Europeias (21)


Patrícia Reis,

  

 

 EUROPA A TREZE

 

A RTP cumpriu esta noite o seu papel de serviço público dando voz, num mesmo debate, a todos os cabeças de lista às europeias. Treze, no total. Fátima Campos Ferreira, que moderou esta emissão, foi mais generosa na atribuição de tempo de antena aos candidatos dos cinco maiores partidos. Mas a verdade é que esta foi a melhor oportunidade, até agora, para os escutarmos a todos em conjunto. E provavelmente será a única.

Fica o registo da prestação dos treze. Um por um.

 

CARLOS GOMES (MMS)

O melhor. Tem a filha a estudar em Estrasburgo, como revelou.

O pior. Só se deu por ele quase no fim do debate.

Palavra-chave. Mudança.

Frase. "Precisamos de um simplex europeu."

 

CARMELINDA PEREIRA (POUS)

O melhor. Foi a primeira a falar.

O pior. Foi a primeira a falar.

Palavra-chave. Nacionalização.

Frase. "É preciso proibir os despedimentos."

 

FREDERICO D. CARVALHO (PPM)

O melhor. Foi o mais enérgico dos ‘pequenos’.

O pior. Disse que os 13 que ali estavam mereciam entrar no Parlamento Europeu, o que é manifestamente exagerado.

Palavra-chave. Monarquia

Frase. "Não há democracia em Portugal. Há apenas o poder de alguns."

 

HUMBERTO OLIVEIRA (PNR)

O melhor. Mostrou alguma sintonia com o MRPP.

O pior. Entende que imigração e violência são sinónimos.

Palavra-chave. Europês.

Frase. "A União Europeia prejudica Portugal."

 

ILDA FIGUEIREDO (CDU)

O melhor. Nunca desiste de falar.

O pior. Nunca desiste de falar.

Palavra-chave. Neoliberal.

Frase. "Há empresas que continuam a ter lucros enormes."

 

LAURINDA ALVES (MEP)

O melhor. Tentou passar uma mensagem positiva.

O pior. Teve a melhor intervenção a encerrar o debate, à 1.25, quando quase toda a gente já dormia.

Palavra-chave. Solidariedade.

Frase. "Quando divimos, multiplicamos."

 

LUÍS GUERRA (PH)

O melhor. Pareceu uma pessoa afável.

O pior. Abusou das frases feitas, género "Em cada ser humano há uma capacidade de renovação".

Palavra-chave. Paradigma.

Frase. "Nos países islâmicos, os bancos não podem cobrar juros. Parece-me ser um modelo elementar."

 

MIGUEL PORTAS (BE)

O melhor. Foi o que argumentou com mais eficácia a favor do referendo europeu.

O pior. Aquela camisa e aquele blazer estavam mesmo a pedir uma gravatinha…

Palavra-chave. Eurocracia.

Frase. "Os traficantes de armas e os traficantes de droga não pagam imposto. Não pode ser."

 

NUNO MELO (CDS)

O melhor. Incomodou Vital Moreira ao mencionar as bicandidatas socialistas Elisa Ferreira e Ana Gomes.

O pior. Estava muito rouco.

Palavra-chave. Regulação.

Frase. "Não me importo que me interrompam quando tenho a voz boa."

 

ORLANDO ALVES (MRPP)

O melhor. Apareceu de gravata vermelha, a cor mais adequada a um representante da classe operária.

O pior. Desta vez não falou na guerra que vem aí.

Palavra-chave. Trabalhadores.

Frase. "Os fundos que vieram foi para vender o País ao desbarato."

 

PAULO RANGEL (PSD)

O melhor. Nunca levantou a voz.

O pior. Sintonia plena com Vital Moreira na oposição ao referendo europeu e na defesa do Tratado de Lisboa.

Palavra-chave. Fundos.

Frase. "Haveria vantagem em levar por diante o Tratado de Lisboa."

 

QUARTIN GRAÇA (MPT)

O melhor. Esteve sempre sereno.

O pior. Demasiado sereno, talvez.

Palavra-chave. Transparência.

Frase. "Nem a Europa começou no Tratado de Lisboa nem acabará sem o Tratado de Lisboa."

 

VITAL MOREIRA (PS)

O melhor. Foi o que mais tentou falar, embora com pouco sucesso, de questões europeias.

O pior. Sintonia plena com Paulo Rangel na oposição ao referendo europeu e na defesa do Tratado de Lisboa.

Palavra-chave. Social.

Frase. "Além de ser acusado de coisas falsas ainda sou impedido de me defender? Por favor, um pouco de decência."

32 comentários em “Europeias (21)”

  1. Obrigada pelo magnífico resumo, Pedro! Veio mesmo a calhar, porque hoje deu-me a preguiça da informação e preferi ver um filme excelente: Segredos e Mentiras, de Mike Leigh. Recomendo.

  2. O Pedro Correia é serviço público…! Também vi parte do debate, que até teve momentos interessantes. Gostei especialmente de Ilda Figueiredo, inconsolável porque há empresas com lucros. Não se faz!

    1. Concordo, este post é serviço público. Também só vi um bocado, mas retive uma frase do Frederico: «Portugal é o país mais rico da Europa». Se a JP Sá Couto precisar de mais um vendedor, aqui está um bom candidato.

