Eastwood e um potente Ford de 1972


João Carvalho,

1972 Ford Gran Torino Sport SportsRoof

NUMA SALA MESMO PERTO DE MIM

 

Quando estou a viver fora dos grandes meios urbanos, o que actualmente mais encontro são vantagens. Com algumas (poucas) desvantagens à mistura: não encontro muitos cinemas e não encontro muitos filmes à escolha. Resta o recurso à tecnologia caseira, que ganha nova dimensão quando as condições do mercado são limitadas. Foi esse recurso que me permitiu trazer e ver, numa sala sem pipocas e sem refrigerantes, o Gran Torino. Passou em minha casa ontem à noite.

Eastwood co-autor, Eastwood co-produtor, Eastwood realizador e Eastwood actor. Um estupendo filme do ano passado que conta com Scott Eastwood, o mais novo da família, e com Kyle Eastwood, o mais velho da descendência e co-autor do tema musical.

Não é apenas um dos filmes mais completos que Eastwood assina: Gran Torino é um retrato de vida que podia ser a vida dele mesmo. O clássico e cobiçado Ford Gran Torino de 1972 está lá, claro, clássico e cobiçado bem ao gosto norte-americano; mas não é pelo roncar dos mais-que-muitos cavalos do motor Cobra, pois não passa de mero adorno a servir de pretexto.

Clint Eastwood é como o Vinho do Porto: quanto mais história tem para contar e mostrar, melhor conta e mostra. E consegue provar que se mantém na escala ascendente que poucos como ele sabem percorrer, fruto da segurança e inteligência de quem é génio naquilo que faz e gosta de fazer.

Gran Torino não tem discussão: um argumento de enorme qualidade para uma interpretação magistral. E Eastwood não procura disfarçar a idade – antes a aproveita e a apresenta como factor de peso.

40 comentários em “Eastwood e um potente Ford de 1972”

  1. se estivesse estado no algarve, mais propriamente em faro, teria podido ve-lo ao luar… cinema ao ar livre nos claustros do museu municipal…

    estar fora dos grandes centros urbanos tem dessas vantagens 🙂

  2. Sem dúvida um dos melhores filmes deste ano. Tão novo e já tão clássico como o Gran Torino, ‘lui même’.
    Este ano tivemos já o privilégio de ver dois filmes de Eastwood em estreia. Um verdadeiro privilégio. Eu, que ainda vi filmes de John Huston e Billy Wilder em estreia, sei bem o valor que isso tem.

      1. Seguramente, João Carvalho. [E, como vê, morar nos “grandes meios urbanos” pode não querer dizer muito. Oh p’ra mim que ainda não vi 🙁 ]

  3. Vi quando estreou, na antiquada e sempre confortável sala do Londres… e foi dos melhores filmes vi nos últimos tempos. Será uma injustiça se não for nomeado para o Óscar.

      1. Já não pode. O filme estreou nos Estados Unidos em 2008. Chegou a ser dado como hipótese para as nomeações deste ano, mas acabou por não ser escolhido. Terá sido um dos motivos que levou a Academia a aumentar o lote dos nomeados de 5 para 10 na próxima cerimónia.

          1. Somos dois, então (ou mais). De entre os filmes nomeados a Óscar no ano passado, será melhor do que qualquer um da lista, facilmente.

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