
Hoje é quarta-feira…. Como é habitual às quartas-feiras, estou de folga e gosto de pensar que posso levar o dia como me der na real gana.
A ideia é sempre dormir até partir e depois cirandar por aí em arrumações e afins, porque isto de uma mulher ficar em casa a descansar é um mito urbano: nunca dá para estar parada. É por isso que depois de me propor dormir até vir a mulher da fava, me encontro sem sono algum e às 8 da madrugada o passarinho cantou, estou a olhar para ontem e a remoer a minha desdita.
Um clarão na varanda que está transformada em escritório capta-me a atenção “- Que raio, ainda há pedaço estava sol…” Na minha cadeira da secretária está uma dama gorda com ar desmazelado mas brilhante, como se tivesse despejado na cabeça um balde de purpurinas da loja dos chineses. Peguei logo no taco de basebol que tenho sempre á mão para as invasões domiciliárias. “- Calma, calma! Não me reconheces? Sou a tua fada madrinha!“
Como poderia eu reconhecer tal trambolho, se nunca lhe tinha posto a vista em cima durante toda a minha existência? “– Eu sei, eu sei… tenho sido uma pessoa muito pouco presente na tua vida, mas tenho muitas afilhadas e muito pouco tempo. Acontece que nos últimos meses tu tens sido demais! As tuas queixas são constantes; passas o dia a carpir as tuas mágoas, a reclamar de tudo e de todos e, francamente, lá na Fadolândia também precisamos de descansar das tuas lamúrias que nem dormir nos deixam. Como chegou a época de promoções e tu queres porque queres, porque almejas desesperadamente por uma mudança, estou aqui para te conceder esse desejo: vou transformar-te num homem!”
Perante a minha expressão de estupefacção, continuou: ”- É pegar ou largar! Olha que há para aí muito quem queira e estou a oferecer-te a TI em primeira mão, com 80% de desconto, pago a 60 meses, TAEG 21,3% – é uma oportunidade única. Vá, decide-te!”
Envolta num turbilhão de pensamentos e perante a pressão constante do pespego, tentei pensar e pesar os prós e os contras: “- Lavar roupa/estender roupa/passar roupa… cozinhar, aspirar, limpar pó, limpar cozinha e banheiros passariam a deixar de pertencer ao meu rol de tarefas constantes e imediatas. Poder vestir-me na Lion of Porches, engravatar-me para ir passear o cão, usar roupa assexuada e achar-me o suprassumo da batata, é definitivamente um pró! Poder escrever qualquer coisa, como por exemplo blogues snob-chic, gostar de vinho e encantar as damas com a minha prosápia, ou ser um génio e escrever coisas que ninguém percebe sobre autores de que ninguém gosta e ter uma audiência de fiéis comentadoras que não percebem patavina do que estão a dizer, mas dizem, porque comentar posts intelectuais faz delas outras que tais, nem que seja por osmose, é definitivamente um pró! Posso também escrever sobre sexo bruto, com palavrões e imagens proibidas a menores de 18 e pôr o mulherio irrequieto como se sentado em mochos de urtigas, é definitivamente um pró!
Eh pá ! A coisa parece que promete…
“- Fada madrinha, posso escolher o tipo em que me vai transformar?” – “– Olha lá, com um desconto destes e a pagar a perder de vista não estás à espera que te transforme no Thor, pois não? … O negócio é o seguinte: não precisas ir ao Ângelo Ribeiro por teres as mamas nos joelhos, e ficas com um “órgão” diferente sem precisares de cirurgia intrusiva. De resto, do corte do cabelo à barba na cara, já vais no bom caminho e o guarda-roupa é por tua conta. Dois ou três gargarejos com bagaço de vinho verde dar-te-ão aquele tom másculo na voz, tão apreciado por todos os sexos, e é praticamente tudo. Basta-me pronunciar “Eu te fado!”
“- Então e o que é que eu digo ao meu marido? É que eu acho que ele vai dar por isso e não acredito que fique encantado com os resultados.”
“- Isso é problema teu, mas se ele quiser também uma transformação, talvez ainda se arranje uma com um número acima do dele, mas que com uns arranjos aqui e ali é capaz de servir. Não está é com uma promoção tão grande e tem de ser paga a pronto.”
A ideia de ver o meu rapaz de leggings tigresse e top com decote generoso, a sair de casa todas as manhãs de malinha ao ombro para as caminhadas diárias, revolveu-me superlativamente as entranhas e num repente peguei num braço do tropeço alapado na cadeira e pedi-lhe que se pusesse ao fresco, porque não estávamos interessados. Ainda me tentou convencer, oferecendo-me como prémio um dia de spa, para fazer vinhoterapia, mas não me demoveu. Tomar banho em vinho, não é seguramente a melhor maneira de aliciar uma senhora, caramba. O vinho toma-se, o banho também, mas cada macaco no seu galho! Que ideia infeliz essa de ficar a cheirar a resmungo!
Posso ter sido um tanto indelicada, mas estava farta de tanta fadice. Só queria mesmo era vê-la pelas costas. Nem lhe ofereci um cafezinho, mas creio que a fada madrinha fosse mais carrascão e courato.
Cada um tem a fada que merece, é o que é.
(Imagem Google/ Dreamstime)

Com tanto género para se transformar tinha de ser logo num homem. Não percebo essa obsessão, se você soubesse o sacrifício que é estar sentado no sofá a ver televisão enquanto a mulher se está a divertir a passar a ferro as minhas cuecas.
Aposto que nem um dia você conseguia aguentar esta discriminação.
