Na alvorada da modernização tecnológica, o Ministério da Educação abriu as portas virtuais. Para trás ficaram os concursos de professores feitos em impressos cheios de quadrículas minúsculas preenchidos com minúcia e rigor absolutos, os números e códigos com precisão inequívoca, qualquer imperfeição marcaria a diferença entre Vila Real e Faro, o processo lento e fastidioso. De há uns tempos a esta parte, ainda antes da Era Magalhães, o Ministério da Educação começou a tirar o partido devido, esperava-se, das imensas vantagens que a tecnologia acarreta. Foi assim que, exactamente para efeitos de um concurso, facultei o meu endereço de e-mail ao dito Ministério e foi assim que, cerca de um ano depois, comecei estranhamente a receber na minha caixa de correio virtual mensagens da tutela, esclarecimentos, chamavam-lhe, sobre a Avaliação de Professores. Não me lembro, em momento algum, de ter autorizado a utilização do meu e-mail para outros fins que não fossem o concurso em questão, findo em Julho de 2007. Para espalhar a palavra da boa nova avaliativa, vale tudo, portanto, inclusivamente usar os endereços de e-mail teoricamente protegidos.
Espalhar a palavra
Leonor Barros,

Ora aí está um exemplo muito elucidativo das ‘Novas Oportunidades’ socráticas.
Tudo serve para chegarem onde querem, Pedro.
Aconteceu o mesmo comigo e com muitos outros professores. É mais uma imagem triste de um país mal governado.
Deve ter acontecido a todos os que facultaram o e-mail. Ainda estive para os pôr na lista negra, Olinda 🙂
A mim, apeteceu-me fazer algo mais destruidor, mas, felizmente, a fúria acabou por dar lugar à piedade e rezei fervorosamente para que muito brevemente pudessem entrar todos eles no reino dos céus.
Eles não merecem a fúria, não nos merecem essa energia toda.
Mas que raio de coisa! Não valerá a pena apresentar uma denúncia à Comissão de Protecção de Dados? O caso acabará arquivado, naturalmente, mas talvez leve o Ministério da Educação a imaginar outro esquema. E, enquanto isso, estarão entretidos a fazer aquilo a que já poucos se dedicam: pensar…
Eles pararam entretanto. Estou à espera do próximo simplex da avaliação para ver se vêm mais esclarecimentos.
O seu colega de blogue J. C. tem razão. Se apresentar o caso à Comissão de Protecção de Dados eles gostarão certamente de dar sequência ao caso, que merece um puxão de orelhas exemplar.
Assim farei se se voltar a repetir.
Se calhar ainda não sabem como lidar com tanta tecnologia… ou será incompetência?… ou será premeditado? Que foi e está mal, ah isso foi e está.
Será abuso, Mike, não os autorizei em momento algum a usarem os meus dados pessoais.
Leonor,
Permita-me que discorde. Numa altura em que proliferava desinformação sobre a questão da avaliação dos professores, onde o Camarada Mário Nogueira prosseguia inabalável a sua luta esquizofrénica, partindo do princípio que a avaliação nunca foi problema, não me parece má iniciativa que o Ministério da Educação preste informações aos destinatários da Reforma.
O facto de terem o seu e-mail e de o utilizarem, certamente encontra razão bastante no facto de ter um processo seu no Ministério. Censurável seria se o Ministério não tentasse esclarecer. Discordo da avaliação que foi inicialmente proposta, mas nesta situação específica acho que, partindo do principio que os e-mails eram de esclarecimento e não de propaganda, é louvável a iniciativa.
Permite-me que discorde também, André.
Um dos grandes problemas em relação à educação neste momento é exactamente a identificação permanente que se faz com a Fenprof. Sou professora há 21 anos e fui sindicalizada apenas no meu primeiro ano. Chegou-me para perceber que aquele não era o meu caminho. Como tal, entristece-me e revolta-me que sempre que se fala dos problemas que actualmente assistem a profissão docente, o Mário Nogueira apareça como contraponto ao Ministério da Educação. Que todos os nossos problemas fossem o Mário Nogueira, a quem nunca dedico um pensamento que seja. Sei pensar, ajo em conformidade e não quero saber dos Sindicatos para coisa nenhuma.
Relativamente ao Ministério da Educação, não admito que sob a capa do esclarecimento o meu e-mail pessoal seja utilizado. Nunca, como refiro no texto, facultei o meu e-mail para ter acesso aos esclarecimentos da tutela, logo o que se passou é um abuso e uma intromissão à minha privacidade. Mais lhe adianto que qualquer pessoa minimamente esclarecida e a par dos desenvolvimentos no que toca à avaliação e Estatuto da Carreira Docente não precisa daquelas palavras.
Leonor, mas isso passa-se com todos os professores que eu conheço…
Estão todos a receber legislação, normas, sugestões, etc. etc. …
Como no “Thunderheart”, também temos aqui um “Federal Bureau of Intimidation”.
Cumprimentos. Ana
Pois, parece que estamos bem vigiados, Ana.