Europeias (30)


Patrícia Reis,

 

 

PH: PEACE AND LOVE

 

Li o programa do Partido Humanista às eleições europeias.

 

Principais propostas:

– Desmantelamento das armas atómicas existentes em território europeu.

– Retirada imediata das tropas europeias dos territórios estrangeiros ocupados. 

– Inscrever nos tratados europeus uma renúncia expressa à guerra como meio de resolução de conflitos.

– Regularizar todos os imigrantes residentes em território europeu e equiparar os estrangeiros aos cidadãos comunitários em matéria de liberdade de circulação e direito de estabelecimento. 

– Conceder asilo a todas as pessoas e respectivas famílias que são forçadas a fugir dos seus países, independentemente das suas motivações para emigrar. 

– Estabelecer como critérios obrigatórios de convergência a existência de sistemas públicos de saúde e de educação gratuitos, universais e de qualidade.

– Combater a precariedade laboral e o desemprego, impondo modelos de participação dos trabalhadores na propriedade e gestão das empresas.

– Regular a actividade bancária, fomentando as operações de capital de risco no apoio à actividade produtiva e impedindo os juros usurários.

– Monitorizar e controlar a prescrição de psicofármacos a crianças, alegadamente hiperactivas ou com défice atencional.

– Incentivar o empreendedorismo e a criação de empresas através de apoios financeiros.

 

Comentários:

1. O Partido Humanista devia mudar de nome. Devia chamar-se Partido da Paz e do Amor.

2. Felizmente os belíssimos princípios pacifistas advogados pelo PH não vigoravam durante a II Guerra Mundial. Caso contrário a Europa teria ficado submetida à ‘paz’ de Hitler.

3. O programa do PH concilia o estado máximo de bem-estar, ainda por cima com a banca "regulada" e proibida de praticar "juros usurários", com a concessão máxima de direitos políticos e sociais aos imigrantes. Quadratura do círculo: se fosse aplicado à letra – partindo do princípio de que alguma vez teria aplicação prática – este programa atrairia à Europa milhões de deserdados do mundo inteiro em busca de direitos máximos e regalias máximas que não encontram, nem de longe, nos países de origem. Nunca é dito como seria financiado esse estado de bem-estar, um pormenor despiciendo a que talvez o PH aluda num dos seus próximos programas eleitorais.

4. Detesto a expressão ‘défice atencional’.

5. Faltou algo essencial no cardápio das promessas eleitorais do PH: um pote de ouro no fim do arco-íris. Omissão imperdoável.

6. O programa do PH é assim como aqueles manuais de auto-ajuda que se vendem aí pelos supermercados: não faz bem nem mal, antes pelo contrário.

7. O PH enganou-se de ano. Estamos em 2009, não em 1968.

22 comentários em “Europeias (30)”

  1. Pedro.

    Pelos vistos, andas “numa de leituras partidárias” por estes dias. Gabo a tua paciência, mas falando a sério, todos, deviamos fazer o mesmo, o pior, é que da teoria, á prática, nos dias de hoje, vai uma grande distância.
    Caso curioso, será que todos estes partidos, pararam, no tempo? Uns ficaram-se pelos anos 60, ou na melhor das hipóteses em 1975.

  2. Gosto do PH, na generalidade. Apenas me parece mais prático declarar de uma vez que todos os habitantes da Terra têm os mesmos direitos dos europeus.

    Além disso, se é para conceder «asilo a todas as pessoas e respectivas famílias que são forçadas a fugir dos seus países, independentemente das suas motivações para emigrar», não vale a pena complicar: tanto faz que tenham sido forçadas como não, visto que o motivo não interessa nada. Deve ter sido um pequeno «défice atencional» do PH.

  3. Estes seus posts são deliciosamente didácticos, além do mais. Bem a do “pote de ouro” é uma imagem que, em poucas palavras, vale mais de mil. Que remate. Estilo K.O.
    Muito bem.
    🙂

    1. Acredite, Maria do Sol: parto para a leitura de cada programa partidário como se tivesse ouvido falar destes partidos pela primeira vez e tentando pôr-me na pele de um cidadão comum, que acompanha muito à distância estas coisas da política. Até agora só sofri decepções.

      1. Acredito. Ainda ontem comentava com uma amiga minha a questão destes pequenos partidos. Eu só com basen no que vi no debate da SIC, o que sendo pouco, mostra a carruagem no essencial: a maior parte são risíveis, paradoxais e a levantar sérias dúvidas sobre se os seus mentores andam por cá ou têm estado numa lua qualquer.
        Parabéns pela ideia e pelo esforço que faz.
        🙂

  4. Começo a achar que não há partidos sintonizados com o tempo actual, Pedro. Incluindo os grandes, que vivem em guerras permanentes por motivos do passado e só falam de grandezas futuras. E do AGORA, quem trata?

    1. A Ana levanta uma questão interessante, a meu ver. Tudo é tão precário e datado que o agora que ainda não somos nem sequer é equacionado. E esta falta de sentido das coisas tema ver com liberdade. O que “ainda não somos” pode sempre ser objecto de escolha, mesmo não ignorando os constrangimentos inerentes à vida. Mas, quem é que se preocupa em ir um pouco mais além do que a vertigem do dia a dia sugere? Depois há déficit de estratégia, não há uma ideia, não há um projecto consistente para o país que, sem renegar o passado e a nossa natureza (whatever) tenha uma visão prospectiva sistematizada.
      :)))

  5. Eu sou o que de mais prático há em relação a essa definição Pedro .. cidadão comum e anónima que acompanha as “coisas” um pouco ao longe, ligeiramente distraída, etc, etc, e considero uma verdadeira mais valia este serviços público.
    O PH é sem dúvida algo utópico. Até porque a consciência social a que quer apelar tem de existir nos tais “comuns dos mortais” para que funcione civilmente. Não em termos instituídos, partidários dentro de limites pré estabelecidos.

    (digo eu .. )

    🙂 Votos de um Bom Dia.

    1. Os blogues também servem para que as pessoas andem menos distraídas em relação a certos assuntos, Once. Tentarei dar esse contributo sempre que me for possível e agradeço tanbém os contributos alheios nesse sentido.

  6. Em relação ao nome do partido, uma correcção que eu proponho caro Pedro: Partido Socialista da Paz e do Amor. Ou Partido Socialista Ingénuo. É que aquelas propostas sobre a banca estão a pedir o acrescento e a proposta sobre renunciar à guerra como método de resolução de conflitos está a exigir avaliação da ingenuidade.

    Gosto particularmente da comparação com os manuais de auto-ajuda. Creio que aquela gente andou a misturar a leitura d’O Segredo com a d’O Capital. Misturar drogas dá nisto.

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