Efeitos do entretenimento político: Marcelo Rebelo de Sousa e o “activo soviético”


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O Presidente da República lançou mais uma atoarda, dizendo que Trump é um “activo soviético… ou russo”. Uns dizem a situação inadmissível, outros apoucam-na, julgando – com alguma pertinência – que o governo dos EUA nem atentará no dislate. De facto, o fundamental nem é a possível repercussão diplomática do episódio. Mas sim utilizar mais esta tropelia para reflectir sobre como o rumo do regime chegou até aqui.

O mais relevante destas declarações é que divulgam ter o PSD convidado Rebelo de Sousa para falar num curso de Verão organizado para a sua “juventude”. Ou seja, ao fim de uma década de um pungente, de incompetente, exercício presidencial o partido actualmente no governo ainda recorre a este homem para “formar” os seus futuros quadros.

“Marcelo” não é um símbolo destes 50 anos de regime. É – desde o início – um seu agente, até frenético. Convertendo-o na república da politiquice (sumariado no célebre caso da vichyssoise) e da jornalice (o rio de insinuações no velho “Expresso” e o jorrar das “fontes próximas de Belém” no actual “Expresso”). O verdadeiro arauto da deriva populista – “eu com o povo”, num além-partidos, isso que tantos julgam ter sido (re)criado por aquele mais novo professor de Direito, que agora se agita.

É ele também o fruto da incultura generalizada – num país ainda do “respeitinho”, de mesuras diante de um mero lente de Direito, e que se espanta diante de quem “mostra livros”, mesmo que nada de substantivo deles diga. E é, acima de tudo, um agente incompetente, por “bem sucedido” que pareça ser pois alcandorado a Belém – um pouco também por não ter quem o rodeie, não só pela sua adesão ao populismo egocentrado mas também pelas suas consabidas características pessoais, murmuradas por aqueles que com ele interagiram (por mais que, volta e meia, haja “artigos” jornalísticos louvando a sua pessoa). Enfim, MRS é uma mácula, que espero não venha a ser indelével.

A grande interrogação é a de saber como é que um pequeno homem destes chegou até a PR e ali se vem mantendo. Isso só foi possível devido à inculcação do eleitorado através do entretenimento político televisivo. Emitir canais generalistas é algo caro. Sentar pessoas a falar em estúdio, fazer “rádio” com imagem, é forma menos dispendiosa de o fazer. Para isso o melhor, o mais apreciado pelos “caros telespectadores”, é distribuir “comentários” futebolísticos e políticos.

“Marcelo” foi hábil e vácuo nisso. Produziu boas receitas para as estações televisivas, e por isso estas ao longo dos anos fizeram-no “parte da família” das audiências. E assim há uma década que perora, de forma cruelmente incompetente, em Belém. Espero que nas próximas presidenciais, com vários candidatos já enfileirados, possamos eleger alguém bem diferente, venha lá de que área política vier. Com a ponderação e a cultura que este medíocre Rebelo de Sousa nunca teve.

Presunção e água benta, cada um toma a que quer… De presunção eu tomo esta dose: ao longo dos anos fui escrevendo vários postais em diferentes blogs sobre este Rebelo de Sousa, homem que sempre desconsiderei. Recolho agora alguns deles, e congrego-os aqui, na tal presunção de que a sua leitura possa a alguém ser interessante – recordando este rumo do pior presidente da república que a nossa democracia já teve.

Sublinho que o primeiro postal que sobre ele recupero é de 2008, bem antes de eu imaginar que o homem viria a ser PR. Nele apenas ecooei como a minha filha, apesar de então nos seus cândidos seis anos, desvendou a desonesta vacuidade daquele “Marcelo”. Pois, de facto, só não viu quem ele é quem não quis. E, agora, só a organização da “Universidade de Verão” do PSD é que não vê quem ele é. Nisso se tornando ferrenha cúmplice desta desgraça intelectual. E política.