Bom, pelo menos usa cuecas, o que denota um mínimo de civilização. Já não é mau de todo.
Tá a ver?
Eu a explicar o problema e você preocupada com as minhas cuecas.
Mulher é assim mesmo, é defeito profissional, só pode.
O Marcelo é que tem razão, isto só lá vai quando uma burra chegar ao topo.
Olhe que não Sr. Carlos, olhe que não. Só quando atingisse o apogeu alguma mulher ainda mais burra do que o homem mais burro que pudesse chegar ao topo é que a coisa poderia eventualmente mudar de figura, mas como em termos de burrice os homens sempre levaram a melhor, esse feito afigura-se de uma impossibilidade cósmica. Aproveite bem a cuequinha engomada.
Não se pode queixar, a fada madrinha deu-lhe a oportunidade de chegar ao topo.
Quer dizer, você é que não quis e o burro sou eu?
Mas alguém no seu perfeito juízo quererá chegar ao topo da burrice? Oportunidades envenenadas só mesmo um burro muito burro para as entender assim e aceitar, caramba!
Então mas quem chega ao topo da burrice é o mais burro dos espertos ou é o mais esperto dos burros?
Há tanto burro mandando
Em gente de inteligência
Que às vezes fico pensando
Que a burrice é uma ciência
António Aleixo
Esperteza não é inteligência, é o cúmulo da burrice.
E como muito bem refere António Aleixo, a burrice é a ciência dos chicos-espertos.
E, vai daí os senhores andam muito queixosos
que as mulheres ( muito assanhadas) passam o dia
a “ bater “ neles… tadinhos 😂😂
Queixinhas, é o que é… Basta-lhes uma constipação, Kika
Olhe que não, olhe que não, homem que é homem não toma mel para as constipações, come a abelha.
Ui ui, cuidado com o ferrão!
O ferrão é para palitar os dentes.
Pessoas inteligentes e chiques não palitam os dentes.
Como é que você sabe?
Você é inteligente e chique por acaso?
E precisa perguntar? Claro que precisa! Onde é que eu tinha a cabeça? Apenas pessoas do mesmo gabarito são capazes de se reconhecer mutuamente!
Mas é preciso passar as cuecas?
Exactamente, Cristina!
As que são feitas em algodão egípcio sim, as que você compra no supermercado é claro que não.
De quantos fios estamos a falar?
As minhas cuecas têm sempre de ser feitas com fio extra longo cultivado nas margens do Nilo.
Ok, mas cuecas de um fio são do pior que há mesmo se o fio for extra longo. Devem ser o pesadelo de qualquer engomador/a.
Fio dental
Odeio fio dental.
Porquê? Ficam encolhidas com a lavagem?
Eu compro no supermercado, mas só de algodão, para mim e o meu marido. Não costumo passar, que perda de tempo…
É por ser uma perda de tempo é que eu também não passo a ferro.
Pois pois… isto da psicologia inversa resulta e as entrelinhas são muito esclarecedoras
Ai é psicologia inversa?
Quer dizer, você faz um texto todo misandrista e agora as entrelinhas é que são esclarecedoras, tou a ver…
Mas funcionou. Pois é
Atão não funcionou. Nunca vi tanta mulher a falar de cuecas de algodão egípcio sem nunca ter visto nenhuma.
Pois pois… A quem muito quer saber, nada se lhe diz. Falta de jête, como dizem em Légsh.
Bem, pelo menos nisso estamos de acordo (no que concerne a roupa interior, toalhas e toalhões).
Algodão egípcio do Nilo, Cristina, mais uma praga, por assim dizer. E ainda por cima de um só fio
Les bijoux de famille ma chère!!
Seria inadmissível acomodá-los numa coisa
toda amarrotada.
Algodão egípcio com 1 fio ( se isso existe) = papel de jornal ( daquele do não faz mal, não faz mal…). Nem com ferro com caldeira lá vai Kika. Terá que repensar as acomodações, até porque as hemorróidas se assanham mais facilmente do que a minha gata em Janeiro
Obrigado kika por defender a dignidade das minhas cuecas.
Chivalry is not dead! Lady Kikalot defending dummies in cotton panties against the iron distress!
One day a lot of Camels, will rebuild Camelot, you’ll see!
Don’t hold your breath.
No need.
O prazer foi todo meu,Carlos Sousa
É um pouco assustador ver a imagem da Maria Dulce de barba e com um taco de basebol.
Era melhor ter aproveitado o desconto. O homem é um ser superior.
Sinceramente, a minha imagem com barba e um taco de basebol na mão não tem nada de invulgar e é até muito frequente.
Já ser transformada num ” ser superior”, nem de borla, anónimo, nem de borla.
Quem desdenha quer comprar.
Reconsidere e deixe lá a fada madrinha fazer alguma coisa por si. Pode ser que venha com um bigodinho incluido do tipo Dr. Mundinho.
Comprar!? Nem dado! O bigode já eu tenho, dá-me um ar dominador qual Mother of Dragons , a burrice deixo para quem de direito. Bom proveito, anónimo.
«O suprassumo da batata»

Não sei se a propósito ou despropósito.
Já lá vão uns anitos Tive num quarto próximo da Universidade (Porto) e depois fui para outro quarto (mais chic ) na Lapa com vista para o cemitério e a Igreja.
E neste local um colega de trabalho, contou ele, que um Tipo seu conhecido de vez em quando gritava; Sou Homem ou não sou Homem! Ao que parece era a sua mulher que de vez em quando o malhava.