Espanha e Portugal


Patrícia Reis,

O Partido Comunista de Espanha, que em 1996 chegou a eleger 21 deputados, com 10,54% dos votos, sob a sigla IU – Esquerda Unida – está hoje reduzido a dois parlamentares no Congresso em Madrid e fragmentado em várias tendências, cada vez mais microscópicas, cada vez mais irreconciliáveis. Nas legislativas de Março de 2008, obteve apenas 3,77% dos votos – e um dos dois deputados que elegeu nem sequer é militante comunista. O outro é o coordenador-geral cessante da IU, Gaspar Llamazares, que deixou estas funções por vontade própria, embora conserve o lugar no Parlamento. O PCE tornou-se uma força quase residual. Nada que se pareça com o partido que chegou a fazer tremer a ditadura de Franco e a ter uma considerável influência na vida intelectual e sindical de Espanha.

Lá é assim. Por que motivo será tão diferente em Portugal?

29 comentários em “Espanha e Portugal”

  1. Se calhar, os de lá renegaram o estalinismo e são críticos da Coreia do Norte, Cuba, Vietname, Laos.

    Por aqui, ser apoiante dessas ‘democracias’ ajuda a subir nas sondagens e nos votos.

  2. Por que motivo será tão diferente em Portugal?

    De facto é a grande pergunta que que muitas vezes faço.
    As respostas que (me) dou, são estas:

    1.Muitas pessoas nasceram ou eram pequenas, quando do 25 de Abril.
    2.Outras viveram esse período, mas não percebiam nada ou não se interessaram sobre o que passava.
    3.Outras ainda devem achar, por ignorância ou talvez não, que as críticas que eles fazem ao(s) governo(s) são justíssimas e que, portanto eles fariam tudo MUITO melhor, ou mesmo óptimo!
    3.A comunicação social ajuda muito. Há pouco tempo, nas Tv’s, numa notícia sobre a possível ilegalização, pela Audiência Nacional espanhola, do partido comunista das terras bascas, e destituição de membros seus de autarquias naquele território, por evidentes ligações e apoio à ETA, NUNCA foi referido o nome desse partido.
    4.A iliteracia e ignorância de muita gente.
    Haverá muitas outra razões certamente.

    1. É que há mesmo muitas outras razões. A incompetência e a mentira, por exemplo, fomentam a descrença nos partidos do chamado ‘arco governamental’.
      No topo da lista de razões, porém, eu colocaria esta: corrupção. A corrupção galopante está a arrastar Portugal para níveis vergonhosos e a inconsequência da maioria dos casos conhecidos (que constituem seguramente a parte menor da realidade escondida) é um convite à continuidade.
      Deixar à Procuradoria-Geral da República o combate à corrupção e não se adequar a legislação e meios para o efeito é manter uma guerra com armas desiguais. Com os resultados óbvios que sobrecarregam os contribuintes, que desprestigiam o País e que empecilham qualquer sonho de desenvolvimento…

      1. Gostava muito de ter sólidos conhecimentos jurídicos, mas infelizmente não tenho.
        Fiz uma breve consulta no Google (podia ir ao portal do governo, mas preferi não o fazer) e encontrei isto:
        http://ww1.rtp.pt/noticias/index.php?article=276301&visual=26
        Claro que a corrupção é, ainda, uma questão muitíssimo preocupante e extremamente prejudicial à democracia e ao desenvolvimento do país, inclusive a nível económico.
        Mas parece que se tem feito mais nos últimos anos do que alguma vez foi feito.

        Entretanto, lembrei-me de mais uma razão para os + de 10% de votos naquele partido:
        Só apresentam, sempre, uma das faces da moeda; a “outra” face fica sempre escondida.

  3. eu não sei, mas sei de uma pessoa que é capaz de lhe explicar, é um escritor escritor espanhol que escreve em português que até ganhou um Nobel e que tem “dupla nacionalidade”. Em Portugal é militante do Partido Comunista em Espanha é militante do PSOE.

  4. Os Espanhóis são espertos e devem ter dado a esses 21 comunistas, “um bom tacho” em Grandes Empresas. A partir do momento em que passaram para o “lado de lá”, esqueceram tudo e, agora, só pensam no fim do mês com os bolsos cheios. O Comunismo já era….