23 comentários em “Efeitos do entretenimento político: Marcelo Rebelo de Sousa e o “activo soviético””

  1. “A grande interrogação é a de saber como é que um pequeno homem destes chegou até a PR”

    Simples, descubra porque ninguém o criticou quando ele deu uma das maiores bofetadas á Democracia indo logo a pós ser eleito pela primeira vez ao beija mão ao Ditador Comunista Fidel Castro. Indica que para a personagem se pode ser um ditador legítimo – isso de voto do povo é só um detalhe- e merecedor de subservientes eleitos democráticos.
    Para o personagem e para os jornalistas, pois Fidel Castro para os jornalistas não é um Ditador é um Líder. O jornalismo que tivemos e temos explica muito de Marcelo. E Marcelo explica muito do jornalismo.

  2. Eu começo a pensar que os nossos politicos vivem obcecados com a Ucrania, que já colocam os interesses ucranianos à frente dos portugueses!!!

  3. O Marcelo faz-me rir nestes dias cinzentos com o seu intelecto aprimorado de humor. Ter um homem destes sabichão é uma excitação que nos dá comichão de manhã a noite ao contrário de alguns enfezados que andam pra aí a divagar na maionese.

  4. Não aprecio nada MRSousa, mas quer se queira ou não, ele disse uma grande verdade.
    Só não vê quem não quer. Trump queria dar de mão beijada 20% da Ucrânia que equivale ao tamanho de Portugal. Nada deu e agora cobra a todos nesta Europa.
    Cumps.

    1. Ou seja para si todos os lideres Americanos e Europeus da Guerra Fria eram assets de Moscovo. Roosevelt, Truman e Churchill por exemplo deram toda Europa de Leste à URSS.

      Espantoso como todos se tornaram “Falcões”. Notar que agora “Falcões” “Pombas” é expressão censurada pelo jornalismo.

  5. Desta vez não concordo com o jpt.

    O que o jpt apelida de “tropelia”, eu vejo antes como uma versão de ter a coragem de “chamar os bois pelos nomes”. Fez muito bem MRS em proferir aquela afirmação e tanto me faz que tenha sido num evento partidário, como num passeio pela rua. Se outros líderes mundiais seguissem o seu exemplo e não “amochassem” perante o mentacapto Trump, talvez o mesmo fosse forçado a perceber o ridículo das suas acções e da sua verborreia habitual. Menosprezar as declarações de MRS não parece o caminho certo para enfrentar a criatura horrenda que comanda o destino dos Estados Unidos e do Mundo.

    Pela idade que tenho, em relação a Presidentes da República, só me recordo vagamente de Ramalho Eanes e recordo bem Mário Soares, Jorge Sampaio e Cavaco Silva. Olhando para MRS diria que, por diversos motivos que aqui não vou explicar, o mesmo tem tido uma prestação muito melhor do que os seus três últimos antecessores, ainda que, por vezes, também não me agrade o seu estilo excessivamente descontraído, à laia de “conversa de café”. Às vezes exagera nisso, mas tem conseguido uma coisa que nem todos se poderão gabar de ter concretizado: mostrar-se simples e efectivamente próximo dos seus concidadãos. Vejo isso como uma qualidade, que me parece genuína, e não como uma forma de “populismo popularucho”.

    Quanto às “politiquices”, acredito que esse “bichinho” que, de resto, acompanha MRS desde sempre, não o tenha abandonado. Mas, afinal, todos têm direito a algum “vício”. Não vejo isso como um “pecado imperdoável”.

    E, sim, existirão por aí muitas “eminências pardas”, de muito duvidosa qualidade, com o título de Professor Catedrático, mas com franqueza, e pelo que conheço, não me parece que seja o caso de MRS.

    MRS terá com certeza muitos defeitos, mas quem os terá?

    1. Alienação pelo jornalismo dá em resultados como da Paula Dias.
      Há 40 anos você seria uma pomba a marchar contra os mísseis da NATO depois de ver o “The Day After” talvez até se tivesse inscrito no Partido que nasceu para defender os SS-20 apontados a Portugal: PEV.

