
NUMA SALA MESMO PERTO DE MIM
Quando estou a viver fora dos grandes meios urbanos, o que actualmente mais encontro são vantagens. Com algumas (poucas) desvantagens à mistura: não encontro muitos cinemas e não encontro muitos filmes à escolha. Resta o recurso à tecnologia caseira, que ganha nova dimensão quando as condições do mercado são limitadas. Foi esse recurso que me permitiu trazer e ver, numa sala sem pipocas e sem refrigerantes, o Gran Torino. Passou em minha casa ontem à noite.
Eastwood co-autor, Eastwood co-produtor, Eastwood realizador e Eastwood actor. Um estupendo filme do ano passado que conta com Scott Eastwood, o mais novo da família, e com Kyle Eastwood, o mais velho da descendência e co-autor do tema musical.
Não é apenas um dos filmes mais completos que Eastwood assina: Gran Torino é um retrato de vida que podia ser a vida dele mesmo. O clássico e cobiçado Ford Gran Torino de 1972 está lá, claro, clássico e cobiçado bem ao gosto norte-americano; mas não é pelo roncar dos mais-que-muitos cavalos do motor Cobra, pois não passa de mero adorno a servir de pretexto.
Clint Eastwood é como o Vinho do Porto: quanto mais história tem para contar e mostrar, melhor conta e mostra. E consegue provar que se mantém na escala ascendente que poucos como ele sabem percorrer, fruto da segurança e inteligência de quem é génio naquilo que faz e gosta de fazer.
Gran Torino não tem discussão: um argumento de enorme qualidade para uma interpretação magistral. E Eastwood não procura disfarçar a idade – antes a aproveita e a apresenta como factor de peso.

Gentle now the tender breeze blows
Whispers through my Gran Torino
Whistling another tired song
Engine humms and bitter dreams grow
Heart locked in a Gran Torino
It beats a lonely rhythm all night long
http://www.youtube.com/watch?v=NoLc43Yu uTw
Isso mesmo, Jorge.
se estivesse estado no algarve, mais propriamente em faro, teria podido ve-lo ao luar… cinema ao ar livre nos claustros do museu municipal…
estar fora dos grandes centros urbanos tem dessas vantagens 🙂
Quando tem… quando tem…
sim, claro 🙂
quis só salientar que no Verão há muitas localidades que oferecem cinema ao ar livre, um pouco por todo o país.
Sem dúvida um dos melhores filmes deste ano. Tão novo e já tão clássico como o Gran Torino, ‘lui même’.
Este ano tivemos já o privilégio de ver dois filmes de Eastwood em estreia. Um verdadeiro privilégio. Eu, que ainda vi filmes de John Huston e Billy Wilder em estreia, sei bem o valor que isso tem.
Podes dizê-lo, compadre.
João, já o vi e é daqueles filmes que veria (ou verei) outra vez.
Também acho que faz parte dos filmes de que não negarei uma reposição.
:))
Muito recomendável, Maria do Sol. Por qualquer razão, atrevo-me a achar que vai gostar. Muito.
Seguramente, João Carvalho. [E, como vê, morar nos “grandes meios urbanos” pode não querer dizer muito. Oh p’ra mim que ainda não vi 🙁 ]
Mas não o perca.
Esteja certo disso. Quando vir o Gran Torino não o largo mais… :))))))
Não há que enganar: é o de 1972, com motor Cobra.
Não confundir com os torinos à corda…
Se bem entendo, isso é mais na Terceira. :))))
Na terceira a contar da esquerda.
Se for de norte para sul, ou estou a ver mal?
:))
Oeste-Leste.
Um cineasta corrosivo
sobre a dura realidade,
de pensamento incisivo
coberto de genialidade.
A simbologia poderosa
de um Ford potente,
numa fita decorosa
sobre gente descontente.
Uma lição de gente de diferentes raças, Amêijoa.
Também e sobretudo isso, sem dúvida!
Adenda:
Uma lição racial
com muita violência,
sobre a raiz social
de muita indolência.
Vi quando estreou, na antiquada e sempre confortável sala do Londres… e foi dos melhores filmes vi nos últimos tempos. Será uma injustiça se não for nomeado para o Óscar.
Não posso estar mais de acordo.
Já não pode. O filme estreou nos Estados Unidos em 2008. Chegou a ser dado como hipótese para as nomeações deste ano, mas acabou por não ser escolhido. Terá sido um dos motivos que levou a Academia a aumentar o lote dos nomeados de 5 para 10 na próxima cerimónia.
Como digo no ‘post’, é realmente um filme do ano passado. Não sabia é que já não pode e acho lamentável.
Somos dois, então (ou mais). De entre os filmes nomeados a Óscar no ano passado, será melhor do que qualquer um da lista, facilmente.
É muito possível, John.
João, já tive oportunidade de comentar o filme quando o vi no cinema. Remeto o meu comentário, portanto, para o post: 09/03/gran-torino.html
http://patiodasconversas.blogspot.com/20
Abraço.
Fui ler e subscrevo, Ricardo.
Um abraço.
Como já disse o Pedro, um dos bons filmes que vi este ano que tem sido de boa colheita cinematográfica.
E é mesmo, Carlos.
É daqueles filmes de que se sai da sala de cinema sem palavras. Tudo flui com tanta naturalidade que até parece óbvio.
Tal e qual, Ariel.
Eu nem saí da sala, veja bem…
Que mau! :)))))))
Hehe…
Um filme magnífico, João. O Clint Eastwood é muito melhor agora do que quando era novo, acho eu que não gostava muito dele como actor.
Maduro e refinado.