Os movimentos independentes de professores, que organizaram hoje uma manifestação em Belém, apelaram, no mesmo protesto, a uma greve por tempo indeterminado. Alegam que a Plataforma Sindical não tem cumprido o seu papel e que deixa os professores entregues à sua luta. Pela parte que me toca, e para sugerir greves por períodos indeterminados, estou muitíssimo bem entregue à minha luta, muito obrigada. Dispenso por completo este tipo de sugestões e apelos.
Está tudo louco?
Leonor Barros,

Leonor, esta luta já nos deixa – a nós, público – um pouco confundidos. Por um lado, e apesar da grande mobilização, fala-se em manipulação sindical. Por outro, os movimentos independentes não têm grande acolhimento. Tem alguma ideia do que poderá seguir-se? O tema merecia, cá para mim, um post alargado com «ponto de situação». 😉
Desconheço por completo manipulação sindical. Os sindicatos limitam-se a fazer o seu trabalho, mas em momento algum manipulam seja quem for. Quem está nas escolas sabe disso. Funciono pela minha cabeça apenas, consulto sempre a legislação e, portanto, todas as tomadas de decisão da minha parte tem como base a atitude do Ministério da Educação. Repudio que este seja um ano perdido para os alunos, continuo a dar as minhas aulas como sempre fiz, com o empenho e profissionalismo de sempre e em momento algum discuto com os meus alunos assuntos que dizem respeito à avaliação de professores. Como eu conheço muitos professores. Naturalmente esta versão por dentro pouco interessará a uma parte -grande diria- da opinião pública. Muitas vezes tenho a sensação de que as pessoas querem ouvir da boca dos outros a ideia que elas próprias têm da escola e dos professores, todos trauliteiros e incompetentes, tudo que se disser além disso não passará de operação de charme. Não me envolvo em grande discussões sobre o ensino, porque é impossível dialogar com quem não o quer fazer e a ignorância relativamente à contenda que nos opõe ao Ministério é pungente.
Ainda em relação a esta proposta é absolutamente inane. Ninguém sobreviveria a uma greve indeterminada pelas mais variadas razões e tenho a certeza absoluta de que caso fosse para a frente, felizmente não vai, a adesão seria quase nula.
Ai estes movimentos independentes de professores… deixam a Classe mal vista, é o que é. Ó Leonor, será que isto são manobras de diversão? Como já vi tanta coisa… e assim se vira a opinião pública contra a Classe.
Só sei que é um grande disparate, Mike, também sei que quem deu azo a tanta confusão foi o Ministério da Educação na sua cegueira reformista ao lançar cá para fora um modelo de avaliação que já foi alvo de duas adaptações/alterações.