    1. Felicito-o pela prestação neste debate, que achei superior ao da SIC N (que não vi na totalidade). Alguns dos pequenos estiveram em bom nível – PPM, MEP, MMS. E também o MPT, embora eu ainda não tenha percebido muito bem essa associação ao Libertas.

  3. Excelente post. Gostei bastante, apesar de não ter visto o debate (pois muitíssimo antes da 1:25 já estava a dormir).

  4. Caro Pedro, deixei há muito de dar para este peditório. Estive a ver o Serviço de Urgência do Canal 2 , recomendo. Quando acabou fui dar uma espreitadela e dei de caras com a camarada Carmelinda a dizer que era preciso proibir os despedimentos…., ainda ouvi o Vital a dizer que não o deixavam defender-se e já não dei tempo ao Rangel de explicar a a história do QREN …, ah ainda vi a Laurinda a ver se conseguia desenvencilhar-se da camarada Carmelinda, e fui dormir. Pensei, amanhã leio o post do Pedro Correia para saber o nome da malta que não conheço…

    PS: Segredos e Mentiras, de Mike Leigh é absolutamente imperdível Ana, excelente serão.

    1. Excelente serão mesmo, Ariel. Na verdade foram dois os filmes que vi: Este, do Mike Leigh (a meio lembrei-me de que já o tinha visto há anos, mas gostei de revê-lo), e “Destruir depois de ler” dos irmãos Cohen, que não conhecia. Também gostei deste, mas o outro é soberbo.

    1. Obrigado, Ana Margarida. Estava com vontade de perceber como seria o convívio entre ‘grandes’ e ‘pequenos’ neste debate. Genericamente decorreu bem, com elevação e quase sem atropelos. É bom que os ‘grandes’ escutem os ‘pequenos’ sem soberba. Em democracia é mesmo assim.

  5. Pedro:

    Excelente, mais uma vez e como alguém diz acima, isto sim é serviço público.
    Reconheço, que não vi, um bocado que fosse, do debate, mas claro, o teu resumo, chega, para ficarmos a saber, o que por ali se passou.
    Obrigado, Pedro.

    1. Obrigado, Carlos. Não gosto que os pequenos partidos sejam tratados como não-entidades pelos canais de televisão. A RTP cumpriu desta vez a sua obrigação de serviço público. Os outros deviam fazer o mesmo – os privados também têm obrigações de serviço público. Além disso, julgo ser televisivamente interessante ver o confronto de Davids com Golias.

  6. Caro Pedro Correia:

    Depois de tudo o que já está escrito ns comentários anteriores resta-me um agradecimento pessoal. Está a ver? Mesmo fugindo à segunda frase da Carmelinda, tenho o essencial do debate aqui. Muito obrigada.

    🙂

      1. Acredito, acredito. E se a minha primeira tentação é brincar com o caso, num segundo momento fico apreensiva com este e outros exemplos. Como se pode estar tão desfasada do mundo? Ou é muito oportunismo junto ou, então, um alheamento a raiar o patológico. Ontem não vi o debate, portanto não sei o registo da “prestação” da Laurinda Alves. Mas vi o da SIC-N (onde só estavam os “pequenos”). No final o sentimento é de total frustração. Não é nestas franjas que está a semente de um futuro diferente. Isto não são franjas, são frangalhos!
        (como todas as generalizações são injustas…. deixo esta ressalva)
        :))

  7. Também vi, Pedro, mas não tive pachorra para escrever, porque cheguei ao fim exausto.
    Deixa-me só acrescentar dosi momentos altos:
    1-Carmelinda Pereira a dizer que não queria que as pessoas votassem nelas, porque o que o POUS queria era apenas discutir. Para mim merecia o prémio “fair-play”!

    2- Quando a mão trémula de Vital Moreira exibia um panfleto com o slogan do PS “Primeiro as Pessoas”.
    Quem convive diariamente com a realidade do “aggiornamento”, dos jogos de influências, do desrespeito pelas pessoas cultivado por este PS pode acreditar.
    Merecia, sem dúvida, o Prémio Pinóquio

  8. A algazarra em volta da proposta do POUS de proibir os despedimentos é absolutamente injusta.
    A proposta está bem pensada e nenhuma ponta foi deixada solta senão vejamos:
    Depois da apresentação da inovadora proposta, a apresentadora perguntou:
    – Pretende também proibir as falências?
    – Exactamente. respondeu a prof. Carmelinda.
    Como se vê a proibição dos despedimentos é possível se forem também proibidas as falências.

    Séculos de ciência económica e nunca se havia pensado nisto…

  9. Não tenho dúvida de que não se passou mesmo mais do que isso…ainda bem que não vi. além de que certas vozes me provocam reações urticariformes .

  10. Também fiz um apanhado do debate, de que só vi metade, mas não tão completo como o seu, Pedro Correia (espanta-me o silêncio da blogoesfera). Mas fico aliviado ao ver que as minhas conclusões não são muito diferentes.

    De Carmelinda, toda ela um filme, gostei da referência aos bancos deverem ser geridos pelas “comissões de trabalhadores”. Alguém lhe diga que o PREC já lá vai!

    1. Com a crise que vai por aí, só falta mesmo pôr as comissões de trabalhadores a gerir os bancos, João Pedro. Podiam começar pelo Banco de Portugal. Talvez essas comissões regulassem e previssem melhor do que o actual governador.

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