A EUROPA CADA VEZ MAIS LONGE
"The public is losing patience with him, and so is this newspaper." Assim escrevia há dias a Economist. O visado era o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown. Que deixou há muito de ser uma espécie de mago Merlin da economia europeia para se tornar a face antecipada de uma derrota histórica dos trabalhistas num país que está muito longe de ter as debilidades estruturais de Portugal. A mesma Economist analisou agora a situação da economia portuguesa, num artigo intitulado ‘Diálogo Socrático’. Portugal sai mal deste retrato: o produto interno bruto cai 3,5%, o desemprego sobe aos 8,5% e sobretudo o País aumenta a distância que o separa da média europeia em rendimento per capita. Em 1999, no auge da governação Guterres, estávamos a quase 80% dessa média; hoje estamos a 75%. A Europa vai ficando cada vez mais longe – garantem os dados estatísticos, confirmando uma realidade que cada português pressente, mesmo sem ter conhecimentos macroeconómicos, a cada dia que passa.
A Economist aborda o caso Freeport para sublinhar o óbvio: "O facto de uma investigação iniciada em 2005 ainda decorrer demonstra a ineficácia e o atraso do sistema judicial [português]." Também neste campo estamos cada vez mais afastados da Europa.
Quando falta um mês para a eleição europeia, seria natural que estes temas estivessem todos os dias em debate. Mas não é isso que vemos: agora o que está a dar, bem à portuguesa, são as intermináveis especulações sobre um putativo bloco central lá para o fim do ano, quando vier o veredicto das legislativas. Quem aproveita com isso? José Sócrates. O público está a perder a paciência com ele, e alguns órgãos de informação também. Mas, sublinha a Economist, ele é capaz de vencer as legislativas – embora sem maioria absoluta. Porque governa bem? Não: porque a oposição é o que é. Também na qualidade da classe política estamos cada vez mais longe da média europeia.


E quem levantou a lebre desse debate absolutamente descabido do bloco central? Com alternativas assim… Acho que prefiro é ir ao futebol celebrar a categoria e eficácia do FCP e as alternativas que se lixem.
Podemos assim dizer que esta revista ‘transvestida’ alinhou também na campanha negra contra o nosso PM.
Não sei se não terá sido um jornalista da Economist que agrediu Vital Moreira…!