Vasco Pulido Valente escreve um artigo no “Público” de sábado, onde minimiza o interesse dos programas eleitorais e, a partir daí, tira a ilação de que a escolha dos portugueses será feita com base na personalidade de Sócrates e MFL.
VPV escreve a determinada altura:
“MFL estabeleceu uma diferença entre ela e o engº Sócrates. Não se confundem. Nem no estilo, nem no carácter, nem na visão da sociedade, nem no que se propõem fazer.”
Não poderia estar mais de acordo. No entanto, se esses fossem os parâmetros de avaliação dos portugueses, Sócrates já poderia cantar vitória. Apesar de todos os defeitos que se lhe reconhecem, está a anos-luz de MFL.
Sócrates é mais consistente. É arrogante, mas não recorre sistematicamente ao insulto, nem passa o tempo a lançar a suspeição sobre os seus adversários políticos. Tem, apesar de tudo, uma visão da sociedade menos intolerante. Preocupa-se (pouco) com os mais desfavorecidos, mas não os despreza. Não enche a boca com declarações farisaicas de verdade e transparência, para depois incluir nas listas de deputados gente com comportamentos cívicos (não estou a falar de questões judiciais) como o de António Preto. Não é cobarde. Quando vai à Madeira não se deixa humilhar, remetendo-se ao silêncio. Faz propostas para Portugal, não discorre sobre o vazio.
A diferença, objectiva, de carácter e estilo, é francamente favorável a Sócrates. A sua visão da sociedade portuguesa e as propostas que faz para o país são, apesar de tudo, bem mais consentâneas com as necessidades da sociedade portuguesa.
A explicação é simples. Sócrates acredita que está a fazer o melhor para Portugal. MFL quer o poder a qualquer preço e não faz a mínima ideia do que fará se o poder lhe cair nas mãos.

Sócrates é mais consistente. É arrogante, mas não recorre sistematicamente ao insulto, nem passa o tempo a lançar a suspeição sobre os seus adversários políticos.
Peço desculpa, mas não consegui conter o riso. Uma pessoa que trata por “bota-abaixista” (interessante neologismo) toda a gente que discorda da sua (falta de) visão de facto não insulta, mas…
Tem, apesar de tudo, uma visão da sociedade menos intolerante. Preocupa-se ( pouco) com os mais desfavorecidos, mas não os despreza.
Não me parece argumento aplicável a Manuela Ferreira Leite.
Não enche a boca com declarações farisaicas de verdade e transparência, para depois incluir nas listas de deputados gente com comportamentos cívicos ( não estou a falar de questões judiciais) como o de António Preto.
É verdade que Sócrates não fala de verdade. Seria algo irónico, e parece-me a mim que a ironia não é coisa que exista em abundância por aqueles lados. É verdade que não está formalmente acusado (ou lá como se diz) de nada. Mas as histórias da licenciatura, das casinhas na Beira, do relatório da OCDE que afinal não era da OCDE, das criancinhas do Magalhães, etc, mostram que, mais do que ser inteligente, é (passe a expressão) um chico-esperto. E não é isso que se quer a governar um país.
Faz propostas para Portugal, não discorre sobre o vazio.
Como a dos cento e cinquenta mil empregos?
Não concordo… Subscrevo o john…
1- Realmente há mais bota abaixo do que propostas do PSD
2-MFL já disse que não concorda com distinção entre ricos e pobres. Provavelmente, os cerca de 2 milhões de pobres em Portugal escafederam-se
3-Concordo em absoluto. De chicos-espertos estamos todos fartos, mas o Centrão está cheio deles.
4- Atribuir responsabilidades pelo desemprego a Sócrates parece-me abusivo. O desemprego é um problema conjuntural a que Portugal não podia escapar.
Carlos:
Respeito a tua opinião mas sinceramente fazer comparações entre MFL e Sócrates é como estarmos a viver de dia ou de noite.
Sócrates para mim ideias sobre o país nunca as teve como se prova pelo estado em que o país está pior que em 2005 e governou com maioria absoluta e em alguns casos com poder absoluto, para mim esta personasgem não passa de um chico-esperto (ver caso do adiamento da entrevista para amanhã) e esses vão-se safando até um dia.
MFL pode e tem de certeza defeitos mas pelo menos tem credibilidade e é séria para além de não fazer da propaganda, da mentira, do showoff o modus operandi da sua politica.
Sócrates subiu os impostos depois de prometer não os subir. Fez isso após a subida de impostos de Durão/MFL, que haviam prometido uma descida generalizada de impostos. Durão/MFL num mês travaram a economia até à estagnação e nem conseguiram resultados com as receitas extraordinárias. Sócrates subiu impostos nesse contexto e pôs a economia a crescer.
Carlos:
Sócrates terá ideias para o país, mas na verdade não encaixam no modelo de desenvolvimento que eu gostaria de ver no pais.
