percebem nada da educação escolar e pensam que os alunos das escolas são como os da universidade e nunca pedem opinião às pessoas que estão nas escolas. Fazem políticas de cima para baixo e não querem saber. Fazem lembrar os poderes europeus a dividirem África à revelia dos africanos. Nós professores somos todos licenciados, a maioria com mestrados, em dia há muitos com doutoramentos, todos temos cursos vários de pós-graduação, fazemos formações em pedagogia, metodologias, didática das disciplinas que leccionamos, tecnologias digitais… É obrigatório fazer formação, pelo menos ano sim, ano não. E aprendemos muito porque temos alunos com necessidades e temos que resolver os problemas em prazos curtos. E temos um repositório de experiência de dezenas de anos. Eu e as pessoas da minha geração, não temos problemas de disciplina. Temos problemas com alunos particulares porque de vez em quando há pessoas muito mal formadas, mas não de indisciplina. Sei como não ter problemas de indisciplina e os meus colegas da minha geração também. Mas ninguém quer saber. Nada disso conta e o que conta é dizer mal e impor políticas nefastas.

      Na minha escola esse sistema dos semestres está a ser usado em certas disciplinas e tem-se recolhido dados para saber as vantagens e desvantagens. Há vantagens para os professores que ficam com menos turmas, o que é bom, mas há desvantagens para os alunos. Lá está, os alunos não são alunos universitários, não têm autonomia, têm uma energia descendente e dependem muito da relação com o professor e os que começam a disciplina no segundo semestre têm sempre um desempenho muito abaixo e chegam a ficar um ano inteiro sem uma disciplina, que pode ser o inglês, por exemplo. Um ano inteiro sem contacto com a língua. Isto tem um impacto negativo muito grande nestas idades. Mas os jornais falam das coisas como se fosse um atraso ter as disciplinas por trimestre.

      Há imensas questões que as pessoas falam sem saber. Falam por alto do que ouvem e lêem nos jornais. Como se eu agora fosse falar dos juízes trabalharem x horas e que era melhor que fizessem intervalos… o que é que eu sei dos meandros da profissão de juiz e do que lá se passa para dizer se isto é melhor ou pior? Sei apenas o que vem nos jornais e o que me dizem pessoas que contactam com o sistema mas isso não é nada. Nada… mas de educação todos que não estão nas escolas sabem tudo, menos os professores… nós professores somos todos estúpidos, ignorantes, não sabemos mexer num telemóvel, ou fazer uma aula virtual ou um blog, somos faltistas, embirramos com os alunos… e sei lá que mais.

  7. Excelente texto.
    Julgo que uma maneira será dar projectos complexos para as crianças resolverem. Terem de usar o cérebro.

  8. Aqui vão os meus “two cents”.
    Vivi bem (depois de regressar de África). Um ordenado de bancário mais um pequeno rendimento pessoal, Carcavelos e Cascais, depois Carcavelos e Baixa. Já com mais de trinta anos, circunstâncias familiares impuseram-me responsabilidades administrativas que de todo dispensava. Aí faltou-me o tempo para diversão e convívios de prazo curto. Casei com 39 anos, tive o meu primeiro filho depois dos 40 e a última depois dos 50. Claro que já não tive paciência para os acompanhar como mereciam. Depois deste longo intróito, vamos à questão.
    Para tirar a carta de condução, tive aulas teóricas e práticas e fiz o respectivo exame. Para entrar para o banco e, mais tarde, para obter uma promoção expressiva, fiz um dia inteiro de testes psicotécnicos (com uma senhora de assustadora fama e que era quem também fazia as admissões para a TAP). Para casar e ter filhos, ninguém me perguntou nem ensinou nada.
    Não sendo admissível pressupor que conduzir ou trabalhar num banco, possam ser mais importantes para a sociedade do que manter uma família e educar filhos, a única conclusão possível é que isso não era necessário. E, de facto, não era,… não era mas já não é.
    A família era uma estrutura patriarcal. A autoridade do pai era sempre inquestionável; era um dado que se aprendia e absorvia desde a mais tenra infância. Não quer dizer que a mãe não pudesse ser a pessoa decisiva e muitas vezes era-o. Mas não punha em causa a autoridade paterna a que recorria quando era necessária uma intervenção mais severa ou, mesmo quando não era, apenas para proteger a sua relação de maior proximidade co os filhos.
    Quem teve a pachorra de ler até aqui, já percebeu que este modelo foi, com muito raras excepções, completamente destruído pela evolução da sociedade. Mesmo os recursos de alguns poucos privilegiados, que tinham uma avó disponível, ou até uma daquelas criadas que faziam parte da família, hoje são já casos residuais. A necessidade de ambos os pais trabalharem e o custo de habitações que permitissem uma família alargada, inviabilizaram essa possibilidade.
    Assim o Balio tem alguma razão quando diz que os pais hoje não têm disponibilidade e a Beatriz tem muita, quando diz que a escola não pode dar uma educação parental. E não há solução possível neste quadro político de socialismo estatizante.
    Uma solução possível, começaria pelas creches e pré-primárias, seguindo-se escolas internas ou semi-internas com programas extra-curriculares (idealmente escolhidos pelos pais) que suprissem alguma educação parental. Isso está hoje ao alcance de pais que possam pagar colégios particulares e, especialmente, em escolas religiosas. Aliás o único trabalho sério que conheço de preparação para o casamento é igualmente de organizações religiosas, com destaque para os jesuítas.
    Assim os governos continuarão a defender a primazia da escola pública, enquanto os filhos dos ricos adquirem competências para manter e alargar o fosso para os desfavorecidos.

