ENTRE DUPOND E DUPONT
Há quem diga que esta eleição europeia é a mais fácil para o PSD dos três actos eleitorais de 2009. Errado. É a mais difícil. Porque o discurso europeu dos sociais-democratas não se distingue do discurso europeu dos socialistas. Nas questões essenciais, os dois partidos estão de acordo, como aliás se tem visto debate após debate. Vital Moreira é um entusiasta declarado do Tratado de Lisboa, Paulo Rangel também. Vital Moreira acha normalíssimo que o PS tenha violado a promessa eleitoral de referendar o Tratado Constitucional (de que o de Lisboa é um óbvio sucedâneo), Paulo Rangel faz como ele. O PS aplaude a entrada da Turquia na União Europeia, embora sem explicar aos portugueses quanto nos custaria essa adesão, e o PSD também aplaude, contrariando aliás as posições já assumidas por Angela Merkel e Nicolas Sarkozy. Mesmo na recondução de Durão Barroso como presidente da Comissão Europeia Manuela Ferreira Leite e José Sócrates já mostraram sintonia: estão ambos de acordo. Dupond e Dupont.


No fundo, Dupond e Dupont têm vindo à tona nestes anos recentes, compadre. Tenho até certas dúvidas de que venham a descobrir-se clivagens sérias e consistentes nas autárquicas e nas legislativas.
Eu disse clivagens sérias e consistentes. Não estou a falar da posição da linha do TGV e coisas dessas, claro.
Também eu, compadre. Mas ainda lhes darei o benefício da dúvida nessas eleições. Nas europeias é que isso não é possível: obviamente, não há uma só divergência assinalável entre os dois maiores partidos.
Tem toda a razão, mas a experiência – inclusivé em outros países, e ao longo de decénios . mostra que de facto uma boa parte das pessoas encara a política de forma clubística, em que se vota num partido por fidelidade ancestral ou mesmo familiar.
É um facto, Luís. Mas para isso não contem comigo, nesta ou qualquer outra eleição.
Pedro:
Para ser fiel, ás duas figuras, do teu post, eu não diria melhor, que “nem mais é isso mesmo”.
Veremos se as tuas sugestões de ontem para o debate chegam a tempo, para verificarmos ainda se há diferenças, mas temo que não.
Vou confessar, Carlos: apreciei esse olhar solto sobre a realidade, que é coisa que vai escasseando. E apreciei porque não é pecado ter-se clube: pecado é a clubite toldar-nos a lucidez e cegar-nos.
Abraço.
Carlos, acabo de ver mais um debate e cada vez se percebe mais que a Europa quase não existe nestas europeias.
João:
Não sei se se lembra mas em Janeiro devido a algo que me aconteceu numa autarquia Lisboeta e que também passou por aqui, disse que felizmente não precisava da politica para viver, e que apesar de ser militante do PSD orgulhava-me de pensar pela minha cabeça e de denunciar o que achava errado ou injusto. Lembra-se?
Ora bem, seguindo á risca aquilo que penso em relação ao caso em apreço (post do Perdro) dou-lhe toda a razão e este tem sido um dos problemas da nossa democracia no fundo ás vezes fala-se muito, ou por outas palavras para ir daqui ao Porto, há montes de hipóteses para lá chegar o drama é esse, chegar lá, como, isso não interessa tudo acessório nada de prático.
Estes dois candidatos falam, falam, falam, mas propostas para nós cidadãos em concreto muito pouco ou quase nada.
Abraço forte João, o outro João que conhecemos (Severino) está bem.
Lembro-me perfeitamente, Carlos. A sua posição acima a que me referi apenas o confirma.
Eu também vou falando com o João Severino.
Abraços.
Eu diria mais, Pedro… é a mais difícil.