Sócrates é chico esperto, sem dúvida, mas MFL tem a sorte pelo seu lado, como foi o caso da gripe que a impediu de ir à Madeira.
Quanto à credibilidade de MFL, pelos meus padrões éticos está pela rua da amargura. E não é só por causa da lista de deputados que o digo.
“MFL quer o poder a qualquer preço”
E Sócrates ? Não ?
José Sócrates foi o líder político português que até hoje vi e ouvi tratar com mais desprezo os adversários políticos, como é bem patente em cada uma das suas deslocações ao Parlamento. Na célebre sessão parlamentar que culminou com a triste ‘faena’ de Manuel Pinho, o PM utilizou várias vezes expressões insultuosas em relação a adversários políticos, como Portas e Louçã, desprestigiando (ainda mais) o Parlamento e desprestigiando-se a si próprio. A arrogância é um traço de carácter deste líder socialista e nesta matéria específica lamento, Carlos, mas acho-o verdadeiramente incomparável.
E em capacidade negocial como é que os compara?
Péssimos ambos. Como aliás tenho aqui escrito. Tratando com arrogância e sobranceria adversários políticos e militantes do próprio partido. MFL deixou de fora das listas eleitorais todos os potenciais concorrentes ao seu lugar, preferindo um grupo parlamentar subserviente e medíocre. Sócrates silenciou todos os possíveis ‘dissidentes’ no aparelho socialista, remetendo-os a exílios dourados (Cravinho, Carrilho, Ferro) ou marginalizando-os (Seguro, Roseta).
E a governar?
Faça a pergunta a si mesmo. Vive melhor ou pior do que há quatro anos e meio?
Vivo pior caro Pedro, tenho pena que o PSD se tenha tornado num partido incompetente e seguidista.
Deve viver melhor, a avaliar pelo que escreve no próprio blogue, onde se limita a lamber tudo quanto é bota socretina.
Convém não consentir que nos tirem o tachinho, seja ele qual for, não é?
Caro A. Pinto Pais, obrigado pelo seu comentário esclarecedor e enigmático. Quando passar lá outra vez deixe uma linha ou duas quando encontrar o rasto de saliva.
Concordo que Sócrates é arrigante. Já o escrevi várias vezes no DO.
Quanto a ser o mais arrogante, talvez valesse a pena comparar alguma sintervenções dele com as de Cavaco PM. Equivalem-se bastante, Pedro!
Estou de acordo Carlos . Por outro lado basta-me o estilo falsamente seráfico -moralista de MFL para eu saltar logo para o outro lado da barricada. Contrariamente ao Pedro, não me parece que Sócrates tenha tratado os adversários com desprezo. Com sobranceria e arrogância sim, ele convive mal com as contrariedades, mais vai uma grande distancia para o desprezo.
MFL representa, em minha opinião, o que a política tem de pior:o falso moralismo. O seu passado e funções governativas deveria s sufciente para não merecer qualqu credibilidade, mas a memória dos poruguees é curta.
Fixe o que lhe digo, Ariel. Daqui a uns meses, se MFL ganhar as eleições, vamos ouvir muita gente defender atitudes e comportamentos que criticaam em Sócrates.
Infelizmente, os portugueses votam por clubismo e nem sequer admitem que haja pessoas que pensam pela própria cabeça.
Não tenho qualquer dúvida do que diz Carlos. Votam por clubismo sim. A dicotomia Sócrates desalmado versus MFL santa da ladeira seria cómica se não fosse trágica.
Se a santa da ladeira sabe que a compara com a MFL, ainda tem um ataque!
Ah pois é ..:))))
Sócrates acredita que ele é o melhor para Portugal e que o que está a fazer é o único caminho possível, com alguns pequenos rasgos que no seu íntimo deve chamar visionários. Manuela seguiria algo muito parecido ao mesmo caminho, sem os rasgos, a que no seu íntimo chama visionários, despesistas ou esquerdistas, tudo igualmente mau. Mas ela tem de saber que nao vai lá chegar (e portanto também nao sei porque se há-de dar ao trabalho de descobrir o que faria com ele).
Cara Rita:
Não vai lá chegar porquê? Que eu saiba ainda somos todos nós que decidiremos quem queremos a governar este país, não são alguns “iluminados da treta” que escolhem por nós essa talvez fosse a vontade do sr Pinto de Sousa.
Ganhará quem os Portugueses escolherem e quanto a isso não há dúvidas, ou será que alguém começa a querer decidir por nós? Eu sei que nestes últimos anos entre o regime socrático e o antigo estado novo as diferenças não são muitas mas ao menos ainda temos o direito de escolha valha-nos isso.
Claro que sao os portugueses que escolhem, acho que ninguém diz o contrário, muito menos eu. O que eu acho é que os portugueses estao longe de querer ter uma merceeira incompetente por primeira ministra. Só digo uma palavrinha: Citibank. Pode ser que me engane, mas acho muito improvável a eleiçao de Manuela Ferreira Leite. E nem é porque esteja tomada de amores pelo Sócrates.