    1. Balio tem razão sobre os pais não terem disponibilidade? Sim, muitos têm horários de trabalho infernal, mas não são todos. Eu sempre trabalhei muito e nunca esperei que os professores educassem o meu filho. E ia às escolas onde ele andou duas vezes por período, para saber do comportamento dele, de como podia colaborar com os professores para ele evoluir e para pedir que me avisassem se ele começasse a disparatar como fazem os adolescentes. Uma coisa é fazer erros na educação dos filhos que todos fazemos outra diferente é não ter paciência para fazer o que tem de ser feito. Não se pode estar de costas voltadas para a escola dos filhos e esperar que eles façam um bom percurso. Muitos não estão para ter o trabalho de educar os filhos, porque de facto, dá muito trabalho e exige sacrifícios do tempo de descanso, de paciência, de leitura para manter-se actualizado. Hoje-em-dia nem precisam de ir às escolas, podem marcar com os DT uma conversa online para saber das aulas e dos filhos e do precisam, mas nem mesmo assim. Não têm paciência, mas vão tendo filhos… alguém depois que trate deles. Às vezes são os filhos mais velhos que se sacrificam pelos mais novos: vão levá-los à escola, ajudam no estudo. Dantes percebia-se, porque não havia contraceptivos como hoje e toda a gente tinha muitos filhos, mas hoje-em-dia? Só os tem quem quer.
      Agora, o que noto é que os pais que não vão à escola, não falam connosco para saber do progresso dos filhos e não colaboram connosco, não fazem perguntas para se informar das situações são justamente aqueles que depois culpam os professores de tudo o que lhes acontece de mal. Os outros não.
      Sobre o tempo que estão nas aulas nós temos controlo mas sobre o tempo em que estão em casa, um professor não tem controlo: se faltam às aulas porque ficaram até cinco da manhã a jogar online ou a ver pornografia ou a ver vídeos no youtube ou a trocar mensagens e fotografias com as namoradas. Isso é trabalho parental. Nós só podemos avisar desses perigos, mas não vamos a casa dos alunos fazer essa educação. Enfim, qualquer dia também nos atiram mais esse serviço para cima…

  9. Muito poucas crianças têm interesses extracurriculares que não estejam de algum modo ligados à ou pela internet. É, como diz, praticamente uma tarefa hercúlea interessar um jovem por um livro e conseguir que o leia em menos de três meses. Já experimentei.
    A falta daquilo que chamava cultura geral é notória em todas as áreas.
    O défice de atenção é uma truste realidade.

    1. Uma vez pedi a um aluno do ensino profissional do 11.º ano que lesse meia dúzia de linhas de um texto onde aparecia a expressão “século XVIII”. Quando chegou a essa expressão, diz o rapaz: “século xis vê i i i”. Juro que aconteceu mesmo.

      1. Ah, mas os detractores da escola que acham que nós professores somos todos lixo (leia os artigos infames do publico de hoje, esse jornal de sicofantas do governo de Costa – escrevi aqui sobre ele https://ipbeatrizja.blogspot.com/2022/06/hoje-e-aquele-dia-do-mes.html) vão já dizer que pedir a um aluno para ler umas linhas é uma coisa retrógrada e que saber os numerais romanos também e que o ensino devia ser em emojis.

