Esta surpreendeu-me


Paulo Sousa,

Uma manifestação de racismo, digamos, estrutural como esta, seria muito mais provável que tivesse origem no Chega do que no Livre. É certo que ambos os partidos militam no campeonato do populismo, mas depois de o PS nos ter tentado convencer que uma vaca podia voar (foi incrível como tantos papalvos engoliram, a sorrir, essa patranha) e de termos visto o Ventura de punho fechado a celebrar uma vitória da CGTP, temos de estar preparados para tudo. Um destes dias ainda veremos o Presidente da República fardado com as cores do Grupo de Forcados Amadores do Aposento da Moita, lá na frente, a dar a cara ao touro numa corrida à portuguesa no Campo Pequeno.

32 comentários em “Esta surpreendeu-me”

  1. Balcão de uma pastelaria. Paulo, segura um galão escuro e uma caneta roída, ostentando o ar cansado de quem carrega sozinho o peso da lucidez em Portugal. O “Papalvo” está ao lado, a comer um pastel de nata.

    Paulo: (Suspirando fundo, olhando o vazio) É como eu escrevi. O Livre e o Chega? Tudo no mesmo campeonato do populismo. Mas vocês, os papalvos, continuam a olhar para o céu à espera da vaca voadora do PS.

    Papalvo: Fogo, Paulo. Tu és um autêntico colosso do pensamento contemporâneo. Quando sacaste da expressão “campeonato do populismo”, juro que me arrepiei. Isso é original teu ou roubaste de um comentário anónimo da secção de desporto do Correio da Manhã?

    Paulo: (Ajeita os óculos, ofendido) É uma metáfora brilhante! O Livre a querer boicotar Marrocos é racismo estrutural, puro e duro! Mas claro, a tua cabecinha formatada pela esquerda caviar não consegue ver a ironia.

    Papalvo: Exatamente, Paulo. Uma análise cirúrgica. Condenar um regime monárquico autoritário que literalmente atira milhares de migrantes ao mar para fazer chantagem geopolítica com Espanha é precisamente a mesma coisa que o Ventura querer deportar quem tem excesso de melanina. Como é que ninguém viu isto?

    Paulo: Tu gozas, mas engoliste as patranhas todas do PS! A sorrir! São uns mansos! E qualquer dia, o que eu disse acontece: temos o Seguro Presidente da República, fardado de forcado da Moita! Prepara-te para tudo!

    Papalvo: Paulo, desculpa lá desmanchar o teu castelo de cartas intelectuais, mas tu chamas-me “papalvo” e depois confessas que passas o teu tempo livre a imaginar o António José Seguro vestido de calções justos a fazer pegas de caras no Campo Pequeno.

    Paulo: (A elevar a voz) Vocês não querem ver! O Livre é igual ao Chega! E o Ventura de punho erguido pela CGTP?! É o fim da ideologia!

    Papalvo: O único fim que eu vejo aqui é o do teu contacto com a realidade. Meteste o Chega, o Livre, Marrocos, o Seguro, as vacas a voar e a CGTP no mesmo parágrafo, bateste tudo e achas que fizeste um cocktail Molotov de genialidade.

    Paulo: A História dar-me-á razão! Vocês são um rebanho!

    Papalvo: A História nem sabe quem tu és, Paulo. Vá, bebe lá o galão antes que o populismo o arrefeça.

    1. Nunca se esqueça que os seus direitos de publicação dependem da minha disposição. Hoje o Livre e o PS já me fizeram rir e estou bem disposto. Teve sorte.

      1. Ui, ca medo! A sério, Paulo Sousa?

        Não tarda muito e, por mim, também ficará em solilóquio… Esses tiques de aprendiz de censor são um óptimo caminho para ficar embevecido nos seus próprios monólogos, certamente muito proveitosos…

  2. Deviam tirar Portugal da organização desse triste espetáculo.
    Castigos perdoados ao país anfitrião, preseguição política a outros países, negócios muito pouco claros com patrocínios. Chamar ao futebol profissional um desporto é uma mentira. E não se deve arrastar o nome de países para este (triste) espétáculo. Como português não quero que os meus impostos ajudem a pagar isto, nem quero o nome do meu país associado a isto.
    Façam isto sem dinheiro dos contribuintes e chamem à equipa qualquer coisa que não o nome do país.

  3. O que diz o PS: “o Reino de Marrocos constitui igualmente um parceiro muito relevante, com quem Portugal mantém uma relação de amizade e cooperação estratégica, essencial para a estabilidade do Mediterrâneo Ocidental, para o diálogo euromediterrânico e para a gestão conjunta dos desafios migratórios.”

  4. Paulo Sousa:

    Confundir este texto do partido Livre – que está nas antípodas das minhas escolhas políticas – com o racismo, é a mesma coisa que confundir uma chávena com um penico. Mas pronto é o que temos…..

    1. Se a mesma frase fosse proferida pelo salvador da pátria Ventura, seria racismo. E cada qual degusta café como bem lhe apetece. Respeito isso.

