Europeias (4)


Patrícia Reis,

 

 

ASELHICES E CALIMERICES

 

Bruno Faria Lopes tem toda a razão – depois de tão longa espera, não poderia ter havido pior ocasião para o anúncio da escolha do cabeça-de-lista laranja às europeias. Na óptica de um verdadeiro partido da oposição, claro. Nesse dia foi divulgado o mais recente relatório do Banco de Portugal, com previsões negras sobre a economia portuguesa – a tal ponto que levaria o Presidente da República a dizer que "não podiam ser mais negativas". Ao fazer coincidir com esta notícia o anúncio de Paulo Rangel como lider da sua lista europeia, o PSD retirou-lhe impacto – o que não se compreende num partido que se diz da oposição. Ou, o que se percebe menos ainda, retirou impacto ao anúncio da própria candidatura, que vinha sendo tão aguardado. O que só revela falta de pensamento estratégico e de cultura política na São Caetano à Lapa.

O Paulo Pinto Mascarenhas pôs o dedo na ferida: "Nenhuma mensagem – por mais verdadeira que seja – consegue alcançar a sua meta se não atingir o público-alvo, neste caso, os eleitores portugueses." Por outras palavras, a politica a sério não se compadece com amadorismos. Depois não admira que Manuela Ferreira Leite, transformada em Calimero, venha a público lamentar que ninguém a escuta. 

12 comentários em “Europeias (4)”

  1. Caro Pedro:

    Na “mouche” mais uma vez.
    Julgo, no entanto, que Paulo Rangel, ainda vai a tempo, da “corrida”, contra o “independente???” do partido sócrates.
    Veremos quem tem unhas para tocar esta viola!!!
    Um abraço e excelente fim de semana de preferência sem chuva e sem nuvens que de cinzentismos estamos nós fartos.

    1. Pois estamos, Carlos. Sobre as europeias, todos os dias haverá um apontamento até às eleições. Contra os cinzentismos de qualquer espécie e sem prestar vassalagem a ninguém.
      Abraço

  2. Lá que houve aselhice, houve. Mas afirmar que “Nenhuma mensagem – por mais verdadeira que seja – consegue alcançar a sua meta se não atingir o público-alvo, neste caso, os eleitores portugueses” quando se tratava apenas da apresentação do cabeça-de-lista de umas eleições parece-me um bocado «desmasiado».

    Ali, a mensagem a transmitir era apenas que o dr. Paulo Rangel era o candidato do PSP.

    1. Pois. O problema é do PSD é só pretender «converter» os que já estão convertidos. O ruído de fundo que provocaram no dia em que o insuspeito BP acentuou o péssimo desempenho da economia portuguesa é um sinal evidente de que este tema continua a ser relegado para segundo plano pelos «estrategos» da Lapa. Valha-lhes São Caetano.

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