        1. A minha filha mais velha é professora, Beatriz. Sei bem das dificuldades.
          Este comentário da Bal faz- me lembrar a filha da minha melhor amiga, recém licenciada em economia e que não aabe a tabuada, porque ” não é preciso”

          1. Pois, é isso mesmo. Depois um dia está com um cliente a negociar e precisa de fazer um calculo de percentagem de ganhos e perdas e não sabe… e diz que tem de fazer a conta no telemóvel… grande confiança…

          2. Do Bal. Bal de Baltasar.
            A propósito da tabuada, numa aula de uma turma do 10.º ano, estava a tentar explicar as noções de subjectivo e objectivo.
            Quando alguém diz que o copo está meio cheio ou meio vazio são juízos subjectivos.
            Quando alguém diz que o copo tem 25 centilitros de água, é um juízo objectivo. E continuei com o exemplo da matemática. Quantos são 6 vezes 9, perguntei à turma.
            Resposta: Ah! Nós não somos de Ciências, somos de Humanidades.

        2. Pois. Onde é que já se viu andar na Escola e ter que ler umas “cenas” e escrever um texto com sentido? Agora, é a aprendizagem pela descoberta, o aprender a aprender, as “infusões curriculares” e outras baboseiras.
          Fui espreitar o seu blog e já está na barra de favoritos.
          P.S. Comprava o Público só à sexta-feira, por causa do “Inimigo Público”. Como despacharam o pessoal, deixei de o comprar.

  10. Beatriz, é um facto: há cada vez menos gente capaz de ver um jogo de futebol do princípio ao fim. Incapacidade mental e motora.
    Apercebo-me, em grau crescente, que entre os mais jovens – mas não só – se troca a visão integral do jogo, mesmo da equipa de que se dizem adeptos, pelo resumo de três minutos já servido para esse efeito nas redes e nas televisões.
    Isto verifica-se ao vivo, no próprio estádio. Enquanto o jogo decorre, ali à nossa frente, uma parcela cada vez maior de “espectadores” passa o tempo a mirar o teclado do dispositivo móvel. Preferindo olhar em vez de ver. Preferindo olhar em segunda mão: como se a imagem electrónica fosse mais verdadeira do que a imagem real.

  11. beatriz j a, apresento-lhe as minhas desculpas por andar tão ocupado e não ter oportunidade de partilhar consigo mais assiduamente informações relevantes para esclarecimento dos pais e de todo o mundo.
    Os meus amigos, Putin, Lavrov e o ministro de defesa russo, enviam-lhe cumprimentos.
    Um update para ir ao encontro dos esclarecimentos que a beatriz afirma como urgentes:
    A comissária ucraniana para os direitos humanos, Lyudmila Denisova, foi despedida depois que jornalistas ucranianos e advogados e outros organismos ocidentais – certamente pró-russos – questionaram a veracidade do que se propagava sobre a atitude da Rússia na Ucrânia, aqui:
    https://rumble.com/v173362-ukraine-fires-top-official-behind-claims-of-russian-atrocities.html

    Entretanto, mais de 40 navios da esquadra russa no pacífico encontram-se em manobras militares, aqui:
    https://rumble.com/v176v98-over-40-warships-take-part-in-russian-navy-drills.html

    Os Grad MLRS e os MLRS Uragan mantêm a regularidade e a assertividade desejada para que se continue mais e cada vez mais a conquistar terreno na Ucrânia em prol do povo do Donbass, da Rússia e da Humanidade, aqui:
    https://rumble.com/v16tfb0-russias-grad-mlrs-crews-operate-at-night.html

    https://rumble.com/v16xlzj-mlrs-uragan-and-uav-orlan-crews-conduct-joint-combat-work.html
    Adicionalmente, Sverodonetsk está nas mãos dos Russos e os ucranianos bateram em retirada nessa região e noutras, deixando alguns soldados na parte industrial de Sverodonetsk para que se repita o mesmo que em azovstal. As forças russas estão agora a atacar pela parte norte do Donbass, da parte nordeste para sul em direcção a Donbass e estão a constituir testas-de-ponte para fecharem o cerco. No meio disto, a região de Karkiv está absolutamente sob bombardeio russo e prevê-se o corte de linhas de abastecimento na próxima semana.
    Marines russos estão a ser enviados para operações especiais em diversas regiões, aqui:
    https://rumble.com/v16z6zh-russian-marines-filmed-in-action-near-donetsk.html

    As taxas de juro na Rússia baixaram para 11% (estavam em 20% e depois passou para 14%) com uma taxa de inflacção MÉDIA de 8,7 a 9,1% e com sectores da economia em expansão, que ocupam o lugar daqueles que saíram e das importações que felizmente não são mais feitas.
    Um agradecimento em particular ao ministro de defesa russo que generosamente tem libertado imagens para melhor esclarecimento dos povos ocidentais.
    Nota: neste momento não se discute o Donbass, mas o avanço das tropas russas para a parte centro-norte da Ucrânia e do rio Dniepre.
    Estou certo que a partir destas notícias os pais estarão mais atentos a todo o tipo de informação que é dada a seus filhos.

