PH: PEACE AND LOVE
Li o programa do Partido Humanista às eleições europeias.
Principais propostas:
– Desmantelamento das armas atómicas existentes em território europeu.
– Retirada imediata das tropas europeias dos territórios estrangeiros ocupados.
– Inscrever nos tratados europeus uma renúncia expressa à guerra como meio de resolução de conflitos.
– Regularizar todos os imigrantes residentes em território europeu e equiparar os estrangeiros aos cidadãos comunitários em matéria de liberdade de circulação e direito de estabelecimento.
– Conceder asilo a todas as pessoas e respectivas famílias que são forçadas a fugir dos seus países, independentemente das suas motivações para emigrar.
– Estabelecer como critérios obrigatórios de convergência a existência de sistemas públicos de saúde e de educação gratuitos, universais e de qualidade.
– Combater a precariedade laboral e o desemprego, impondo modelos de participação dos trabalhadores na propriedade e gestão das empresas.
– Regular a actividade bancária, fomentando as operações de capital de risco no apoio à actividade produtiva e impedindo os juros usurários.
– Monitorizar e controlar a prescrição de psicofármacos a crianças, alegadamente hiperactivas ou com défice atencional.
– Incentivar o empreendedorismo e a criação de empresas através de apoios financeiros.
Comentários:
1. O Partido Humanista devia mudar de nome. Devia chamar-se Partido da Paz e do Amor.
2. Felizmente os belíssimos princípios pacifistas advogados pelo PH não vigoravam durante a II Guerra Mundial. Caso contrário a Europa teria ficado submetida à ‘paz’ de Hitler.
3. O programa do PH concilia o estado máximo de bem-estar, ainda por cima com a banca "regulada" e proibida de praticar "juros usurários", com a concessão máxima de direitos políticos e sociais aos imigrantes. Quadratura do círculo: se fosse aplicado à letra – partindo do princípio de que alguma vez teria aplicação prática – este programa atrairia à Europa milhões de deserdados do mundo inteiro em busca de direitos máximos e regalias máximas que não encontram, nem de longe, nos países de origem. Nunca é dito como seria financiado esse estado de bem-estar, um pormenor despiciendo a que talvez o PH aluda num dos seus próximos programas eleitorais.
4. Detesto a expressão ‘défice atencional’.
5. Faltou algo essencial no cardápio das promessas eleitorais do PH: um pote de ouro no fim do arco-íris. Omissão imperdoável.
6. O programa do PH é assim como aqueles manuais de auto-ajuda que se vendem aí pelos supermercados: não faz bem nem mal, antes pelo contrário.
7. O PH enganou-se de ano. Estamos em 2009, não em 1968.


Pedro.
Pelos vistos, andas “numa de leituras partidárias” por estes dias. Gabo a tua paciência, mas falando a sério, todos, deviamos fazer o mesmo, o pior, é que da teoria, á prática, nos dias de hoje, vai uma grande distância.
Caso curioso, será que todos estes partidos, pararam, no tempo? Uns ficaram-se pelos anos 60, ou na melhor das hipóteses em 1975.
Em relação ao POUS, este ficou parado mais atrás, Carlos. É obra.
Gosto do PH, na generalidade. Apenas me parece mais prático declarar de uma vez que todos os habitantes da Terra têm os mesmos direitos dos europeus.
Além disso, se é para conceder «asilo a todas as pessoas e respectivas famílias que são forçadas a fugir dos seus países, independentemente das suas motivações para emigrar», não vale a pena complicar: tanto faz que tenham sido forçadas como não, visto que o motivo não interessa nada. Deve ter sido um pequeno «défice atencional» do PH.
O problema é que se ‘asilarmos’ todos quantos querem poisar cá, teremos de ser nós a pedir asilo noutro lado e a coisa nunca mais pára. Um bocado chato.
1968? Fala só de psicofármacos? Nada de cannabis?
O que eu acho realmente estranho é isto (http://beijokense.blogspot.com/2009/05/fiquei-surpreendido.html)!
Estes seus posts são deliciosamente didácticos, além do mais. Bem a do “pote de ouro” é uma imagem que, em poucas palavras, vale mais de mil. Que remate. Estilo K.O.
Muito bem.
🙂
Acredite, Maria do Sol: parto para a leitura de cada programa partidário como se tivesse ouvido falar destes partidos pela primeira vez e tentando pôr-me na pele de um cidadão comum, que acompanha muito à distância estas coisas da política. Até agora só sofri decepções.
Acredito. Ainda ontem comentava com uma amiga minha a questão destes pequenos partidos. Eu só com basen no que vi no debate da SIC, o que sendo pouco, mostra a carruagem no essencial: a maior parte são risíveis, paradoxais e a levantar sérias dúvidas sobre se os seus mentores andam por cá ou têm estado numa lua qualquer.
Parabéns pela ideia e pelo esforço que faz.
🙂
Meu caro vizinho e amigo blogosférico,
já lhe disse uma vez e repito, invejo-lhe a paciência e a sabedoria em postar, não é,efectivamente, para todos.
abraço
É preciso alguma paciência, é. Um abraço, Pedro.
Começo a achar que não há partidos sintonizados com o tempo actual, Pedro. Incluindo os grandes, que vivem em guerras permanentes por motivos do passado e só falam de grandezas futuras. E do AGORA, quem trata?
A Ana levanta uma questão interessante, a meu ver. Tudo é tão precário e datado que o agora que ainda não somos nem sequer é equacionado. E esta falta de sentido das coisas tema ver com liberdade. O que “ainda não somos” pode sempre ser objecto de escolha, mesmo não ignorando os constrangimentos inerentes à vida. Mas, quem é que se preocupa em ir um pouco mais além do que a vertigem do dia a dia sugere? Depois há déficit de estratégia, não há uma ideia, não há um projecto consistente para o país que, sem renegar o passado e a nossa natureza (whatever) tenha uma visão prospectiva sistematizada.
:)))
Não posso tirar ainda grandes conclusões, Ana. Ainda só li dois programas eleitorais. Faltam onze.
Desejo-te muita paciência e um bom sofá. 🙂
Eu sou o que de mais prático há em relação a essa definição Pedro .. cidadão comum e anónima que acompanha as “coisas” um pouco ao longe, ligeiramente distraída, etc, etc, e considero uma verdadeira mais valia este serviços público.
O PH é sem dúvida algo utópico. Até porque a consciência social a que quer apelar tem de existir nos tais “comuns dos mortais” para que funcione civilmente. Não em termos instituídos, partidários dentro de limites pré estabelecidos.
(digo eu .. )
🙂 Votos de um Bom Dia.
Os blogues também servem para que as pessoas andem menos distraídas em relação a certos assuntos, Once. Tentarei dar esse contributo sempre que me for possível e agradeço tanbém os contributos alheios nesse sentido.
Em relação ao nome do partido, uma correcção que eu proponho caro Pedro: Partido Socialista da Paz e do Amor. Ou Partido Socialista Ingénuo. É que aquelas propostas sobre a banca estão a pedir o acrescento e a proposta sobre renunciar à guerra como método de resolução de conflitos está a exigir avaliação da ingenuidade.
Gosto particularmente da comparação com os manuais de auto-ajuda. Creio que aquela gente andou a misturar a leitura d’O Segredo com a d’O Capital. Misturar drogas dá nisto.
Também me parece.
Estás a fazer autêntico serviço público 🙂
Vamos lá ver se não me falta o fôlego, Teresa.
O Pedro leu o programa desse partido.
Pois eu não li e não gostei.
Cara anónima: aqui para nós, acho que faz bem. Não é leitura que lhe recomende.