ERC reprova actuação da TVI


Carlos Barbosa de Oliveira,

Não faltará por aí quem critique a decisão da ERC mas, face às queixas apresentadas, o regulador não podia deixar de tomar posição, sob pena de perder toda a credibilidade.

Em causa está um conjunto de peças a propósito do caso Freeport, exibidas no Jornal da sexta-feira onde, a coberto de jornalismo de investigação, se torpedeou constantemente o Estatuto do Jornalista.

A TVI pode preencher todo o horário nobre com  telenovelas, o que não pode é fingir que faz informação quando está a produzir apenas uma telenovela informativa, desrespeitando o Estatuto do Jornalista e as regras mais elementares do jornalismo.

Na sua deliberação, o Conselho Regulador considerou "verificada, à luz da análise efectuada, a possibilidade de a TVI ter posto em causa o respeito pela presunção de inocência dos visados nas notícias (tal como resulta do artigo 14.º, n.º 2, alínea c) do Estatuto do Jornalista)". Afirma ainda o Conselho que a TVI se afastou de alguns princípios expostos no seu Estatuto Editorial, a cujo cumprimento se encontra vinculada, e onde se compromete "a observar, nomeadamente, nos seus programas de Informação, regras estritas de honestidade, de isenção, de imparcialidade, de pluralismo, de objectividade e de rigor".

Poderá haver quem acredite que aquilo que a TVI anda a fazer é jornalismo, mas compete à ERC, enquanto entidade reguladora, esclarecer os cidadãos sobre as diferenças entre jornalismo, opinião e “vendetta”.

Texto da deliberação e peças analisadas, aqui.

26 comentários em “ERC reprova actuação da TVI”

  1. Com efeito, Carlos, «compete à ERC, enquanto entidade reguladora, esclarecer os cidadãos sobre as diferenças entre jornalismo, opinião e “vendetta”».

    Porém, para lá de emitir considerandos e eventuais esclarecimentos, acho que também compete à ERC, enquanto entidade reguladora, regular.

    A menos que a ERC seja uma espécie de Banco de Portugal para os órgãos de Comunicação Social.

    1. A ERC não pode ficar calada perante as queixas que lhe são apresentadas ( ao contrário do que terá, eventualmente, feito o Banco de Portugal).
      Quanto à função reguladora, haveria muito para dizer, João, mas estou parcialmente de acordo contigo. A ERC deveria ser mais assertiva.

  2. merece o reparo de apenas um consumidor de informação …esta situação na tvi e já useira e vezeira no arranjar de situações lembro a compra de armas na cova da moura um acidente na 125 onde por incrível a repórter ate assistiu enfim e um sem numero de outras situações que me fazem mesmo nem sequer ver qualquer programa da grelha desse canal liberdade que me e concedida pelo controlo remoto

    1. E já agora, por ser mais recente, lembro a forma como foi comentada por MMG, na última sexta-feira, a notícia sobre a Tratólixo. A minha empregada não teria uma opinião muito diferente. Mas ela não é jornalista, nem percebe nada de ambiente…

  3. depois do Primeiro-Ministro de Portugal, Bastonario da Ordem dos Advogados e agora a ERC, terem afirmado publicamente que o Jornalismo da TVI violava flagrantemente o codigo deontologico dos Jornalistas, so fica a faltar o pronunciamento do SINDICATO DOS JORNALISTAS ! foi tão rapido a pronunciar-se sobre a questão Cãncio, que resoltou num manifesto politico, e agora neste caso quer passar despercebido!

  4. Compete à ERC ou compete ao espectador?

    O que se deve reprovar é a existência da ERC , organismo paternal, dispiciendo e bafiento, que não abona o nome de um regime que se quer democrático!

  5. …Hmmmm, gosto dessa palavra ‘vendetta’, assim, alongada na língua pelo saborzinho entre a pólvora e o sangue, coisa excessivamente latina, inclinada para uma Grécia solar abrupta, onde na queda só se vê um azul muito puro.
    ‘Vendetta’…, coisa agridoce.
    Lâmina de gume-limão onde perlam gotinhas do mel que se perde, nestas fraticidas pelejas.
    Que sujam mais do que honram.