    E deixo ainda esta notícia para sua informação:
    https://multinews.sapo.pt/noticias/novo-tipo-de-vacina-contra-o-cancro-apresenta-resultados-promissores-em-laboratorio-avancam-cientistas/

    1. Só faço três perguntas:
      1ª – porque é que a Rússia faz depender todo o passo que dá de se levantarem as sanções se tudo vai bem no reino da Dinamarca, por assim dizer?
      2ª – está de acordo com a chantagem com os cereais que têm roubado aos ucranianos e bloqueado nos portos?
      3ª – Não lhe parece a recriação da estratégia estalinista do holodomor ou é dos que nega esses factos?

      1. Antes de iniciar as respostas a seu questionamento, permita-me dizer-lhe que se precisar de alguns diamantes para um anel ou brincos ou até mesmo um solitário, tem agora um excelente mercado em desenvolvimento no Dubai com a transferência de negócios da Bélgica, mercado tradicional e de alguma lapidação, para aí. Os russos percebem disto.
        Adicionalmente, permita acrescentar que a história dos embargos não resultam nem mesmo no petróleo. Porquê, pergunta a beatriz? Porque se eu refinar petróleo russo, e há muito onde ele se refine, e exportar a gasolina ou gasóleo já refinados, como alguém saberá detectar uma molécula de petróleo russo depois de refinado?
        Adicionalmente, Biden e seus caciques na EU foram pedir massas à Noruega. E a resposta da Noruega foi algo assim, traduzido para o vernáculo: meninos, nós aqui não temos pão para malucos.
        Sobre sanções, aqui:
        https://rumble.com/v16jomv-sanctions-against-russia-reality-check.html

        Respostas:
        1 – Como informei, o que está em causa nas sanções são os cerca de 300 M. Milhões até agora roubados aos russos. E é natural que eles salvaguardem a propriedade.

        2 – Continua ainda a desminagem da região do mar de azov e báltico provocada pelos ucranianos. Não obstante, os russos trabalham bem e já estabeleceram 2 corredores marítimos seguros para que barcos estrangeiros amigos circulem. A Bielorrússia, em acordo com Putin, permitiu que algum cereal da Ucrânia passa-se por seu território. Certamente que isto deve ter contrapartidas.
        Ver aqui o porto de Mariupol:
        https://rumble.com/v16uz7l-port-of-mariupol-resumes-operation.html

        3 – Tem de escrever o que sabe sobre holodomor, para eu partilhar consigo informação que lhe será útil também sob o ponto de vista académico.
        Agora vou comer algo.
        Beijufas

        1. Esse artigo da estação russa RT não é nada parcial… e baseia as suas conclusões nos embargos de 2014, aquando da invasão da Crimeia, quando todos sabemos agora, que foram sanções de etiqueta protocolar para inglês ver, para terem um pretexto de continuarem «business as usual». O maior efeito das sanções está no isolamento da Rússia. Não apenas isolamento económico mas também isolamento político, logo, perda de influência no mundo. Conseguiu juntar quem andava desavindo há muitos anos e fazer a ressurreição da NATO. Putin deve morder-se todo de cada vez que se lembra disto.
          300 M. Milhões até agora roubados aos russos? A sério? Se fossemos medir as perdas da Ucrânia em vidas, em bens, emigrações e lucros cessantes, quantos milhares de milhões a Rússia roubou?

          1. A beatriz deixa-se afectar por propaganda e depois obriga-me a esclarecimentos adicionais para os pais e para o mundo.
            Vamos lá: Conhece o MIR? O MIR é o sistema de pagamentos russo que elimina a necessidade de suas transacções (cortadas) através do SWIFT. Conhece o Union pay chinês? É o sistema de pagamentos chinês que elimina qualquer eventual contrariedade do SWIFT. Conhece o sistema de pagamentos Indiano à margem do SWIFT? É o sistema de pagamentos que lhe possibilitará e possibilita as transacções com outros parceiros.
            Como explica a beatriz que a Rússia mantenha transacções com a China, India, Irão e outros países para além do sistema de permutas?
            Que isolamento vê a beatriz com o reforço da Rússia na OPEC+ que ocorreu há 15 dias?
            Sabe que India, China, Irão e Rússia representam mais de 40% da população mundial?
            E o Brasil e África do Sul? Também pensa que a Rússia está isolada destes. E os países árabes?
            Sobre os efeitos ACTUAIS das sanções:
            https://economictimes.indiatimes.com/industry/cons-products/fashion-/-cosmetics-/-jewellery/diamond-traders-fear-job-losses-even-as-russia-co-assures-supply/articleshow/89955339.cms

