VITAL NO PAÍS DAS MARAVILHAS
Os estrategos socialistas devem ter dado graças aos céus por a TVI 24 ser ainda um canal com pouca audiência. Se não fosse, muito mais milhares de telespectadores teriam visto esta noite o fraquíssimo desempenho de Vital Moreira num frente-a-frente com Paulo Rangel sobre as europeias em que o tema de que menos se falou foi a Europa. Mais parecia um debate sobre as legislativas, com cinco meses de antecipação, do que sobre os novos rumos da construção europeia, o que só confirma o irremediável provincianismo vigente cá no burgo: a nossa Europa termina às portas de Badajoz.
Restou, portanto, a agenda doméstica. E aqui Vital foi desastroso ao equiparar o Portugal de Sócrates e da crise ao País das Maravilhas, destacando a "reforma extraordinária que está a ser feita nas nossas escolas" e o "maior rendimento disponível" dos funcionários públicos. "Portugal está a resistir à crise muito melhor do que muitos países", sentenciou o cabeça de lista do PS no dia em que se soube isto. "A maior parte das pessoas tem mais liquidez do que no ano passado", observou também, no mesmíssimo dia em que isto foi divulgado.
Paulo Rangel nem precisou de se esforçar para ganhar o debate. E chegou até a parecer genuinamente admirado com o fervor propagandístico do seu antagonista, demasiado fácil de desmontar: o excesso de fé cega muitos iluminados. Vital Moreira, concluiu acertadamente o cabeça de lista do PSD, "nas questões internas é mais papista do que o papa e nas questões externas quer mostrar autonomia por razões tácticas".
Para azar de Vital Moreira, neste debate quase só se falou de questões internas…


O FIM DE DO OCIDENTE
A Globalização, tal como foi concebida, passará o ocidente para segundo plano, que será ultrapassado pelos países do extremo oriente: a China e a Índia serão as novas superpotências. O Ocidente caiu na armadilha que interessava às grandes Companhias que pretendiam aproveitar-se dos baixos custos de produção no oriente, onde o custo da mão de obra é insignificante para o estabelecimento do preço dos bens aí produzidos, em virtude dos baixos salários e da inexistência de quaisquer obrigações sociais. Porque esses bens se destinavam principalmente à exportação para o ocidente; e como o ocidente tem vindo a perder poder de compra, a crise ocidental acaba por tocar também as novas potências orientais. Porém, a crise é aí apenas um menor crescimento económico: há poucos anos era de dois dígitos ao ano e agora deverá ficar-se por 6 ou 7% e isso é muito diferente da recessão ocidental que não tem fim à vista.
Ao aderirem a esta globalização que – nos dizem – seria inevitável (como se o mundo não existisse antes), os países ocidentais prometeram que as suas economias se tornariam mais robustas e competitivas (não sei bem como?) e não condicionaram a abertura dos seus mercados ao cumprimento de regras ambientais e à criação de leis laborais justas: melhores salários, menos horas e menos dias de trabalho, férias anuais pagas, assistência na infância, na saúde e na velhice. Não, o ocidente optou simplesmente por abrir as portas à importação sem condições, criando com isso uma concorrência desleal e “selvagem” da qual sairá a perder. A única alternativa seria a de nivelar os salários e regalias sociais dos ocidentais pelos do oriente. É a esse reajustamento que os ocidentais assistem agora. Senão para que servem as alterações às “Leis do Trabalho”? e as reduções das contribuições das Empresas para a Segurança Social? Os países do Oriente não estão comprometidos com quaisquer metas de defesa ambiental e as suas tecnologias são altamente poluentes o que é outra desvantagem para o ocidente, tudo isto ditou a sua própria “sentença de morte”: enquanto algumas empresas não resistem e fecham as portas para sempre, outras deslocam-se para o extremo oriente para assegurar aí a sua sobrevivência.
Quanto aos trabalhadores, será que depois de terem atingido um razoável nível económico e social vão aceitar trabalhar 10 ou mais horas por dia a troco de um ou dois quilos de arroz por dia, sem direito a descanso semanal, sem férias, sem reforma na velhice, etc…? Não! por isso o ocidente está já a iniciar um penoso caminhar em direcção ao caos: a indigência e o crime mais ou menos violentos irão crescer e atingir níveis inimagináveis apenas vistos em filmes de ficção que nos põem à beira do fim dos tempos como consta nos escritos bíblicos. A Segurança Social não poderá suportar o esforço nem minimizar os problemas que irão crescer sempre, até porque as receitas serão cada vez mais reduzidas, devido a menores contribuições por parte das empresas pelos incentivos (inúteis) que lhes estão a ser oferecidos e também menores contribuições dos trabalhadores devido a mais desemprego. A época áurea do ocidente é já coisa do passado, que em breve se encherá de grupos de salteadores desesperados, sobrevivendo à custa do saque.
Regressaremos a nova “Idade Média”, se é que poderei chamar assim: A sociedade passará a ser formada por uns (poucos) muito ricos – alguns por via do crime – que habitarão autênticas fortalezas protegidas por todo o tipo de protecções, e que apenas sairão à rua rodeados por guarda-costas dispostos a matar ou a morrer pelo seu “senhor”; haverá, em simultâneo, uma enorme mole de gente desesperada, de mendigos e de salteadores que lutam pela sobrevivência a todo o custo e cuja protecção apenas poderá ser conseguida quando em grupos, pois as ruas serão cada vez mais dominadas por marginais, ficando as polícias confinadas aos seus espaços e reservadas para reprimir as “explosões” sociais que possam surgir
Nunca vi um alentejano escrever tanto sem se cansar…
Conseguiste ler tudo? Hehe…
Não, compadre. Ele não se cansou, mas cansei-me eu.
Pedro:
Ficámos esclarecidos, neste debate, sobre o que pensam os candidatos da Europa e o que poderão esperar os cidadãos destes 2 candidatos, e a conclusão é simples:
Quando será que falarão da Europa e das soluções que têm para ela? A minha resposta é -nunca -.
Apesar de tudo P. Rangel, concordo contigo, deu um bigode ao Sócrates 2, mas enfim o Sr Vital lá saberá com que linhas se coze e a elogiar tanto o engº ainda não percebeu que a queda será grande, estamos fartos de mentiras e propaganda.
Convém a ambos não falar da Europa para que os eleitores não se apercebam que nada os divide neste domínio, Carlos. Na política interna, a colagem total a José Sócrates dá péssimos resultados, como ontem à noite se comprovou.
Vital cada vez menos vital. E Sócrates cada vez mais atrapalhado com a escolha, o que constitui o único elemento que me desperta um sorriso, neste quadro generalizadamente deplorável.
Lá rebenta antes do tempo o balão de ensaio das presidenciais. Vai ter de arranjar outro…
O quê ?
Vital candidato à presidência ?
Estou a rir há 10 minutos e não consigo parar.
Guarde algum do riso para o sucedâneo que vier aí, não tarda muito…
Nem mais.