Este é um excerto da última entrevista do Miguel Esteves Cardoso à Ler, que vale a pena ler na íntegra. O eterno enfant gaté da nossa praça volta em força, com a crítica mordaz e desassombrada a que sempre nos habituou. Eu confesso-me fã, desde já e desde sempre. O que não significa que concorde com ele incondicionalmente, ou que lhe dê sempre razão. Por conta da graça, da acutilância e da ausência de teias de aranha, perdoo-lhe muitas vezes os excessos, as vaidades indisfarçáveis e até as crueldades desnecessárias.
Está mais velho, mais volumoso e compreensivelmente mais quebrado, ou não seria o Hotel Palácio um dos cenários escolhidos para a entrevista. Mas reparem na malícia que o olhar ainda conserva, como que a medir o alcance das provocações sobre alguns dos intocáveis nacionais…



Julgo que ainda não li essa entrevista, Ana (é no último número?), embora tenha lido, recentemente, várias entrevistas do MEC. Pessoalmente, embora me pareça que, às vezes, na sua descontracção, «enrola» alguns raciocínios, invejo o seu poder de observação e gosto do seu sentido crítico bem-humorado (hoje certamente mais brando do que no passado). Esse excerto que transcreve diz o que todos sentimos ao ler frases mal construídas: uma enorme incomodidade (quando não o tal nervoso miudinho). Que, no meu caso, é absolutamente impeditiva da continuação da leitura.
Também acontece comigo, Luísa. Não sou capaz de concentrar-me num texto mal escrito, passo logo para o papel de “revisora” e não tenho nenhum prazer na leitura. E não é só em relação aos erros de ortografia, é também em relação à construção e exposição das ideias.
Quanto ao MEC, concordo: às vezes é um bocadinho incoerente. Mas tem graça e não cede a deferências obrigatórias, ainda conserva esse mérito.
(se clicar na citação, pode ler toda a entrevista aqui)
É um merecido elogio este que dispensou ao MEC.
Desde Miúdo, ainda antes de o ler nos jornais, habituei-me a colocá-lo na minha estante com “O Amor é Fodido” e o depois na transição para o “Último Volume”. É um génio um tanto ou quanto alheado do mundo real e acho que isso define tudo.
Por vezes faz-me lembrar aqueles cavalos selvagem que existem nos filmes para crianças. Jamais domados, temos de os deixar andar por onde querem e fazer o que lhes apetece. A nossa missão é olhar e colher com deleite o fruto da sua genialidade.
A entrevista é de se lhe tirar o chapéu, André. O MEC diverte-me e dá-me sempre a agradável sensação de que ainda existem espíritos livres neste país.
Ana, ontem escrevi aqui algo e pelos vistos não ficou gravado.
A entrevista está excelente e prova que a lâmpada do génio que ele é não se apagou.
Tenho os livros todos dele, mas antes de ele ter editado as crónicas já eu as tinha recortado meticulosamente (coisa inédita em mim), para que não se perdessem. Lembro por exemplo de uma que li junto com a minha mãe e minha irmã aquando da morte de meu pai.
Tenho a dizer, contudo, que não gostei mesmo nada dos romances por ele escritos. Quanto a mim, está por provar, que é um bom romancista. Acredito que que o fará!
E eu tenho a confessar que não li os romances dele, Júlia. Acho-o excelente nas crónicas e também tenho esses livros dele, mas não os romances.