            https://www2.deloitte.com/us/en/insights/economy/global-economic-impact-of-sanctions-on-russia.html
            Sobre a Nato: que evolução pode mostrar a beatriz sobre a adesão da Finlândia e Suécia à nato? Sabe que os sistemas de alerta e defesa em ambos os países já são da nato há anos? Acredita que o circo em torno disto incomoda Putin?

            Sobre holodomor, não tem nada para escrever?

            Que país é este que não tem alternativa para comida para bebés? É esta a estratégia e organização dos USA?
            https://rumble.com/v17asat-white-house-continues-being-forced-to-clarify-bidens-statements.html
            Que país é este que após ter aprovado ajuda de 40 Bi USD teve que firmar um auxílio adicional de 700 M para armamento? Acredita que a Ucrânia vai receber esse montante (40 BI) em ajudas de armamento? Sabe o que representa em termos de “auxílio” o que a Ucrânia eventualmente receberá?
            Que historieta é esta da Alemanha ter aprovado auxílio de material sofisticado à Ucrânia que até nem em stock tem em suas forças armadas?

            A perda em bens e vidas na Ucrânia é problema do Biden-Zelensky-Johnson e comparsas. Existe uma guerra na Ucrânia desde 2014; e só agora se preocupam com perdas de bens e vidas? Só agora se lembram que existe uma guerra na Ucrânia e que vivem por lá pessoas?
            Beijufas

            1. Ah, eu deixo-me afectar pela propaganda?
              Como é isso de comparar a falta de leite em pó nos EUA a um genocídio pela fome de milhões de pessoas’
              Li que a Arábia Saudita esta a produzir mais petróleo para compensar o embargo ao russo. Isso não é ser amigo dos russos.
              Quanto à China e à Índia, veremos.
              Quanto à invasão da Crimeia e da guerra desde então, eu comentei isso muito no meu blog e acertei na estratégia russa antecipadamente. como vê, não estava totalmente enganada pela propaganda…

            2. beatriz j a, tome bem nota do que vou escrever e dos nomes que escrevo agora.

              Mais acima falei-lhe de bombardeamentos intensos na região de Karkiv. Porém acabei de receber a seguinte informação (tome nota agora dos nomes):
              Algo está a acontecer no corredor junto ao rio entre as localidades PECHENIHY e STARYI SALTIV. É provável que os rapazes ucranianos tenham feito um bom trabalho neste corredor, ainda que na minha perspectiva possam vir a ser armadilhados. Eu acredito que algo aconteceu em termos de movimento de tropas, na medida em que havia movimentos russos pouco compreendidos até agora em termos militares.

              Recebi agora a informação que os russos tomaram TERNOVA. Como tomaram Ternova, aparentemente pouco estratégica até agora, isto confirma que algo se está a passar no corredor que eu acima referi.
              Indica ainda esta situação – a tomada de Ternova – que os russos vão avançar, CERCANDO os ucranianos, em direcção a Staryi Saltiv e SHESTOKOVA. E aqui os rapazes ucranianos talvez tenham de se entregar.
              Temos de aguardar até à próxima semana.
              Lysychanko também caiu para as mãos dos russos.
              Há ainda informações que a legião estrangeira que ajuda a Ucrânia é composta também por polacos.

              Agora respostas:
              A falta de leite para bebés só pretendia significar que o vovô Biden é um taralhouco que não é capaz de resolver uma coisa simples, quanto mais fazer a guerra com os russos.
              Pois, a Arábia Saudita aumenta produção e os preços estão a subir. Por favor, beatriz.

              Os russos não tiveram qualquer estratégia, foram obrigados a anexar a Crimeia e agora a apoiar directamente o povo do Donbass.
              Agora vou descansar, pois amanhã há mais informação a actualizar.
              Beijufas

            3. ‘foram obrigados a anexar a Crimeia ‘ é a frase do ano…
              Biden tem sido impecável na estratégia com a Rússia de Putin.

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