Ou seja, com esta história dos hambúrgueres, Ventura transformou a imagem de um Presidente tagarela e meio gagá, num Presidente simpático e bem visto, até pela esquerda. Os memes que se vêem, nas redes sociais, são todos muito generosos com Marcelo Rebelo de Sousa. Como se fosse ele o autor de um humor fino e descontraído. E isto, vindo de vários quadrantes políticos. É obra!
Ele há coisas…
Cristina Torrão,

Cara Cristina, não se deixe iludir, a sua reação é igual à de muitos.
Peço-lhe que pense e me diga se o Ventura é assim tão burro. Acha que é?
Meu caro, o Ventura pode ser tudo, menos burro. É claro que ele sabia o significado de “Bürgerfest”, desde o início. Mas quis armar confusão, como sempre, provocar uma grande discussão sobre os gastos com dinheiros públicos. Desta vez, porém, enganou-se. Além de não provocar a tal discussão, acabou a ser ridicularizado por uma ignorância que até nem tem. E este efeito em relação ao Presidente foi um efeito secundário, que ele também não previu.
A prova de que deu um tiro no pé, foi a remoção do vídeo, poucas horas depois, por ele próprio, onde falava no “Festival de Hambúrgueres”.
Um lapso, porque até Deus erra.
E, segundo ele, Ventura, o seu lapso é completamente justificado pelas 1500 viagens ao estrangeiro que Marcelo fez à custa dos nossos impostos – que na realidade foram cerca de 160, deve ser um lapso relapso… É mesmo um tipinho reles.
Foi mesmo asnice, não vejo outra hipótese, até atendendo à pergunta que a final dirige aos espectadores do circo: quão ridículo e quão estúpido achamos que aquilo é? Se fosse de propósito para o Óscar da burrice não teria feito diferente, nem pior.
Agora os aficionados tentam conter os estragos, apresentando como inteligente maquiavelice o que mais não foi do que uma monumental figura de urso. Já o urso, encurralado, tentou justificar o disparate com mais uma mentira histriónica e facilmente rebatível, para mais insistindo que o Marcelo não ia fazer nada de útil à Alemanha à tal Festa do Não-hambúrguer…
Os nossos emigrantes lá devem ter gostado bastante da cortesia.
Ponham mas é mais burro nisso.
O Ventura, de facto, não será assim tão burro, pois claro que não. Pelo menos, tem a esperteza de saber iludir muitos imbecis, trogloditas acéfalos que, além de não pensarem, também se deixam manipular. A esperteza, que não deve ser confundida com inteligência, às vezes dá em anedotas nacionais. É o caso presente.
Claro também está que os trogloditas acéfalos, seguidores fervorosos do “querido líder”, continuarão a apoiá-lo, faça ele o que fizer, e por aí reforçarão a sua notória imbecilidade.
Este episódio também deu para mostrar que ele trata os seus próprios apoiantes como imbecis, inclinados a acreditar nas suas patranhas. Mas nem isso eles notam.
Claro que não notam. A sua ignorância não lhes permite nem mais nem melhor…
O que se poderá esperar da população de um país que é incompetente para ler e compreender um texto simples?
“Segundo entre 30 países com o nível mais baixo de proficiência em literacia, 46% dos portugueses com idades entre os 25 e 64 anos tem muita dificuldade em interpretar textos e só consegue compreender textos muito curtos e com o mínimo de informação irrelevante.”
(SIC Notícias/ Agência Lusa, em 9 de Setembro de 2025, citando os dados mais recentes de um Relatório da OCDE sobre níveis de proficiência em literacia).
A ignorância grassa nas hostes do Chega. E isto não é sequer preconceito, é a realidade.
O partido de André Ventura é o mais votado pelos homens até aos 55 anos e lidera entre os homens que não têm curso superior. Os jovens com menos educação também votaram no Chega. (SIC Notícias em 23/05/2025 e Euro News em 15/04/2024).
Estamos entregues a ignorantes, que comem tudo o que lhes puserem no prato, altamente manipuláveis e putativos imbecis… Triste retrato deste país…
Já vai à frente nas sondagens.
Cristina, burros são os outros
Enfim…
Os seguidores da seita Ventura subscrevem canais que transmitam a Bundesliga, a pensar que se trata de conteúdo para adultos.
Sim, também já me apercebi dessa piada
E pensam que “Bundesrepublik” é assim uma espécie de República das Bananas, mas mais ao gosto alemão, eheheh.
D. Cristina, conte-nos lá: a dita festa é tida como importante aí na Alemanha? Costuma ter impacto ou é uma coisa mais simbólica? É algo recente ou já tem história?
Não tem grande impacto, mas tem tradição, pela causa nobre que representa: homangear o trabalho voluntário, aqueles cidadãos que servem causas nobres, sem esperarem qualquer tipo de remuneração. É um trabalho, muitas vezes, esquecido. Mas importantíssimo. Por isso, é um bonito gesto do Presidente alemão. E, neste ano, Portugal é o país convidado, dai o convite ao nosso Presidente. É dinheiro muito bem gasto!
Os memes que se vêm nas redes sociais não representam a opinião do povo em geral.
De qualquer maneira, gosto desta onda que o ridiculariza.
Tirando a “marina” e até certo ponto o “anonimista” isto é só gente da “bolha” que não sai de casa ou, se sai, não vê nem ouve nada à sua volta.
Então vocês acham que alguém aí na rua quer saber desta história para alguma coisa?
Ou que alguém farto de problemas na vida muda o voto, já há muito decidido, com estas patetices, venham de onde vierem?
Quem já há muito decidiu, aguenta todas as patetices, sim.
Num país de parasitas preguiçosos que vivem à conta do Estado, todos os guardiões do regime são bem vistos — e os outros são uma ameaça.
Quando o PR for a Bruxelas, o Ventura vai acusá-lo de ir às couves…
Ou muito pior, de ir às “couvinhas”…