Europeias (17)


Patrícia Reis,

 

OUTUBRO EM MAIO

 

O PS sonha com a renovação da maioria absoluta na Assembleia da República. Sonhar é fácil e por enquanto não paga imposto. Mas é curioso que este desejo para as legislativas tenha sido expresso pelo cabeça de lista às europeias, já esquecido de que foi ele a defender inicialmente que não devia haver confusão entre os dois actos eleitorais. Mais curioso ainda é que, precisamente na mesma altura, o PS faça distribuir pelo País um cartaz com o rosto de António Guterres – um líder socialista que ganhou duas eleições, mas nenhuma delas com maioria absoluta. A linguagem simbólica deste cartaz pesa muito. Não sei o que pensam dele. Por mim, detecto ali um fortíssimo traço premonitório. Em Maio, já antecipa Outubro.

16 comentários em “Europeias (17)”

  1. O que vejo deste cartaz é um facto essencial na história portuguesa: europa e o euro! Isso confunde-se com o Partido Socialista. Os portugueses saberão reconhecer isso mesmo…

      1. Agora teve piada. Admito. Apesar de ser o PSD quem mais euros vai gastar na campanha, o que queria dizer, isso sim, é que estes dois factos históricos, adesão à europa, adesão à moeda única, confundem-se com o Partido Socialista, foram governos PS que tiveram papeis fundamentais nesses processos.

        Hoje é inegável: não fosse Portugal estar na União Europeia e nunca na vida apresentaria valores de desenvolvimento como apresenta..

        1. Se bem entendi então, e usando o seu raciocínio, entre Badajoz e os Pirenéus o euro confunde-se com o Partido Popular, pois quem chefiava o Governo na altura em que a Espanha – como a maioria dos países da UE – aderiu à moeda única era José María Aznar.

  2. Confesso que o outro cartaz me faz ainda mais confusão do que esse.

    É que Portugal entrou para a CEE a 1 de Janeiro de 1986, numa altura em que o Presidente da República era ainda o Ramalho Eanes e o primeiro-ministro já era o Cavaco. Mesmo aquando da assinatura do tratado de adesão, a 12 de Junho de 1985 (e não de 1986, como aparece ainda nalguns cartazes), Mário Soares era primeiro-ministro… mas de um governo do Bloco Central.

    Para mostrar que é o partido mais europeísta de todos, o PS recorre à História, mas acaba por cair num vasto conjunto de inexactidões e de omissões preocupantes. Se é assim com um simples cartaz, como será com coisas realmente importantes?

  3. Pedro:

    A confusão que esre PS faz é com tudo, senão vejamos:
    – Quem faz campanha é o governo e não o candidato ou o partido.
    – Quem responde ás criticas ou propostas é o governo ou os seus funcionários.
    – O candidato (existe?) até hoje nem uma proposta apresentou, ainda por cima acha ao contrário do”grande lider”, que o Dr. Durão Barroso não deve ser Presidente da CE.
    – Criticou outros candidatos de quererem falar de politica interna na campanha, caso muito curioso ele passa o tempo a falar precisamente do que critica nos outros.
    Enfim, o que me dá ideia, é que o PS perdeu a vergonha toda, pois já não sabemos onde começa o governo e acaba o partido ou seja é tudo nosso (deles)
    Acerca de um comentário acima em que se dão “loas” aos socialistas pela entrada no Euro, queria apenas dizer que temos de ter memória e verificar que por acaso para entrarmos para esse “clube” houve necessidade de aprovar orçamentos (abstenções do PSD), temos de ser sérios e não vermos só uma parte da história, mas entendo com tanta papa Maizena que
    têm comido…

    1. O que nos consola, Carlos, é que “a crise acabou” (Pinho ‘dixit’). E a Margem Sul já não é “um deserto” (Lino ‘dixit’) graças ao ex-futuro aeroporto da Ota que vai aterrar em Alcochete. Quem disse que este Governo não acerta uma?

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