Era aqui que eu descia


Teresa Ribeiro,

Era nesta estação de metro que eu descia, todos os dias, para vir para o escritório. Era, mas deixou de ser no dia em que a entaiparam para começar umas obras. Ignoro se trataram logo de pôr os cartazes a informar sobre a data de conclusão das mesmas. A minha experiência dizia-me que só daí a muito tempo eu teria a serventia daquela ala da estação de volta, por isso nem liguei. Ontem passei por lá e, curiosa, fui ver, enfim, o que os tais cartazes diziam. Para o caso de não se ler muito bem na foto, reproduzo a informação da C.M.L.: conclusão das obras em 24.6.24; retirada do tapume  em 5.2.25.

A câmara e o metro no seu melhor. Nem se dão ao trabalho de actualizar. Afinal escrever o quê? Para quem? Para os utentes? Essa gentinha sem rosto que por necessidade ou por capricho escolhe não andar de carro em Lisboa?

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6 comentários em “Era aqui que eu descia”

  1. Creio que a questão radica logo nessa humilhante designação: “utentes”. Os utentes sujeitam-se ao que há, não têm verdadeira escolha, estão numa posição claramente inferior na relação em causa. Em linguagem simples, “comem e calam”.
    Já os “clientes” – aquilo que todos deveríamos ser perante todo e qualquer serviço – podem escolher e rejeitar. E mesmo quando assim não é, quando não há verdadeira escolha, os clientes merecem ao menos um elementar respeito por parte do prestador do servico.
    Respeito pelo cidadão não é coisa que agrade ao estado (ao estado e a boa parte dos seus funcionários). Para quem é tão querida essa condição de utente.

    1. Mesmo os clientes já conheceram melhores dias. Veja como as empresas de serviços os tratam quando há reclamações. As de telecomunicações são uma vergonha. Aliás, segundo a Deco são campeãs de queixas por má prestação de apoio aos clientes. As companhias aéreas, a começar pela TAP, são outro caso flagrante.

      1. Manifestação também de outro consagrado mal nacional: a inoperância – a roçar a inutilidade objectiva – de uma “justiça” que, para o ser sem aspas, deveria ser tempestiva, acessível e assegurar a tal “igualdade de armas” invocada como princípio nos tempos de faculdade. E arrogante e impenitentemente não o é.
        Empresas privadas e estado sabem muito bem disso
        Naturalmente, para umas e outro (na sua relação com o cliente ou o utente, entenda-se; outro galo canta no litígio entre empresas – as grandes, as do regime – e o estado) está muito bem assim.
        Não se mexe em equipa que ganha.

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