      1. Lamento desiludi-lo, “lucklucky”, mas não sou alienável, penso por mim própria.

        Já a si devem ter dado uma “injecção” muito forte, pois só assim se compreenderá a limitação do seu pensamento, traduzida, frequentemente, por uma “cassete” a lembrar, veja bem, o Partido Comunista Português/PEV. Tenha cuidado, está a ficar igualzinho àqueles que tanto critica e rejeita. Deve ser aquela velha teoria que postula a atracção e a igualdade dos opostos…

        O “lucklucky” mais parece um daqueles comunistas retrógrados a debitar alarvidades, como se as mesmas fossem verdades incontestáveis. Se conseguir, tenha a ousadia de pensar por si próprio, liberte-se e saia da caverna onde se encontra encarcerado. Vai ver que é muito melhor viver fora dela e em Liberdade.

    1. Pois mas o Marcelo é Presidente da República e não um comentador de tasca. Existe essa “pequena” diferença.

      1. Eu, por acaso, até gosto muito de tascas, mas que sejam das genuínas. Não gosto das milhentas imitações que por aí proliferam, praticamente uma em cada esquina, modernices que, na realidade, nem sequer cheiram a tascas. Não sei se sabe, mas tascas verdadeiras têm um cheiro muito característico, no bom sentido. Aprende-se muito nas verdadeiras tascas, caso não o saiba.

        Portanto, pode apelidar à vontade MRS como “um comentador de tasca”, que isso, para mim, funciona como um elogio. Desde que sejam das genuínas e não das postiças, volto a dizer.

  6. E atrás de um pequeno homem outro pequeno homem virá, também produzido por inculcação do eleitorado via entretenimento político televisivo – com sorte, que até pode ser via entretenimento futebolístico ou de apagamento de fogos ao vivo…

    É como diz: só não vê quem eles são quem não quer. E suspeito que ainda nos vamos lembrar de algumas qualidades do Marcelo, pelo menos despachava o trabalho que lhe competia, não fazia “vetos de gaveta” nem ia de férias meditar nos assuntos.
    O que só torna ainda mais penoso o resto, evidentemente.

    Contrita, mas que quer?, confesso que achei um piadão à da ‘vichyssoise’. Estiveram bem um para o outro, o Portas, que também sempre teve a mania que estava dois passos adiantado a toda a gente e que é um mestre dos bastidores, papou do próprio veneno – é que nem nunca percebi muito bem porque ficou tão ofendido que nem conseguiu disfarçar. Foi buscar lã, saiu tosquiado, acontece aos melhores, o que até nem é o caso dele.

  7. “Presunção e água benta, cada um toma a que quer…”
    Não é assim. É assim: presumbenta e aguação cada quer toma a que um.

  8. Aparentemente não basta o “poder votar”, o escolher um Presidente. Será pouca prática em fazer escolhas de semelhante teor?. Será o hiper-clubismo partidocrata que reina por aqui?. Um dos melhores PR, no pós 25 de Abril, nem era de origem partidária, embora quase tenha deixado estragar a pintura.
    Porque não aparecem mais candidatos sem laços partidários para uma função de Estado iminentemente supra-partidária ?.

  9. As pessoas votaram nele…
    Incontinência verbal já não é tão grave quanto isso, o que interessa mesmo é gerar tráfego

  10. Marcelo é o exemplo de que um homem está melhor sozinho do que com uma mulher rateira. A liberdade de dizer coisas é muito mais espontânea e instantânea sem ter ao lado nenhuma primeira dama.

  11. É sempre comico os inimigos figadais do PS encontrarem entre familiares politicos mais ou menos próximos, elementos que gostariam de colar ao PS para neles arrearem de forma mais violenta e brutal.
    Ainda não perceberam que no melhor pano cai a nodoa e que muito próximo ou mesmo ao lado encontram o que aos outros apontam.
    ” Espero que nas próximas presidenciais, com vários candidatos já enfileirados, possamos eleger alguém bem diferente, venha lá de que área política vier”, atendendo à liberdade de escolha patente na afirmação, sugiro o camarada António Filipe.
    Por fim, com mais ou menos adequação, a afirmação de MRS, infelizemnte, é comprovadamente veridica.

  12. Ainda me lembro do comentário dele na TVI sobre o AO: era bastante mau, ele não iria adoptá-lo, mas encolheu os ombros, que podemos fazer?

    (talvez já a adivinhar que o filhinho dele ia tentar papar a brazuca das gémeas uma década mais tarde)

    E o papagaio de Rebelo de Sousa é ainda mais inútil do que ele.

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