Europeias (50)


Patrícia Reis,

 

O PSD VOLTA A SER PPD

 

A vitória eleitoral de Manuela Ferreira Leite, por interposto candidato, esteve longe de ser o passeio triunfal que alguns, sentados de camarote, vislumbraram na blogosfera. A prova? Vinte e quatro horas depois do escrutínio, quem representou o PSD no debate pós-eleitoral da RTP foi Pedro Santana Lopes. Precisamente o maior derrotado nas eleições internas de 2008 – o homem contra quem Ferreira Leite e cavaquistas, enojados, andavam a clamar desde 2004, verbalmente e por escrito. Há regressos que dizem tudo sobre um programa – e sobre a capacidade de regeneração de um partido que ambiciona voltar às luzes e aos lustres dos grandes dias.

 

ADENDA: Com este texto concluo um conjunto de cem postais sobre as europeias iniciado em 14 de Abril e subdividido em três séries: Europeias (50), Vencedores (30) e Derrotados (20). Daqui a algum tempo inicio outra, intitulada Legislativas.

27 comentários em “Europeias (50)”

    1. Interessa, claro, na óptica do PSD e da sua líder. Por isso há hoje muita gente a engolir sapos no partido enquanto PSL regressa à ribalta, enquanto candidato a Lisboa, pela mão de MFL. A unidade acima de tudo. Senão a vitória é do PS. Claro como água.

      1. mas Pedro Santana Lopes já tinha chegado à ribalta na anterior liderança do PSD, foi lider parlamentar do PSD, a unica coisa que aconteceu com a actual liderança foi manter-se na ribalta! dizer que MFL o trouxe para a ribalta é um pouco excessivo…

        1. Não pode haver maior ribalta do que presidente da Câmara de Lisboa. Se for eleito, tenho curiosidade em saber se substituirá o actual autarca, António Costa, na ‘Quadratura do Círculo’.

  1. Do Daniel Oliveira, que também fez um post semelhante, já estava à espera. Do Pedro Correia, espero mais.

    Quem convida os representantes dos partidos são os canais televisivos, neste caso, a RTP, cúmplice do governo e autora de toda a espécie de fretes políticos. O convite a PSL, assim como o convite a Bagão Félix, ambos representantes do último governo PSD, não é inocente: visa precisamente associar a actual direcção política do PSD ao governo de Santana Lopes, fazendo o espectador pensar que um governo de Ferreira Leite seria uma reedição do espectáculo de incompetência de Santana. Isto posto, criticar a actual direcção do PSD pelo que constitui obviamente um frete da RTP ao actual governo, é precisamente o que este quer e é, no fundo, ser-se conivente com a governamentalização do canal público.

  2. Diga-nos apenas uma coisa, Pedro…
    A que horas mesmo é que o PSD precisa de se unir?
    É certamente à hora PPC! Se for à hora PSL deve dar tudo errado…

      1. Que engraçado!… Dois dias antes das Europeias, o Pedro escreveu que “no momento de votar as pessoas não elegem cabeças de lista: pronunciam-se sobre lideranças partidárias” (aqui: http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/589154.html).
        Ora, assim sendo, a vitória do PSD foi a vitória da liderança de Manuela Ferreira Leite (com PSL como candidato anunciado à Câmara de Lx).
        Agora, se calhar porque na RTP se sentou PSL em lugar de PPC já nada presta (outra vez).

        1. Que raio de confusão você está aí a fazer. Sei bem o que escrevi: claro que as pessoas votam essencialmente nos líderes dos partidos, apoiando-os ou rejeitando-os. Este foi, globalmente, um voto de rejeição à maioria absoluta socialista e a José Sócrates. E foi também, claro, uma vitória de MFL. Contudo, vitória insuficiente, com estes números, para o partido laranja poder aspirar a formar governo. Daí a abrangência interna a que a actual líder social-democrata está condenada nos próximos meses. Ao falar em nome do PSD na RTP 24 horas após as eleições Santana Lopes emergiu destas europeias como uma das figuras em destaque no ciclo político em que já entrámos – o das autárquicas e das legislativas. MFL precisa de somar – não se subtrair.

  3. Não percebi bem o que diz. Então PSL não estava nesse debate em representação do PPD/PSD? – Pedro Correia

    É evidente que não. Santana foi convidado pela RTP precisamente para que os espectadores fizessem a associação entre o seu governo e um possível futuro governo de Manuela Ferreira Leite. Não por acaso também estava lá, em “representação” (sim, com aspas) do CDS o ex-ministro das Finanças de Santana. Se o Pedro Correia assistiu ao debate também percebeu que foram várias as perguntas feitas pela moderadora que se reportavam a 2005 e ao défice supostamente herdado por este governo quando isso pouca relevância tem para se fazer a análise dos resultados das europeias. Enfim, deixa-se enganar quem quer.

    1. O palpite é seu. Não vi mais ninguém elaborar tal tese, digna da maior teoria da conspiração. Que eu saiba, o PSD não protestou por se ver representado nesse debate por PSL, nem o CDS fez o mesmo em relação a Bagão Félix.

  4. Também reparei. Também me arrepiei.
    Eu também não tenho nada boa opinião do político PSL .
    Mas confesso (e sublinho que é sem hostilidade, como sempre):
    Fico divertidíssima ao ver como ainda se reincide no erro de julgar as pessoas pelas aparências!
    E só me pergunto:
    – Como é possível que já não tenham avaliado melhor MFL?
    – Será que nem uma centelha se acendeu ainda para perceber que ela não faz barulho, mas sabe perfeitamente o que é preciso fazer, trabalhando para isso permanentemente, sem convocar conferências de imprensa?
    Nem São Tiago exigiu mais do que, simplesmente, ver…
    Mas não, parece que neste caso ainda é necessário provar que a terra é redonda, ou meter explicador (como diria o João Gonçalves).
    O curioso é que insistir nisso é prestar-lhe afinal um enorme serviço.
    Baixar as expectativas é o melhor que podem fazer por ela.
    Grande Mulher!

    1. O facto de PSL ter aparecido na RTP a falar pelo partido revela bem a necessidade de unidade interna no PSD se quiser governar a partir de Outubro. É esse o sinal emitido pela direcção social-democrata, contrariando alguns pseudo-mestres de ‘estratégia’ laranjinha. Foi isso (também) que pretendi sublinhar.

  5. Já defendi a tese de que a vitória do PSD, a que alguma blogosfera tece tantas loas, foi uma vitória magra ( se analisarmos bem os resultados) que pode ser apenas uma vitória de Pirro, se não for confirmada nas legislativas.
    Inicialmente, estranhei a presença de PSL na RTP, mas depois concluí que tinha toda a lógica ser ele o escolhido. Como prémio pela sua rendição aos atributos da líder…

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