  5. Ontem, quando disse “ipsis verbis” o que aqui está escrito, acrescentei que somando isto ao cartaz do Chega espetado diante da Assembleia da República, que podia ser do BE ou do MRPP sem ter de se mudar uma letra (nem sequer as cores, vermelho e amarelo), prova-se que esta gente se pega muito, mas são filhos da mesma luta.

    1. A realidade finta-os a todos. Quando dão por ela, estão sentados no chão, ninguém lhes tocou e a bola já lá vai.

  6. Toda a mixórdia do topo à base entre neves e nevoeiros livres a que temos estado sujeitos, cabe perguntar se depois de cair de chapa na lama ainda haverá poço em putrefação para mergulhar até ao fundo.

    1. É sempre possível piorar. Mas isto não está assim tão mal. Se estivesse, seria em Espanha que os refugiados se reuniriam, para tentar entrar clandestinos em África à procura de uma vida melhor.

  7. Não é demonstração de racismo, é de repúdio pelo Mohammed, um tiranete de opereta que vive em Paris para poder beber champanhe e levar homens para a cama e que “governa” tão bem que querem desesperadamente fugir de lá.
    Marrocos tem de ser sancionado , nem que seja simbolicamente.

    1. Pelo andar da carruagem, o que o rei faz ou deixa de fazer na cama, também será tema de crítica pelo Livre. Isso ainda seria mais engraçado do que ver o PR a agarrar um touro, ou pelo menos a tentar.
      Nunca ouvi nada ligado ao que aqui publicou e que só a vincula a si, mas estou certo que daria um bom tema de conversa com a Associação Humanitária Queers for Palestine.

  8. Isto chama-se não ter noção das coisas.
    Portugal é o parente pobre nesta organização. Foi a entrada de Marrocos que garantiu a vitória da candidatura. O investimento de Marrocos superará o que Espanha e Portugal esperam gastar juntos (e o rei marroquino facilmente poderia pagar todas as despesas do próprio bolso). O jogo da final será provavelmente jogado em Marrocos.
    Mesmo que o Sumar espanhol já tenha vindo a público com a mesma cantiga, é caso para dizer: vozes de burro não chegam ao céu do futebol.

  9. O que a esquerdalhada não perdoa é que Marrocos tenha conseguido preservar-se eficazmente do extremismo islâmico. A bem dizer, é caso único no norte de África. A estratégia “anglicana” tem dado bom resultado.

    1. Marrocos, envia é o extremismo para a Europa!! A direita a apoiar que o Reino de Marrocos se apudere de Ceuta!!?? Ao ponto que isto chegou, ja apoiam a expansão islamica

      1. Para os esquerdetes, as fronteiras de Marrocos deviam ser como as de Cuba e da Coreia do Norte: feitas para não deixar sair.

    1. Olhar para um mapa é diferente de o observar. Se o observasse com atenção e não caísse na simplificação dos bons e dos maus, poderia entender melhor as formas do icebergue. O episódio ocorrido em Ceuta é apenas uma ponta.

  10. Com o respeito que o Presidente da República me merece e que, de resto, ajudei a eleger com o meu voto, não sei se o Grupo de Forcados Amadores do Aposento da Moita gostaria de ter António José Seguro como forcado da cara… 😁”Just saying”…

      1. Pois eu também, mas não acredito que algum Grupo de Forcados confiasse nele para ser o “Forcado da Cara”… Sem qualquer desprimor para nenhuma das funções de cada Forcado (parecem-me todas importantes), Rabejador ainda vai que não vai, agora Forcado da Cara, já me parece demasiado arriscado… 😁😁😁 O melhor mesmo talvez seja não o pôr em nenhum Grupo de Forcados, antes que a coisa corra mal… Mas lá que gostava de o ver nessa função, lá isso gostava… 😁

  11. Este Livre não passa de mais uma ridícula versão do bloco de esquerda. Um coio de bem instalados que não fazem “puta idea” da realidade.

  12. para mim esta posição do Livre não é racismo. se o mundial devia ser retirado a Marrocos? talvez, mas se o último mundial foi nos States, o anterior no Qatar (sendo quase oficial que os estádios foram construídos à base de escravatura) e o anterior a esse na Rússia, até apetece dizer que esta história dos emigrantes em Ceuta veio a trazer (um bocadinho de) coerência a quem escolhe os organizadores de mundiais de futebol.
    também importante (pelo menos para mim) é ver um poste com muitos comentários com opiniões diferentes, mas sem haver insultos só pelo facto de não se gostar de ler outras maneiras de ver a coisa.

    1. Marrocos, enquanto país africano colonizado no passado por países europeus, não pode ser sujeito a qualquer posição de força. A única forma de corrigir os erros do passado passa por uma total subserviência aos seus interesses e à devolução da arqueologia trazida para os nossos museus, especialmente aquela que não teria sobrevivido se lá tivesse ficado. Aliás, Espanha deveria estar era a a transferir parte do seu PIB em violentas prestações destinadas compensar Marrocos pelo colonialismo.
      Portugal, por exemplo, deveria compensar o Congo por ali ter introduzido o uso da roda e do arado. Foi um abuso colonialista sem nome.
      Essa seria a posição do Livre que eu esperava.

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