DÚVIDAS SUSCITADAS POR UM CARTAZ
“Nós, europeus” – expressão que leio num dos principais cartazes de propaganda eleitoral na pré-campanha já em curso – significa exactamente o quê?
Que a condição europeia é uma espécie de estádio superior de cidadania? Ou que, pelo contrário, somos um sujeito sem predicado? Somos uma realidade geográfica, confinada às fronteiras históricas do Velho Continente? Nesta hipótese, significa isso que excluimos a Turquia – país maioritariamente asiático – do espaço europeu? “Nós, europeus” significa que somos europeus antes de ser portugueses? Isso exclui-me a mim, que me sinto português antes de ser europeu? Excluimos os africanos, asiáticos e americanos que vivem em Portugal e até podem já votar nas eleições autárquicas? E não há portugueses africanos? E não há portugueses asiáticos? E não há portugueses americanos? Portugal, país de emigrantes, pode ser considerado apenas pela sua componente europeia, excluindo os portugueses que não se encaixam nesta dimensão? Portugal, país de imigrantes, pode ser considerado apenas pela sua componente europeia, excluindo os aqui radicados que não se encaixam nesta dimensão?
O facto de estas eleições se destinarem a eleger o novo elenco do Parlamento Europeu significa algo mais que isso? Que leitura política devemos fazer se a abstenção for gigantesca?
“Nós, europeus”, temos uma língua comum? “Nós, europeus”, temos um exército comum? “Nós, europeus”, temos um sistema político comum que nos torna simultaneamente concidadãos do senhor Nicolas Sarkozy, súbditos da senhora Elizabeth de Windsor e vassalos da burocracia de Bruxelas? São “europeus” os valões que querem separar-se dos flamengos e os flamengos que querem separar-se dos valões na minúscula Bélgica? São “europeus” os bascos nacionalistas que matam bascos que se sentem espanhóis? Gibraltar é “europeia”? Olivença é “europeia”? As Ilhas Caimão são “Europa”? Guadalupe e Reunião são “Europa”? A Union Jack deixou de ser hasteada em Guernsey, terra do exílio de Victor Hugo, com a costa francesa ali defronte?
A União Europeia pode ser construída sem europeus?
“Nós, europeus” significa exactamente o quê?
A quantidade de perguntas que um simples cartaz pode suscitar.


Para mi, Pedro, neste contexto significa exactamente: “Nós, saloios”.
Enfim, Ana, era isso mesmo que eu pretendia dizer. Apanhaste-me.
Nós europeus quer dizer rigorosamente NADA.
É coerente com esta malta rosa que só tem embalagem e não tem conteúdo.
Hoje, 35 anos depois do 25 de Abril, olho para o PS e compreendo imediatamente porque é que tivemos 48 anos de ditadura no séc. passado.
Sim, é verdade, estou aqui a publicitar a nossa peça intitulada: NU.
6as e sábados às 22h no Bar Novo da Faculdade de Letras de Lisboa. Reservas: 221 799 0530.
Porque gostamos de letras e de nos descobrirmos!
Saudações Teatrais! =D
Desejo-vos muita Merda.
Não sei quem são as cabeças brilhantes que estão por detrás deste tipo de frases que se querem coerentes, emblemáticas e apelativas .. mas está na altura de mandar estes criativos aprender algo.
Eu Portuguesa da Beira e Inglesa de Brighton digo-te já que não percebo sequer o que está ali a virgula a fazer. 😉
A vígula está certa, Once. A ideia é que não…
Just kidding, Sire :))
I see…
A ideia está certa, Once. A vírgula é que não.
vocês entendam-se 😉
Bom fim-de-semana **
Estava a brincar, Once. O João tem razão: a vírgula está certíssima. Quanto às ideias, remeto para as interrogações semeadas no meu texto.
Pedro, um excelênte post, parabéns.
Este cartaz, faz-me lembrar um cartoon da Segunda Guerra Mundial, que a minha mãe me descreveu, que mostrava o Hitler com um pé no pescoço de um judeu em atitude de caçador com a sua presa.
O pobre homem, para ver se se safava, dizia:
MIM, MERICANO!
(Com vírgula ou sem vírgula; dramático!)
Obrigado, Virgínia.