Morreu Pat Hingle. Vi-o em muitos filmes, mas houve um que me marcou para sempre: Esplendor na Relva, de Elia Kazan. Fazia um fabuloso papel de pai que estraga por completo a vida do filho à custa de tanto o proteger. É um filme dilacerante sobre o peso do silêncio no reduto familiar e a impossibilidade do amor na América puritana dos anos 20. As cenas que Pat Hingle partilha nesse papel de pai possessivo e dominador com o inseguro Warren Beatty são dignas de antologia. A crítica arrasou o filme na estreia: tem sido essa a sina de tantas outras obras-primas. Não admira: é impossível gostar deste filme sem ter uma paixão avassaladora pela Sétima Arte. E há muitos críticos cinematográficos que detestam o cinema acima de qualquer coisa.
Na foto: Kazan (à esquerda) com Warren Beatty, Natalie Wood e Pat Hingle nas filmagens de Esplendor na Relva

Bem observfado. Curiosamente, ‘Esplendor na Relva’ é do tempo em que a crítica arrasava. Com ou sem razão, arrasava. Hoje (pelo menos, por cá), o problema talvez nem seja tanto o dos «críticos cinematográficos que detestam o cinema», mas ainda mais o dos críticos (?) cinematográficos que nunca criticam. Parece ter-se tornado obrigatório achar que todas as fitas estão mais ou menos bem e nós ficamos na mesma…
Agora há o crítico-pipoca, que classifica o filme consoante a receita de bilheteira, designadamente no mercado americano. A expressão que mais lhes vem à pena é ‘box-office’. São caixas de ressonância das distribuidoras. Em vez de distribuir estrelas deviam passar a distribuir… pipocas.
Adorei o conceito crítico-pipoca!
Eheheheheheheheheh!!
E não é que parece ser mesmo assim, Pedro?… que há críticos que detestam o cinema de qualquer coisa… estranho…
Não duvide, Mike. Um dia destes conto aqui umas histórias de ‘críticos’ que conheci.
E isto para não falar de uns cíticos que faziam alguma das suas críticas a partir das opiniões de outros críticos estrangeiros…
Esses são os ‘pop corns’, que em português significa Cornos Pop.
Espantoso filme, concordo inteiramente. E essa do crítico-pipoca está muito bem apanhada, é mesmo assim…
Infelizmente é mesmo assim, caríssima Ana. A crítica, em qualquer sector de actividade, é cada vez mais irrelevante em Portugal. A de cinema, particularmente, tornou-se mera “divulgadora”. Às vezes chegam a contar a história do filme toda, roubando o prazer da surpresa aos espectadores, e chegam ao fim dos textos sem dizer se gostaram ou não.
Completamente de acordo, Pedro.