Espalhar a palavra


Leonor Barros,

Na alvorada da modernização tecnológica, o Ministério da Educação abriu as portas virtuais. Para trás ficaram os concursos de professores feitos em impressos cheios de quadrículas minúsculas preenchidos com minúcia e rigor absolutos, os números e códigos com precisão inequívoca, qualquer imperfeição marcaria a diferença entre Vila Real e Faro, o processo lento e fastidioso. De há uns tempos a esta parte, ainda antes da Era Magalhães, o Ministério da Educação começou a tirar o partido devido, esperava-se, das imensas vantagens que a tecnologia acarreta. Foi assim que, exactamente para efeitos de um concurso, facultei o meu endereço de e-mail ao dito Ministério e foi assim que, cerca de um ano depois, comecei estranhamente a receber na minha caixa de correio virtual mensagens da tutela, esclarecimentos, chamavam-lhe, sobre a Avaliação de Professores. Não me lembro, em momento algum, de ter autorizado a utilização do meu e-mail para outros fins que não fossem o concurso em questão, findo em Julho de 2007. Para espalhar a palavra da boa nova avaliativa, vale tudo, portanto, inclusivamente usar os endereços de e-mail teoricamente protegidos.

16 comentários em “Espalhar a palavra”

      1. A mim, apeteceu-me fazer algo mais destruidor, mas, felizmente, a fúria acabou por dar lugar à piedade e rezei fervorosamente para que muito brevemente pudessem entrar todos eles no reino dos céus.

  1. Mas que raio de coisa! Não valerá a pena apresentar uma denúncia à Comissão de Protecção de Dados? O caso acabará arquivado, naturalmente, mas talvez leve o Ministério da Educação a imaginar outro esquema. E, enquanto isso, estarão entretidos a fazer aquilo a que já poucos se dedicam: pensar…

    1. O seu colega de blogue J. C. tem razão. Se apresentar o caso à Comissão de Protecção de Dados eles gostarão certamente de dar sequência ao caso, que merece um puxão de orelhas exemplar.

  2. Se calhar ainda não sabem como lidar com tanta tecnologia… ou será incompetência?… ou será premeditado? Que foi e está mal, ah isso foi e está.

  3. Leonor,

    Permita-me que discorde. Numa altura em que proliferava desinformação sobre a questão da avaliação dos professores, onde o Camarada Mário Nogueira prosseguia inabalável a sua luta esquizofrénica, partindo do princípio que a avaliação nunca foi problema, não me parece má iniciativa que o Ministério da Educação preste informações aos destinatários da Reforma.

    O facto de terem o seu e-mail e de o utilizarem, certamente encontra razão bastante no facto de ter um processo seu no Ministério. Censurável seria se o Ministério não tentasse esclarecer. Discordo da avaliação que foi inicialmente proposta, mas nesta situação específica acho que, partindo do principio que os e-mails eram de esclarecimento e não de propaganda, é louvável a iniciativa.

    1. Permite-me que discorde também, André.
      Um dos grandes problemas em relação à educação neste momento é exactamente a identificação permanente que se faz com a Fenprof. Sou professora há 21 anos e fui sindicalizada apenas no meu primeiro ano. Chegou-me para perceber que aquele não era o meu caminho. Como tal, entristece-me e revolta-me que sempre que se fala dos problemas que actualmente assistem a profissão docente, o Mário Nogueira apareça como contraponto ao Ministério da Educação. Que todos os nossos problemas fossem o Mário Nogueira, a quem nunca dedico um pensamento que seja. Sei pensar, ajo em conformidade e não quero saber dos Sindicatos para coisa nenhuma.
      Relativamente ao Ministério da Educação, não admito que sob a capa do esclarecimento o meu e-mail pessoal seja utilizado. Nunca, como refiro no texto, facultei o meu e-mail para ter acesso aos esclarecimentos da tutela, logo o que se passou é um abuso e uma intromissão à minha privacidade. Mais lhe adianto que qualquer pessoa minimamente esclarecida e a par dos desenvolvimentos no que toca à avaliação e Estatuto da Carreira Docente não precisa daquelas palavras.

  4. Leonor, mas isso passa-se com todos os professores que eu conheço…
    Estão todos a receber legislação, normas, sugestões, etc. etc. …
    Como no “Thunderheart”, também temos aqui um “Federal Bureau of Intimidation”.
    Cumprimentos. Ana

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