
Tão fatal como o Outono seguir-se ao Verão: há sempre batalhões de psicólogos e esquadrões de sociólogos prontos a justificar os maiores crimes, as mais gritantes atrocidades, os mais impensáveis atentados a direitos fundamentais – desde logo o direito à vida. Transformando criminosos em entes sem vontade própria, desprovidos de livre-arbítrio. À mercê de impulsos incontroláveis. Vítimas da envolvente social, capturados pela má sorte, prisioneiros do destino. «Não estava em si», dizem uns. «A culpa é da sociedade, não existem culpas individuais», alegam outros. Inutilizando milénios de civilização, invalidando séculos de iluminismo.
«Um mundo sem moral é um universo sem força da gravidade», observou com precisão o grande escritor egípcio Naguib Mahfouz, Nobel da Literatura, no seu livro O Ladrão e os Cães.
Sem essa força da gravidade, no limite, dissolve-se a distinção entre Bem e Mal. Tudo se torna lícito. Inútil supor que o ideal ficará a meio caminho, amálgama de pólos contrários. Assim é impossível evoluir para novos patamares éticos: como Sísifo, estaremos condenados a dar eternos passos rumo a lugar nenhum.

We’re on the road to nowhere, come on the ride.
…, -mas isto agora não dar para partilhar?!
Que soberba…
E pronto, fica tudo no obscurantismo!
Certamente por ser leigo na matéria, sou incapaz de entender como é possível que uma mãe ou um pai estejam ou sejam suficientemente perturbados para que com as suas próprias mãos matem os seus filhos. Mundo louco este…
Dostoievski já o tinha reflectido quando afirmou “se Deus não existe, tudo é permitido ao Homem”.
Quando eu era adolescente julgava que o mundo passado era povoado de brutos, ignorantes e obscuros. Acreditava que estava a caminhar para tempos diferentes; mais esclarecimento, recursos e informação, melhor civilização/humanidade – como diz o mantra político, o progresso e a luz. Tontice minha!
Hoje, muitas aulas de cidadania depois, conhecimento em barda e educação de vanguarda, igual ao passado. Ou melhor, talvez pior do que no passado porque não temos a justificativa do obscurantismo, vivemos na época da luz.
A natureza humana é o que é. As utopias e as ilusões têm papel relevante, mas não podem ser o fio condutor do homem e das sociedades. Sob pena de cairmos no terreno do individualismo, do soberbo e do indiferente, ou no pântano da anarquia
É por outras e estas de agora que somos uma sociedade de armários atafulhados de fantasmas de que não nos conseguimos libertar por atavismo aferrolhado.
Declarar alguém inimputável perante a Lei é um processo complexo, que envolve vários actores e uma avaliação multidisciplinar…
A intervenção dos psicólogos serve, sobretudo, para explicar e compreender determinados comportamentos, mas nunca para os justificar, indultar ou descriminalizar…
Um homicídio, por exemplo, será sempre um crime, independentemente de poder ter sido praticado por alguém considerado como inimputável…
Esplanada em Utopia. Um país onde a taxa de criminalidade é zero. Não há furtos, não há homicídios, não há sequer gente a estacionar em segunda fila. À mesa, Vítor (Psicólogo Clínico, especialista em encontrar traumas onde há sanidade) e Aníbal (Sociólogo, com doutoramento em arranjar desculpas para cabrões) bebem um carioca de limão com o ar mais deprimido que a humanidade já testemunhou.
Vítor: Isto bateu no fundo, Aníbal. Sessenta dias sem um único homicídio passional. Nada. Tenho o consultório às moscas. Hoje de manhã tive de dar baixa a mim próprio.
Aníbal: A mim dizes tu. Onde é que está o meu grant do Estado para estudar a “envolvente social” do gangue do multibanco? Cortaram-mo!
Vítor: E a culpa não é deles, Aníbal.
Aníbal: Claro que não! A culpa é da sociedade! Que lhes tirou o pretexto para serem uns valentes merdas. Sem livre-arbítrio para escolher o mal!
Vítor: Olhei hoje pela janela do consultório e vi um tipo a ajudar uma velhinha a atravessar a passadeira. Aquele homem não estava em si. Fui a correr à rua para o tentar convencer de que tinha o direito fundamental de empurrar a velha.
Aníbal: E o que é que o oprimido te disse?
Vítor: Disse-me “Bom dia, doutor, quer ajuda a atravessar também?”. Agressão passiva pura! Provavelmente a mãe abraçava-o demasiado em criança. A hiper-aceitação gera monstros, Aníbal.
Aníbal: Que tragédia. É como dizia o Naguib Mahfouz: “Um mundo sem moral é um universo sem força da gravidade.” Ora, o nosso problema é o excesso de gravidade! Andamos todos colados ao chão.
Vítor: Eu sinto-me o Sísifo, mas na versão estúpida, a empurrar a pedra das desculpas esfarrapadas pela montanha acima. Já estou a ver que temos de ser nós.
Aníbal: Nós o quê?
Vítor: A malhar na velha. Vamos ali à passadeira e damos uma arrochada na velha. Inventamos o crime. Depois, em tribunal, eu choro a dizer que a minha figura paterna era emocionalmente distante.
Aníbal: Estás tolo? Para depois aparecer, na televisão, um painel de comentadores, a dizer que a culpa é mesmo nossa? Que fomos nós que escolhemos dar com um pau na velha? Deus me livre de ser tratado como um adulto responsável, Vítor. Não tenho estômago para isso.
Vítor: Tens razão, a responsabilidade individual também me dá suores frios. É melhor pedir mais um carioca. Mas pede tu, que eu hoje nem me consigo levantar. Sinto que o destino e o karma me prenderam a esta cadeira. Não estou em mim.
Aníbal: [Levanta-se, dramático] A culpa é da cadeira, Vítor. A culpa é da cadeira.
Não, eles não têm problema com o que aconteceu ou mesmo concordam, não podem é dize-lo ainda.
O principal problema é sistema de de ensino tomado pelo Marxismo.
https://x.com/robkhenderson/status/1975023686794256520
Relative to Americans with a high school education, Americans with graduate degrees are twice as likely to support political violence.
More education = higher support for political violence. It couldn’t be otherwise.
A destruição do ensino e e do jornalismo a que estamos a assistir feito pelos próprios será devastador. A Democracia não vai durar muito.