Que linguagem!
Vai ter uma supresa na noite de 27 do mês que começa amanhã: a de ver que o seu desejo não se transformou em realidade.
É que os portugueses não são parvos, ao contrário do que certos pretensos iluminados imaginam.
Mas que parte da minha linguagem era assim tao ofensiva? Citibank?
O problema é que muito provavelmente vai lá chegar. Daqui a dois anos o país estará pujante e viçoso com a dupla MFL/CS.
E a política da transparência dará, provavelmente, origem a um novo banco para os ex-ministros brincarem em off shores.
Não posso concordar, Carlos: não vejo em que é que Sócrates se preocupa com os desfavorecidos – mesmo pouco – e o desprezo que tem manifestado por todos nós está bem patente na atitude arrogante que já virou imagem de marca. Acredito que nem mesmo pelos seus “favorecidos” tenha grande estima, se queres saber.
Quanto a questões de carácter… com todas as trapalhadas e mentiras que todos lhe conhecemos, mais vale estar calado e não criticar muito os adversários, ou sujeita-se a maiores enxovalhos. Só não é mais duro por pura estratégia de defesa, porque a dureza está-lhe no sangue.
Embora saibas que Sócrates não está incluído no rol das minhas simpatias, tenho a certeza que, apesar de ter feito pouco pelos mais desfavorecidos, tem uma noção de responsabilidad social e de ética política incomensuravelmente superior a MFL. Sinceramente, parece-me mais humano do que MFL.
O disparate é livre. V. é a prova mais evidente de tal realidade.
Mais uma vez não concordamos, Carlos. MFL é desastrada, pouco flexível e péssima vendedora de si própria, mas não é desumana nem isenta de princípios. Sócrates, pelo contrário, revela uma impermeabilidade emocional que me parece assustadora. De qualquer maneira não voto em nenhum deles, com ou sem bloco central no horizonte.
Pelo menos concordamos numa coisa, Ana, não votamos em nenhum deles.
Mas com pena (no meu caso) de não acreditar na intenção de ambos em fazer um esforço para governar em conjunto, pelo país. E sem ver (no meu caso, mais uma vez) nenhuma alternativa viável e melhor do que esta opção. Enfim, um beco sem saída que não me deixa nada animada.
Se um sozinho já incomoda muita gente, que seria de nós com os dois juntos, Ana?
Pensando bem, talvez fosse divertido! Como seriam os blogs dos que agora se degladiam na defesa da sua dama ou do seu cavaleiro?
Isto não é analise politica em lado nenhum.
Espantástico !
V. consegue apresentar um tipo arrogante, maldoso, mal educado e mal intencionado numa personagem dialogante, sensata, consensual e cordial.
Se calhar é por isso que vai perder as eleições – e vai perdê-las no confronto com uma velhota que não diz duas certas seguidas e que está mais preocupada com os netinhos do que com o País…
Espantástico – e lógico, claro.
Não sei se você é o 100 anos depois de um lifting de férias, mas se for, devo dizer-lhe que é melhor voltar aos bancos de escola para aprender a ler, porque eu não escrevi nada do que você leu. Onde é que escrevi que Sócrates é dialogante, sensato, consensual e cordial?
Tenha juízo!
É com respostas destas que V. pretende contrariar a opinião dos leitores do blogue sobre a forma como os comentadores aqui são geralmente tratados?
Vá lá, puxe pelo seu sentido de humor e admita: “Não sei se você é o 100 anos depois de um lifting de férias” é uma observação com graça!
Sim, sou o 100anos, escapou-me o segundo zero, não faço liftings e normalmente tenho juízo.
Admito que possa ter interpretado mal as suas palavras, mas foi o que me pareceu do tom geral do seu post – não está necessariamente escrito, mas é o que resulta do texto, alguns chamam a isso “interpretação extensiva”.
Noto na sua resposta ao meu comentário um ventinho agreste que, longe de me incomodar, é até agradável, com este calor.
Muito agradeço a sugestão que me faz de voltar aos bancos da escola, com certeza que estou precisado, mas devido a uma equipa de destravados e incompetentes não poderei seguir o seu conselho, pois a educação anda pelas ruas da amargura.
Aliás a sua parece que também não anda nos seus melhores dias.
Tal como a do sujeito que V. parece ter em tão grande conta.
As interpretações extensivas são sempre perigosas, meu caro, podem conduzir-nos a conclusões precipitadas.
Uma vez que afinal é mesmo o 100 anos, retiro a sugestão, embora você insista que eu tenho o sujeito em grande conta, quando me limitei a fazer uma comparação.
Felizmente há mais candidatos, a escolha não se resume a duas figuras pouco agradáveis.
Agora se tivesse de escolher entre um dos dois, não tenho dúvidas que preferia o Sócrates.
Afinal é como no futebol… todos torcem pelo SLB e pelo Sporting e eu torço pelo meu FC Porto. Feitios…