O "PROGRESSO" TERMINOU EM 1976
O Partido Comunista Português tem uma maneira muito peculiar de reescrever os acontecimentos. Há 35 anos, segundo o PCP, a "ditadura fascista" era derrubada por um golpe militar a que se seguiu de imediato um "levantamento popular", alicerçado na "aliança povo/Movimento das Forças Armadas". Qualquer arremedo de história redunda em puro mito nesta redução dos acontecimentos à medida exacta da cartilha ideológica. Uma armadilha intelectual que parece não provocar qualquer sobressalto no PCP. Para o partido de Carlos Carvalhas, Jerónimo de Sousa, Domingos Abrantes, Ruben de Carvalho, Vìtor Dias e Odete Santos, "a Revolução de Abril – com as seus avanços e conquistas políticas, económicas, sociais, culturais, civilizacionais – afirmou-se como o momento mais luminoso da História de Portugal". É neste tom empolgado que a descreve o último editorial do Avante!
Pena o "progresso histórico", tal como os comunistas o concebem, ter parado em 1976. De então para cá, e fazendo ainda fé no órgão central do PCP, a "contra-revolução" passou a dominar tudo – desde o primeiro governo de Mário Soares até hoje. Trinta e três anos de retrocesso, em que todos os governos, sem excepção, foram "vendendo pedaços da independência e da soberania nacional, numa postura de total submissão ao imperialismo norte-americano e à sua sucursal que dá pelo nome de União Europeia".
Este editorial diz tudo sobre a actual posição do PCP, que deixou de ser um partido internacionalista para ancorar nos lugares-comuns mais estafados da retórica nacionalista, à semelhança do que proclama a direita radical eurocéptica, como a Libertas, do irlandês Declan Ganley, ou a Liga das Famílias Polacas. Resta perguntar: se a União Europeia é mera "sucursal do imperalismo norte-americano", por que motivo os comunistas pretendem ser sufragados para Bruxelas no dia 7 de Junho?


É verdade, e a camarada Odete, que anunciou que o fim do capitalismo estava para breve, será que já o viu chegar a Santa Apolónia?
Acho que não. É o problema de não termos TGV.
Ainda se fosse “vendendo pedaços da independência e da soberania nacional, numa postura de total submissão ao imperialismo soviético e à sua sucursal que dá pelo nome de URSS”, eles apoiavam.
Há apenas uma coisa que me faz hesitar em ir ou não votar: é que sinto que se tem de ir votar em qualquer outra coisa que não nhurros.
Ah, o imperialismo soviético… Que saudades, snif, snif.
Pedro:
A coerência, é algo, que falta, a muita gente, e em relação, a concorrerem, ás eleições europeias, (comunistas) eles devem essa explicação aos Portugueses desde o Século passado.
Penso que a explicação está no Porreiro, pá ou então que sem eles lá o imperialimo faria a desbunda toda.
Então eles vão para lá para se tornarem acólitos do «imperalismo», Carlos? Faz-me alguma confusão.
Muito inconveniente essa pergunta
Acha?
“…por que motivo os comunistas pretendem ser sufragados para Bruxelas no dia 7 de Junho?
Pela mesma razão pela qual querem ser sufragados para S. Bento. Num caso não aceitam a “Europa capitalista” e no outro a “democracia burguesa”. Em ambos não aceitam o capitalismo. Não há qualquer mistério, a pergunta é retórica.
Faz-me confusão que os comunistas queiram fazer parte de uma “sucursal do imperialismo americano”. Só isso.
Lá estás tu a bater nos ceguinhos!
Jerónimo e Domingos e tutti quanti são ceguinhos?