  5. Boa tarde caríssimo Sr…
    Da mesma forma que a ignorância é uma afronta à democracia, a questão por si colocada, revela a forma limitada, quadrada e demagoga com que respeita a opinião do povo e de partidos eleitos democraticamente.
    Ou tudo isso é apenas uma semente para que floresça a monarquia… ?
    Cumprimentos.

    1. Que comentário mais estapafúrdio.
      Primeiro, não se percebe por que é que «a ignorância é uma afronta à democracia», quando há tantos ‘ignorantes’ por aí e até em lugares de responsabilidade sem qualquer capacidade para fazer perigar o regime.
      Depois, a opinião aqui também faz parte da opinião popular.
      Finalmente, a monarquia não precisa de sementes, porque nasceu por cá há mais de oito séculos sem ser semeada. Nuns casos subsistiu, noutros não, mas uns e outros não trouxeram qualquer mal ao mundo.
      Deixe os quadrados e outras geometrias e apareça mais vezes, Vasco. Vai ver que a álgebra e muitas outras disciplinas variadas que cabem aqui só irão fazer-lhe bem.

  6. Se olhar para a Europa vai ver que o PCP é o único que consegue estes resultados eleitorais e que consegue ainda cativar a juventude, gostava de o poder ajudar,mas também eu faço esta pergunta várias vezes.

  7. Amigo Pedro

    Este blogue está a ultrapassar certamente todas as tuas previsões. Em pouco tempo todos os ‘abruptos’ e os pseudo superintelectuais da política e dos mentideros bloguistas irão ficar esvaziados de visitantes. Porquê? Porque o DO tem um defeito. Tem demasiados posts de interesse para os quais não temos tempo de os ler a todos. Parabéns e grande abraço.

    Um pedido: que o DO tenha SITEMETER

    1. Obrigado pelas tuas palavras amigas, João. Já estamos a tratar dos medidores de audiências também. Em três dias teria sido difícil fazer mais. Isto está a dar gozo…
      Um grande abraço.

  8. “Por que motivo será tão diferente em Portugal?”

    Simples, os outros partidos, espanhol, francês, etc. afundaram-se no momento em que aceitaram a integração europeia. Foram elogiados pelo seu realismo e desapareceram.
    O PCP nunca foi nestes cantos de sereia…

    1. Com isso, você baralhou-me. Repita lá: é mesmo verdade que o PCP não aceita a integração europeia? Então os ordenados lá no partido são pagos em quê? Em escudos?

      1. Os ordenados são pagos em Euros que, infelizmente, é a moeda oficial de Portugal.
        Todos os portugueses que não aceitam esta fantochada de Bruxelas e são muitos mais do que transparece pela Comunicação Social e pelos partidos, são obrigados a trabalhar em Euros.

          1. Eu é que não entendo o comentário!…
            Um partido, qualquer que ele seja, tem por missão defender o povo que representa.
            Actualmente o Governo de portugal (e os da maior parte dos Estados da UE) são governos fantoches que se limitam a ser correias de transmissão do que se passa em Bruxelas, Frankfurt e Estrasburgo.
            Assim qualquer partido, para tentar cumprir a sua missão é obrigado a tentar influenciar os órgãos residentes nestas cidades.
            Para aí 80% da legislação que é implementada em Portugal já vem de Bruxelas.
            A dúvida é para que é que um partido está na Assembleia da República!

  9. Senhor
    Pedro Correia
    A resposta é simples é o PARTIDO COMUNISTA PORTUGUÊS
    não é o PCE.
    Da mesma forma que em Espanha o salário mínimo nacional é de 770,00 Euros e em Portugal são 450,00.
    Da mesma forma que em Espanha o Banqueiro Mário Conde foi preso e em Portugal já algum foi condenado?
    Da mesma forma que o antigo presidente do Atlético de Madrid e Alcaide de uma estância balnear do sul de Espanha, o Sr. Gil e Gil foi preso e outros mais.
    Aqui nunca vi algum ser condenado a pena de prisão efectiva.
    Sabe porque porque o PCP só tem 10% dos votos se por acaso chegasse aos 20% pode ter a certeza que não havia tanta corrupção por isso compreendo a preocupação do PCP ainda ter 10% de intenção de voto.
    JOJORATAZANA só por viver no meio de tantos ratos.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *