Eleições e queixinhas


João Carvalho,

 

A noite dos resultados eleitorais suscitou uma série de queixas por parte de variadíssimos candidatos que culminou uma campanha que já tinha originado queixas idênticas e que, por sua vez, repisavam queixas já ouvidas à exaustão nas eleições anteriores. Resumem-se a isto: a comunicação social (as televisões em especial) não lhes deram a cobertura que acham que lhes era devida.

Esta queixa partiu da maioria dos partidos, não só dos pequenos (o que pode entender-se), mas também dos maiores (o que já tem que se lhe diga). Dou dois exemplos retirados das autárquicas após os resultados: Luís Filipe Menezes, social-democrata e vencedor, e Ana Gomes, socialista e derrotada. Esta referiu mesmo que a derrota foi por não ter contado com os media nacionais para chegar aos sintrenses.

A gente sabe dos defeitos e das fraquezas do jornalismo de sempre e reconhece que uns e outras têm vindo a agravar-se e a sofrer desvios pouco recomendáveis. Porém, era suposto que as campanhas eleitorais fossem dirigidas aos eleitores. Mesmo que tenham sido mal planeadas (e há sempre disso), é só o que faz sentido. Por muito jeito que dê a imprensa, sem comprar espaço publicitário nada pode estar garantido.

Pode ser que eu esteja enganado. Nesse caso, todas as iniciativas de campanha foram mal pensadas e os queixosos só podem queixar-se deles mesmos e dos seus conselheiros. Portanto, agora já sabem: para a próxima, poupam no custo do folclore, escolhem os media que mais lhes convém e passam a fazer uns espectáculos à porta deles. E bastam as esferográficas, porque de enfiar bonés parece que já estão fartos.

3 comentários em “Eleições e queixinhas”

  1. A relação descartável entre…

    I Parte

    Como fraldas descartáveis
    assim é a política nacional,
    com desculpas lamentáveis
    de elevador odor irracional.

    Por razões semelhantes
    a mudança é fundamental,
    com posturas humilhantes
    da verborreia regimental.

    II Parte

    A política “tabernizada”
    e em estado miniatural,
    tanta prosápia arrasada
    pelo desarranjo cultural.

    O serviço à comunidade
    muitas vezes capcioso,
    pois grassa a impunidade
    do compadrio faccioso.

  2. A relação descartável entre… (correcção)

    I Parte

    Como fraldas descartáveis
    assim é a política nacional,
    com desculpas lamentáveis
    de elevado odor irracional.

    Por razões semelhantes
    a mudança é fundamental,
    com posturas humilhantes
    da verborreia regimental.

    II Parte

    A política “tabernizada”
    e em estado miniatural,
    tanta prosápia arrasada
    pelo desarranjo cultural.

    O serviço à comunidade
    muitas vezes capcioso,
    pois grassa a impunidade
    do compadrio faccioso.

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