  6. Carlos:

    Fico preocupado com estas situações que se vão passando no nosso país e passo a explicar, com um ponto de ordem, desde já afirmo que não vejo a TVI, excepto quando transmitem, jogos da selecção, nacional ou do glorioso Benfica.
    Aquando do inicio do processo Casa Pia não vi por parte da ERC ou da sua antecessora nenhuma critica em relação á condenação em praça pública do jornalista Carlos Cruz e recordo para quem não se lembra, as novelas que ácerca do citado eram passadas todos os dias e que motivaram processos em tribunal que ainda decorrem.
    Acho no minimo estranho que estando em causa factos que foram comprovados, os próprios, recusaram fazer comentários aos mesmos, apesar de terem sido contactados para os negar, se faça deste caso um alarido desgraçado só porque o nome do PM aparece recorrentemente nas reportagens.
    O que me parece é que há dois pesos duas medidas e pergunto eu, só porque o PM está supostamente envolvido não se pode noticiar, questionar ou temos de calar a noticia?
    Tenho a minha opinião sobre o caso Freeport, há muita coisa que o PM tem de explicar, agora temo é que dento em pouco e com situações destas conhecidas hoje possamos voltar uma censura do que se deve dizer sobre membros do governo, e isso é voltarmos a 24 de Abril, que por vezes desculpem a franqueza, parece que está a acontecer.
    Volto a repetir eu não vejo a TVI, estou á vontade para criticar ou apoiar mas cheira-me a pressão e como não é a primeira…

    1. Habitualmente, também não vejo a TVI, nem o jornal da sexta. Tenho apanhado alguns bocados e depois o eco nos outros canais, na bloga e na imprensa. Já vi demais e amanhã de certeza que me absterei.
      Quanto ao caso freeport não tenho opinião formada, porque ainda só tenho informação de um lado.

  7. “o regulador não podia deixar de tomar posição, sob pena de perder toda a credibilidade.”

    A questão a colocar é: a ERC ainda tem alguma credibilidade a perder? 🙂

    Mas confesso que gostava de ter acesso era às duas declarações de voto…

      1. Carlos,

        foi a própria ERC quem decidiu que as declarações deixassem de ser públicas:

        http://jornal.publico.clix.pt/default.asp?url=%2Fmain.asp%3Fid%3D15032316

        As declarações de Luís Gonçalves da Silva incomodavam.

        “O regulador tem de responder às queixas que lhe são apresentadas, para não perder a credibilidade”

        Isto no pressuposto de que só existem queixas contra o jornal nacional da TVI.

  8. Espantosa, esta defesa de ERC… Pelo vistos, já tudo é legítimo quando se trata de prestar serviço ao poder do momento.
    A ERC é uma chafarica socretina., composta por cinco figuras de ópera bufa. Três delas deixaram a cabeça já não lembram onde e são hoje meros capachos do Governo PS: Azeredo, Estrela e Elísio (este indicado pelo PSD, imagine-se!), sendo que Assis Ferreira e Gonçalves da Silva, procurando embora manter um mínimo de dignidade, não conseguem resistir à permanente pressão socretina daqueles três.
    Entretanto, a Assembleia da República continua a fazer de conta que não sabe o que se passa no Largo de Santos – e o contribuinte paga o regabofe.
    Até quando?

  9. A opinião querem arrolhar
    para manter a quietude vigente,
    esta forma de embrulhar
    revela uma atitude indigente.

    Uma excrescência moral
    de credibilidade tresmalhada,
    tem um discurso gutural
    e argumentação embrulhada.

    De cheiro tão purificado
    e imagem alardeada,
    o mexilhão fica estacado
    com tanta gente enlameada.

    1. Que eu saiba,Pedro, apenas houve em Portugal um órgão de regulação prestigiado: a ERSE.
      Isso não invalida que não considere relevante a decisão quase por unanimidade. Teria sido bem pior se metessem a viola no saco e não respondessem às queixas que lhe foram apresentadas.

  10. Só falta ver se Vasco P. Valente vai querer continuar neste “espectáculo”. Será que vai bater com a porta?
    E Miguel Sousa Tavares?

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